Quem votou, votou. Quem não votou, não pode sequer reclamar do resultado. No mês passado, o Facebook anunciou que vai mudar a forma que decide as suas novas políticas, e que não mais usará o processo de votação adotado até o momento. Pela última vez, os membros da rede social de Mark Zuckerberg puderam opinar a respeito de suas políticas, e 88% das pessoas expressaram o seu descontentamento com as mudanças. Porém, nada disso importa, pois o Facebook vai mudar tudo assim mesmo.

O motivo é simples: os resultados só valeram para que o Facebook tivesse uma amostra da quantidade de pessoas que vai desagradar quando as políticas forem alteradas em definitivo, mas não uma manifestação concreta de descontentamento de um volume considerável de usuários da rede.

Explico: para o Facebook, um número considerado significativo de respostas seria algo em torno de 30% de seu número total de usuários cadastrados (ou aproximadamente 300 milhões de respostas na pesquisa). Porém, apenas 667 mil usuários da rede responderam a pesquisa, representando apenas 0.00668% de manifestações entre os usuários registrados. Logo, o Facebook se dá o direito de mudar tudo a seu critério, ignorando o termo “amostragem” na pesquisa.

Tão logo a nova política tenha efeito no Facebook, os usuários só poderão se manifestar contra alguma coisa através de um sistema de perguntas previamente determinadas para a Chefe de Privacidade do serviço, Erin Egan. Infelizmente, duvido que Egan tenha tempo suficiente para ler todas as mensagens que vai receber (e até duvido que seja ela mesma que faça isso; com certeza teremos uma equipe responsável pelas respostas, chefiada por ela).

Entre outras coisas, a nova política do Facebook inclui uma cláusula que permitirá compartilhar os dados dos usuários entre empresas afiliadas, como o Instagram. Isso quer dizer que os internautas que possuem contas nos dois serviços poderão ver conteúdos de publicidade dirigida e similar nos dois sites (por enquanto, o Instagram não mostra publicidade em seu conteúdo, mas mesmo assim…).

Tudo nessa vida tem os dois lados da moeda, e essa situação em particular não é diferente. Com essa decisão, o Facebook tem a liberdade de dizer “nós perguntamos, vocês não se manifestaram de forma maciça, então não reclamem porque mudamos as regras do jogo”. Além disso, o fator “amostragem” que já citei um pouco antes nesse post é ignorado por completo, e para o Facebook, mesmo tendo uma amostra que pode contrariar quase 9 entre 10 de seus usuários atuais com a medida, as mudanças se fazem práticas, porque o questionamento não atingiu uma massa significativa de pessoas.

Por outro lado, a culpa é do próprio internauta, que na grande maioria dos casos, é desinteressado nessas regras que ficam nas entrelinhas, ou são preguiçosos demais para responder uma pesquisa de opinião e satisfação (e depois ficam reclamando quando os serviços promovem as mudanças, de acordo com o índice de respostas dadas por aqueles poucos que se interessaram em responder a pesquisa). Posso dizer isso com propriedade, pois fizemos uma pesquisa de opinião no mês de novembro, e apesar do TargetHD contar com um ótimo índice de visitas diárias, o número de respostas foi bem abaixo do esperado.

De qualquer forma, o tema de privacidade e negócios das redes sociais sempre foi algo controverso. Já vi muita gente publicando em sua timeline do Facebook notificações inúteis, advertindo a rede social sobre o uso indevido de sua informação privada. Na verdade, quem aceita os termos de utilização do Facebook aceita, por tabela, quando a rede social muda as regras de privacidade e utilização de dados para publicidade. Os próprios termos do Facebook informam que essa é uma decisão unilateral. Todo mundo tinha a opção de votar se queria que isso mudasse ou não.

Bom, agora não tem mais. E se você não concorda com isso, a opção que você tem é sair do Facebook. Simples assim.

Via TechCrunch