Acabou agora a pouco a coletiva inaugural do Google I/O 2012, o evento para desenvolvedores do Google. Muitas novidades, novos produtos, uma nova versão de um sistema operacional e até streaming do Google Glass rolou hoje (27/06) no Moscone Center. Abaixo, um resumo de todas as novidades apresentadas.

Como toda coletiva que se preze, o Google começou apresentando os seus números, que são simplesmente impressionantes. São nada menos que 400 milhões de dispositivos Android ativos desde o início do projeto do Android. Mas o que mais impressiona é o crescimento do número de aparelhos com o sistema do Google ativos nos últimos 12 meses. Em 2011, nessa mesma época do ano, eram apenas 100 milhões de dispositivos ativos.

E hoje, o Google anunciou a concretização de um sonho antigo: a marca de um milhão de dispositivos Android ativados por dia ao redor do planeta. Ou seja, se você ainda tinha alguma dúvida que o Android dominou o mundo, ela acabou hoje.

Outro detalhe interessante está diretamente ligado à Google Play, a loja virtual da empresa. O Google superou a marca de 600 mil aplicativos, e 20 bilhões de aplicativos instalados desde o início do Android. Isso mostra que a curva de crescimento do sistema é constante e consistente. Além disso, merece destaque o fato da loja ter uma maior variedade de produtos, como filmes, séries de TV (por episódios ou temporadas), revistas virtuais e até tablets! Mas vamos falar disso daqui a pouco.

Dito isso, o Android 4.1 Jelly Bean se tornou oficial. A nova versão vem com uma série de melhorias para tornar o Android ainda mais intuitivo, funcional, simples e acessível para os mais diferentes tipos de usuários. A primeira e talvez principal novidade está no Project Butter, que é uma iniciativa encarregada de promover uma melhoria nos tempos de comando e resposta no sistema. Com isso, o Jelly Bean é capaz de reproduzir gráficos a 60 FPS com facilidade, os comandos de toque na tela estão mais rápidos, com uma fluidez de sistema muito maior.

Outro destaque é o triple buffering, que foca os recursos do sistema para uma melhor performance multimídia. Isso se reflete de forma direta na reprodução de vídeos e jogos, além das propriedades gráficas do sistema, que estão devidamente otimizadas. Sua interface gráfica foi modificada, para permitir o redimensionamento inteligente dos widgets, que podem se adaptar ao espaço disponível na tela do dispositivo. Por exemplo, se você possui um espaço para quatro ou seis ícones livres, um widget de e-mail pode preencher automaticamente esse espaço, sem deslocar os demais ícones.

Também há um novo sistema de remoção de ícones e elementos da área de trabalho, e melhorias no álbum da câmera. Agora, com um simples movimento você pode remover uma foto indesejada, dispensando a necessidade de dar mais de um toque na tela. Mas o principal destaque do novo Jelly Bean está nos seus itens de acessibilidade, que honestamente, deixam o Siri no chinelo.

Para começar, o Google implantou um sistema de reconhecimento de voz offline (por enquanto, disponível apenas para o inglês), que permite que o usuário digite uma mensagem de texto ou até textos mais longos sem depender de nenhum tipo de conexão de rede. Ou seja, você pode ditar e-mails ou textos pré-formatados até mesmo com o smartphone no modo avião.

O teclado virtual também foi renovado, e conta agora com um sistema de previsibilidade de texto, no mais puro estilo Swiftkey (quem tem o aplicativo sabe do que estou falando #recomendo). O Google Search foi implementado, e agora, você pode fazer uma pergunta em voz alta, que o Search responde em voz alta, mostrando referências dos resultados, caso você queira saber mais detalhes.

O sistema de notificações também recebeu melhorias, com alertas que se expandem ou se escondem para facilitar o seu uso. Por exemplo, se recebemos uma mensagem multimídia, podemos pré-visualizar a imagem em anexo ou ver essa mesma imagem em tamanho completo, dentro da própria área de notificações.

Por fim, o Google Now, um recurso que basicamente te deixa atualizado sobre o que você quiser, em tempo real, com riqueza de informação e detalhes. Tráfego de uma determinada região, previsão do tempo, resultados esportivos, tráfego aéreo e outras informações que você necessita podem ser enviados automaticamente para o seu smartphone, atualizados constantemente.

O Jelly Bean chega oficialmente ao mercado no meio do mês de julho, e inicialmente estará disponível nos dispositivos Galaxy Nexus, Nexus S e Motorola Xoom, que receberão a atualização via OTA (Over The Air). Os desenvolvedores já podem acessar ao seu SDK a partir de hoje.

