SurfacePhone

O cancelamento da produção dos chipsets Atom Mobile das séries Broxton e SoFIA por parte da Intel pode ter consequências para outros fabricantes, além de promover a retirada da gigante dos chips do mercado de processadores para smartphones. Uma das maiores prejudicadas pode ser uma parceira da empresa de décadas: a Microsoft.

Os dois sócios dominaram o mercado de PCs com a estratégia “Wintel” e ainda seguem fortes no segmento, apesar de contar com menor relevância na indústria global, pela queda nas vendas do setor e a ascensão da era da mobilidade. Pois bem, uma das consequências do fim da produção dos processadores móveis da Intel é afetar de forma sensível o projeto do Surface Phone da Microsoft, um super smartphone que visa recuperar terreno no mercado móvel, onde a maioria dos veículos especializados apontavam a presença de um chipset da Intel no dispositivo.

O Intel Broxton era fabricado em processo de 14 nanômetros, na arquitetura Goldmon, que reduz o consumo e aumenta o desempenho com quatro núcleos de processamento e gráficos integrados Intel Gen 9, que estreou nos chips Skylake. Agora, o Surface Phone (se algum dia chegar ao mercado) terá que usar chips ARM, que é perfeito para um smartphone, mas não tão preparado como os da Intel para tarefas avançadas, como o Continnum, uma das grandes armas do Windows 10 contra o Android e o iOS.

O funcionamento do Continuum em arquiteturas ARM não é tão potente e nem tem o alcance de um x86. Diante de aplicações dedicadas, os chips da Intel podem funcionar facilmente em modo Continuum, combinado com o ótimo gerenciamento de software do Windows 10.

A história ainda não está escrita, e temos que esperar pelo lançamento do Surface Phone (ou do atraente Elite x3 da HP) para comprovar suas capacidades com um Snapdragon 830 (como se especula) e as melhorias que a própria Microsoft vai aplicar no modo Continuum.