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O debate continua em torno de codificação em dispositivos eletrônicos. Ontem (17), um juiz federal ordenou a Apple o impossível: “facilitar” o aceso a um iPhone codificado.

A Apple se negou a fazer isso publicamente, com uma carta aberta assinada por Tim Cook, apesar de que ainda eles precisam fazer isso legalmente, recorrendo da decisão. E teremos um novo capítulo para essa história, que parece longe de terminar.

As horas se passaram, e outras vozes das altas esferas tecnológicas se pronunciaram sobre o tema, dando apoio ao CEO da Apple, pedindo a abertura do debate mas negando aquilo que as autoridades impuseram a gigante de Cupertino. Sundar Pichai, CEO da Google, foi até o Twitter mostrar o seu apoio ao seu homólogo, assim como o CEO do WhatsApp. E não devemos estranhar essas manifestações mais enfáticas dos líderes do mundo tech quando um deles tem os seus direitos ameaçados.

O Governo dos Estados Unidos também se pronunciou à imprensa. O diretor da NSA afirmou que, sem a codificação, os ataques a Paris “não teriam acontecido”. A Casa Branca fala da prioridade nacional e de fazer exceções, pois se trata do acesso de “apenas um smartphone”, e não de “criar um novo backdoor em seus produtos”.

Então… é válido pedir a violação do sistema de codificação ou não?

O que se pede especificamente é: desabilitar ou violar a função de auto-remoção dos dados quando a senha é digitada de forma incorreta por diversas vezes, eliminar a restrição temporária das tentativas de identificação e permitir a utilização de métodos alternativos para testar senhas (por exemplo, mediante protocolos sem fio ou uma porta do dispositivo).

Todas as medias vão em direção a tentar violar a senha base via força bruta, testando combinações de forma automática e eficiente, sem que o dispositivo tenha seus dados apagados ou bloqueados. Ou seja, estão pedindo para a Apple violar a sua própria segurança, ou “criar uma nova porta traseira em seus produtos”. Não na codificação explicitamente, mas na sua estrutura de segurança.

Sobre a petição, explicava Tim Cook que “o Governo sugere que só seria utilizado uma vez, em um smartphone. Mas isso não é certo. Uma vez criada, a técnica poderia ser utilizada outras vezes, em vários dispositivos. O Governo está pedindo para a Apple hackear aos nossos próprios usuários”.

Via Apple, @SundarPichai, Ars Technica, Reuters, TechCrunch