Outro grande destaque (que você que lê o TargetHD já sabia antes mesmo do evento começar) foi para o tablet do Google, o Nexus 7. Fabricado pela ASUS, o tablet de 7 polegadas possui uma tela IPS de 1280 x 800 píxels, processador NVIDIA Tegra 3 de quatro núcleos, com uma GPU de 12 núcleos de processamento. Ou seja, ele promete fazer miséria na hora de reproduzir filmes, vídeos e jogos.

O tablet ainda conta com câmera frontal, conectividade WiFi, Bluetooth, NFC, peso de 340 gramas e bateria com autonomia de até 9 horas de reprodução de vídeos em HD. Como não poderia ser diferente, o produto chega ao mercado com o sistema operacional Android 4.1 Jelly Bean, e muitos dos aplicativos mais básicos foram redesenhados, para melhor se adaptarem com a experiência de uso do Nexus 7.

Por exemplo, o Mapas agora permite armazenar de forma local os mapas selecionados, ou a possibilidade de ver o interior de alguns estabelecimentos. Outro aplicativo que foi modificado foi o YouTube, que conta com um novo formato para aproveitar ao máximo as sete polegadas de tela do Nexus 7.

O Google Nexus 7 já está disponível para reserva na Google Play, em versões de 8 e 16 GB de armazenamento. Por enquanto, apenas para alguns países selecionados, como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido;. Seu preço sugerido é de US$ 199, e as primeiras unidades começam a ser distribuídas na segunda quinzena do mês de julho.

Mas o Google ainda tinha uma carta escondida na manga: o Nexus Q, um player multimídia com recursos diferenciados, uma vez que ele vai reproduzir conteúdos por streaming a partir da nuvem, trabalhando lado a lado com o aplicativo Google Play Music. Com essa combinação, o usuário poderá criar listas de músicas com os nossos amigos via internet, utilizando qualquer dispositivo Android, e permitindo a reprodução no dispositivo.

No seu interior, ele conta com um processador OMAP 6640 (o mesmo processador presente no Galaxy Nexus), e conta com uma conectividade dual WiFi, Ethernet, NFC e Bluetooth. O produto já pode ser reservado no mercado norte-americano, com lançamento anunciado para a segunda metade do mês de julho. Preço sugerido de US$ 299.

Mudando de assunto… apesar de eu, você, e metade da torcida do Flamengo não utilizá-lo, o Google+ foi atualizado, com o objetivo de ser funcional para todo o tipo de tablets. Tudo indica que a rede social d o Google vai continuar se remodelando de forma profunda, justamente para alcançar um maior número de usuários, em diferentes dispositivos.

Uma série de mudanças foram anunciadas para que os conteúdos sejam melhor exibidos na tela dos tablets, mesmo aqueles que não são do sistema Android. Entre as principais novidades, temos um novo sistema de navegação, uma nova distribuição na orientação paisagem, e uma aparência diferente nos Hangouts, para se adaptar melhor às telas dos tablets.

Os usuários de tablets com Android já poderão atualizar o aplicativo do Google+ a partir de hoje. Já os usuários do Novo iPad vão ter que esperar um pouco mais (e o Google não revela quando). E para não dizer que o Google+ não é um sucesso, a empresa de Mountain View afirma que o serviço já conta com 250 milhões de usuários.

Além disso, eles apresentaram oficialmente a função “Events”, que promete ajudar a organizar as comunicações e lembretes com nosso contatos, integrando o recurso ao Calendário, além de oferecer o modo Festa, para associar diretamente ao contato a foto registrada.

Por fim, o Project Glass. Como de costume, o Google não estava muito disposto a dar detalhes concretos sobre suas especificações, se limitando a fazer uma demonstração com saltos de para-quedas, demonstração de bikes, descida de prédios e outras ações radicais. A empresa de Mountain View aproveitou o evento para contar que o óculos futurista conta com um potente processador e uma grande quantidade de memória RAM, além de acelerômetro, giroscópio e conexão sem fio.

Os comandos de voz são recebidos através de um microfone integrado, mas o óculos possui o seu próprio alto-falante e uma câmera, como bem sabemos. O dispositivo estava presente no cenário do Moscone Center em três versões (nas cores azul, branco e preto), e a unidade central está um pouco acima do nível dos olhos.

Os óculos multifuncionais estarão disponíveis na sua versão Explorer Edition durante o Google I/O, de forma exclusiva para os desenvolvedores norte-americanos, com um preço inicial de US$ 1.500. Sua data de envio ainda está por ser determinada, mas o próprio pessoal do Google informa que as primeiras unidades não devem ser enviadas antes do começo de 2013.