Depois de vários vazamentos e informações previamente divulgadas na Internet nas últimas semanas, todo mundo já tinha uma ideia bem clara de como seria o primeiro tablet oficial do Google, o Nexus 7, que chega como rival direito dos demais tablets Android dos diversos fabricantes que licenciam o sistema operacional do Google, e do iPad, da Apple.

Porém, o foco do Google foi diferente do esperado inicialmente, e como ditava a tendência dos últimos dias, o principal rival do Nexus 7 não é um modelo da Samsung, ASUS, Acer ou da Apple. Pelo contrário. O Google quer conquistar o mercado dos “humildes”, e tem um adversário muito claro: a Amazon. E para partir para essa guerra, a impressão que ficou é que estamos diante de um produto que mostra artilharia pesada para esse campo de batalha.

As armas do Google são bem poderosas: processador NVIDIA Tegra 3 quad-core, GPU de 12 núcleos, tela com resolução de 1280 x 800, autonomia de bateria de 9 horas de reprodução de vídeos em HD, entre outros recursos. Mesmo assim, o Nexus 7 está longe de ser um adversário para as plataformas da Microsoft e Apple (Surface e iPad). E nem quer ser.

Até mesmo com os produtos dos parceiros do Google, vemos o Nexus 7 como um universo a parte. Modelos como os tablets Galaxy, Iconia Tab, Excite e similares, que podem alcançar até 10 polegadas de tela (ou 13, no caso do modelo da Toshiba) e câmeras de 5 a 8 megapixels estão em outra esfera de usuário, com outros propósitos de uso. Como disse antes, o objetivo do Google é um só: enfrentar o Kindle Fire, da Amazon.

Uma vez escolhido o adversário, o Google começou a desenvolver o seu próprio catálogo de serviços, antecipando a chegada do tablet em si, alicerçando ali a proposta do seu sistema de entretenimento pessoal de 7 polegadas. Começando pelos aplicativos, que não param de crescer na Google Play Store, a empresa foi adicionando os livros digitais, que é o setor onde sua rival tem a maior vantagem no mercado. Além disso, adicionou filmes e séries de TV, para conseguir um conjunto sólido de serviços, para poder se colocar em pé de igualdade com o ecossistema criado pela Amazon.

Por outro lado, o Google é um novato em um terreno onde a Amazon é uma campeã. O que conta a favor do Google é justamente oferecer uma opção alternativa, e entregar ao consumidor o poder de decidir qual conteúdo consumir. A liberdade de movimentos em um mercado tão delicado como é o dos serviços online é um trunfo para a empresa de Mountain View, mas o Google aposta principalmente na estratégia de entregar ao usuário as chaves para que o mesmo administre a sua experiência multimídia.

Muitos podem até dizer que o Google está chegando um tanto quanto tarde na batalha dos tablets. E boa parte dessas pessoas estão certas. O Nexus 7 é lançado com, pelo menos, nove meses de atraso em relação ao seu principal concorrente, e sua lista de serviços é bem menor do que aquela ofertada pela Amazon, mas o dispositivo do Google conta com uma vantagem de grande destaque em relação ao seu rival: o Android Jelly Bean.

O Kindle Fire ficará estacionado no tempo (muitos especulam que uma nova versão será anunciada até o final de julho), enquanto que o Nexus 7 já oferece uma experiência Android completa e muito atraente para aqueles usuários que querem ter um controle maior sobre o seu dispositivo. Além disso, o Kindle Fire está “limitado” por uma interface personaliza, que exerce um controle excessivo sobre as ações do usuário. No Nexus 7, sua funcionalidade é tal como o Google concebeu, com muitos widgets oficiais e de terceiros, além de recursos muito interessantes, como o Google Search com Google Now, Voice Typing e Google Bean, através do seu suporte NFC.

E tudo isso, em um tablet com peso de apenas 340 gramas, e que custa US$ 199.

A sua tela é outro elemento chave para o Nexus 7: uma tela IPS de 7 polegadas, com grande ângulo de visão, que promete a melhor das experiências ao ler livros ou revistas e assistir alguns filmes e séries do catálogo do Google Play. Tudo isso é possível graças ao seu hardware potente, capitaneado por um processador NVIDIA Tegra 3. Segundo o Google, o novo tablet também será um grande dispositivo para jogos, não só para os gamers casuais, mas para quem quer explorar os jogos em 3D.

Por enquanto, o Google Nexus 7 está disponível nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, através do Google Play, e fará a sua transição para a rede comercial física através de poucos pontos de distribuição autorizados com o passar do tempo. Não está claro em quantas regiões do planeta o tablet estará disponível, mas se levarmos em conta que a Amazon vai atualizar o Kindle Fire em breve, ampliando provavelmente a linha de produtos, não creio que o Google vai demorar muito para expandir internacionalmente a oferta do seu produto.

Via Gizmologia