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No domingo passado (20), publicamos a primeira parte do post sobre seis falsos mitos da tecnologia que ainda persistem. Conceitos errados que perduram por anos ou décadas, difíceis de se eliminar, como todos os mitos. Hoje, temos a segunda parte desse post, apesar de que são tantos mitos, que dava para fazer outros posts com o tema.

 

1. PC é Windows

O Windows concentra hoje 90% do mercado global de computadores, e o domínio da Microsoft levou boa parte dos consumidores a confundir o produto geral com a marca, da mesma forma que falamos de Coca-Cola, e não de refrigerante de cola, de Danone, e não de iogurtes, ou de Gillette, e não de barbeadores descartáveis. Como se não existissem outras marcas.

Esse mito pode ser visto todos os dias, em qualquer lugar, e é alimentado pelos fabricantes de PCs, pelos canais de vendas físicas ou online, ou em qualquer meio de comunicação. Até sites especializados como o TargetHD não escapam disso. Um PC é um “computador pessoal”, independente do seu sistema operacional, incluindo o OS X da Apple, que é citado no próximo item.

 

2. “Um Mac é melhor que um PC”, ou “Mac é um lixo caro”

As duas frases são falsas. Teve um tempo que Mac e PC eram muito diferentes na sua arquitetura, mas hoje são basicamente os mesmos equipamentos. Logo, um Mac não é melhor que um PC simplesmente porque um Mac é um PC com OS X, podendo rodar o Windows (com suporte oficial), Linux e outros.

Dizer que um Mac é melhor só porque é da Apple é de uma ignorância sem tamanho. Com um hardware muito similar da concorrência, a comparação objetiva entre os sistemas operacionais é complexa, já que tudo se resume ao gosto do usuário pela interface e gerenciamento geral do sistema, dos aplicativos a serem utilizados e de necessidades específicas.

Por outro lado…

A Apple é assim: ou se ama, ou se odeia. Ou são os melhores notebooks da história, ou são “lixos caros”. A Apple cobra a mais do que concorrentes com o mesmo hardware, mas não é tanto como dão a entender os seus detratores, analisando modelos concretos. Para comparar o MacBook Air com outros ultraportáteis com Windows, não podemos comparar o hardware de forma direta. Design, qualidade de construção, acabamentos, autonomia de bateria, otimização do sistema e outros fatores também agregam valor, mesmo que não o quantifique.

 

3. Um chip gráfico é mais rápido quando tem mais memória

Os videogames e aplicativos gráficos profissionais exigem muito dos recursos dos sistema, e na maioria dos casos, da placa gráfica. Velocidade e capacidade de armazenamento de dados para o motor gráfico para texturas, mapas de sombras, iluminação e outros elementos. Os gráficos integrados utilizam parte da RAM do computador, mas os gráficos dedicados usam memória adicional.

Aqui entra a memória VRAM, especificamente desenvolvida para os gráficos, mais rápida que a RAM. A quantidade de memória dedidada vai desde 1 GB até 12 GB nos modelos profissionais. É claro que, quanto mais RAM, melhor. Mas isso não quer dizer que a quantidade de memória dedicada de uma placa gráfica será o componente responsável pelo seu desempenho.

Hoje, placas com 2 GB são muito mais rápidas que modelos de 4 GB. Fato é que devemos contar com um mínimo de memória para não deixar a GPU “desabastecida” de dados, garantindo que a frequência de trabalho do núcleo gráfico seja plena. Outros aspectos como velocidade de memória determinam o melhor desempenho, e vão além da quantidade de VRAM que temos instalado no equipamento.

 

4. Linux é difícil de instalar e usar, e é só para experts

Outro mito que hoje em dia não se sustenta. Ouvir durante décadas que o Linux é muito difícil e é só para experts é intimidante para o usuário que nunca testou outra coisa além do Windows ou Mac OS X. A falta de suporte OEM do Linux penalizou o seu uso, alimentando o mito sobre sua dificuldade. Mas hoje, a verdade é uma só: nunca foi tão fácil instalar e usar o Linux.

Hoje, a grande maioria de distribuições GNU/Linux são tão fáceis de instalar como é para instalar uma versão limpa do Windows. Conta com interface gráfica, processo quase totalmente autônomo, incluindo o gerenciamento do sistema de arquivos ou partições e um gerenciamento de inicialização que permite ao Linux conviver com outros sistemas operacionais no mesmo equipamento.

O Linux conta com diversas interfaces de usuário muito personalizáveis, o que torna o seu uso muito fácil. A instalação de aplicativos mediante gestores de pacote se tornou algo trivial, e pode ser feito com um clique. E não, você não é obrigado a utilizar o console de administração do Linux, outro mito que também persiste.

 

5. Apagar arquivos destrói os dados do disco rígido, ou utilizar um imã para destruir os dados

Apagar arquivos em uma unidade de armazenamento não elimina seus dados para sempre. Os arquivos ocupam um espaço em disco, e com sua eliminação o espaço é marcado como disponível na unidade, permitindo a gravação de outros dados. Mas eles não estão eliminados por completo, podendo ser recuperados diante de uma remoção acidental.

A recuperação dependerá dos dados sobrescritos nessa porção do disco e das ferramentas a serem utilizadas. Programas gratuitos permitem a recuperação de muitos dados se eles não foram muito sobrescritos e empresas especializadas em recuperação de dados podem realizar o seu trabalho em camadas profundas. São vários os casos conhecidos de PCs antigos que foram aposentados ou vendidos cujos dados foram recuperados por uma simples remoção. Nos smartphones, funciona da mesma forma.

Outro mito é aquele do imã destruir os dados. O método funciona nos populares disquetes, mas nos discos rígidos e SSDs atuais, é algo ineficaz. O que pode funcionar é usar ferramentas que sobrescrevem os “0 e 1” ao ponto dos dados serem irrecuperáveis. Outro método é usar a força bruta, com trituradores, ou usar um martelo e descontar a raiva do mundo no dispositivo de armazenamento.

 

6. Montar o seu próprio PC sempre economiza dinheiro

Muitos de nós montamos nosso próprio PC com componentes de vários fabricantes. Isso oferece vantagens: instalar apenas o que precisamos, combinando componentes de vários provedores, instalar o sistema operacional preferido, os aplicativos necessários, evitar o bloatware, criar máquinas específicas para finalidades específicas, e atualização livre, sem problemas de garantia.

Mas… é sempre mais barato?

No passado sim, e o mito persistiu ao longo de anos. Hoje, o mercado mudou muito, e nem sempre é mais barato. Alguns fabricantes contam com componentes essenciais que permitem um menor preço de fábrica. Por outro lado, um fabricante que compra componentes em grande lote para uma linha de produção consegue um preço muito inferior do que o consumidor final, que compra apenas uma unidade de um componente.

Considerando a grande queda de vendas no mercado de PCs, podemos entender a redução de preço de computadores OEM. Para não falar das ofertas pontais de alguns modelos e fabricantes. Pense bem na hora de criar o seu próprio PC, porque hoje nem sempre é mais barato a customização, apesar das vantagens aqui assinaladas.

Leia mais: Falsos mitos da tecnologia que ainda persistem (parte #1)