A minha resposta mais lógica seria “não”. Mas seria muito rápido e simples dizer isso, e eu perderia uma oportunidade de uma boa pauta para o blog. E não é assim que as coisas funcionam.

A briga entre Apple e Google fica cada vez mais acentuada nos últimos meses, mas se falarmos dos seus defensores, ela já existe desde 2009, pelo menos. Na verdade, o Android começou a pegar mesmo em 2010, quando a versão 2.1 (Eclair) se fez presente na maioria dos dispositivos existentes, mas as primeiras trocas de farpas começaram a ser feitas um ano antes. E ao longo desses três anos, essa briga tomou contornos muito estranhos. Desde manobras geniais das empresas, até comportamentos patéticos de seus usuários.

Aliás, a briga entre fanboys do iOS e do Android era quase inevitável, por um único motivo: o ser humano não consegue viver em paz com ele mesmo, e precisa comparar tudo e todos. Sabe, é aquele negócio que vem de criança, daquelas briguinhas infantis da escola, como “meu pai é melhor que o seu”. Resumindo: as pessoas não são felizes com aquilo que tem, e precisam sempre se preocuparem com aquilo que os outros dizem. E provar o tempo todo que estão certos.

Logo, não basta você gostar de um sistema, ser feliz porque ele atende todas as suas necessidades, sendo rápido e funcional, etc. Tem que escancarar para o mundo que acha o sistema perfeito, e que “o resto é lixo”. E isso vem hoje dos dois lados. É claro que, da parte do Android, bem menos, uma vez que o pessoal do sistema do Google gasta seu tempo personalizando os seus smartphones, e explorando a liberdade que o seu sistema oferece. Mas como os dois sistemas chegaram em um ponto de maturidade semelhante, os fanboys trocam alfinetadas mútuas com a mesma verborragia, ou com declarações bem semelhantes.

Posso dizer uma coisa? Os dois lados estão se equivocando em vários aspectos.

Para começar, depois desse tempo todo, vocês realmente acreditam que algum lado vai se convencer que o outro está certo? Tá, eu conheço casos de pessoas que, cansadas da inconsistência das versões antigas do Android, acabaram migrando para o iOS, e foram felizes para sempre. Também conheço usuários que se cansaram da mesmice do iOS, e que foram buscar a liberdade do Android, e se deram muito bem. Agora, essa tentativa de doutrinação dos “fanáticos religiosos dos sistemas operacionais móveis” é algo inútil e extremamente babaca. Mostra como tem gente desocupada nesse mundo, e que não consegue ser feliz com aquilo que tem, precisando apelar até para a humilhação do próximo para provar que está certo (mesmo não estando).

Os dois sistemas possuem qualidades e defeitos, e não existe um sistema “perfeito”. Na verdade, existe: aquele que é perfeito PARA VOCÊ, E APENAS PARA VOCÊ! Para o restante da Humanidade dita racional, essa regra PODE VARIAR! Mas existem mentes mais fracas que não entendem dessa forma. Querem que o perfeito “para ele” seja o perfeito para o resto do mundo. Não, amigo… VOCÊ ESTÁ ERRADO! Graças a Deus (e por causa do meu trabalho), sou um feliz proprietário de smartphones com os dois sistemas. Uso os dois de forma produtiva, e sou feliz com os dois. Porque sei extrair o melhor dos dois, diferente de alguns, que só enxergam o melhor a dois palmos do seu nariz.

O que torna você melhor que os outros é saber usar bem os dois sistemas. Na verdade, três, pois o Windows Phone não deve ser descartado. E… sabe qual a impressão que me dá quando vejo as declarações raivosas dos fanboys em relação ao sistema adversário? Que tudo isso é movido pelo fruto da inveja. Isso mesmo. Inveja.

Sabe a teoria do “a grama do vizinho é sempre mais verde”? Ou “a mulher do vizinho é sempre mais gostosa”? Pois é. Por mais que os fãs do Android neguem, o iOS é um sistema que funciona (relativamente) bem em qualquer geração do iPhone (digo isso agora que a Apple finalmente resolveu retirar o iPhone 3GS do mercado), com uma gama enorme de aplicativos, e com um valor de mercado gigante. O iPhone (pelo menos no Brasil) é visto como sinônimo de “status”. Ainda ouço muita gente dizendo que “só tem iPhone quem é playboy”. Eu mesmo tenho iPhone, e provavelmente, sou mais pobre que você, que está lendo esse post.

Por outro lado, mesmo que os fanáticos mais fervorosos da Apple tentem negar os fatos, o Android evoluiu em três anos aquilo que o iOS não consegue mais evoluir. Mesmo fragmentado e modificado pelas operadoras, o sistema do Google já atingiu um belo ponto de maturidade na versão 4.0 (Ice Cream Sandwich), e a versão 4.1 (Jelly Bean) traz inovações nativas do sistema mais interessantes que o iOS 6, que só adicionou basicamente compatibilidade com novas funcionalidades e maior integração com o Facebook. O Mapas da Apple eu não conto. Aquela porcaria não funciona.

Por fim, eu deixo a pergunta: quem se importa se um sistema é melhor que o outro?

Algum fanboy ganha dinheiro ao ficar detonando o outro sistema? Honestamente, os fabricantes não estão ligando a mínima para isso. Apple e Google resolvem suas diferenças nos tribunais (diferenças essas que, por sinal, nem são tão grandes). Fanboys da Apple afirmam categoricamente que “o Android copiou o iOS”. Só para lembrar: 1) os dois sistemas existem da mesma origem (Linux Unix, com o Android vindo do Linux, que vem do Unix); 2) sistema operacional com tela sensível ao toque e ícones redondos já existia antes do iOS. Se chamava Palm OS. Logo, se informa melhor antes de dizer que “alguém copiou alguém”.

Pra resumir: seja usuário do iOS ou do Android, seja feliz com ele. Se o outro acha que o seu sistema é melhor, pense “que ele seja feliz ao pensar assim”. Essa história de tentar doutrinar o outro com o conceito do “o meu é melhor e o resto é lixo”, em pleno 2012, não cola mais. Já disse isso antes: quem sabe usar os dois de forma plena e produtiva (é o meu caso) é melhor que qualquer fanboy, pois sabe ver o melhor dois dois mundos, sem ficar limitado a um deles.

E viva a democracia digital. Um mundo com um único sistema dominante é algo chato demais!