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No final de 2011, quando a Apple era praticamente a única marca de verdade dentro do mercado de tables, e os grandes fabricantes que apoiavam o Android sonhavam e destronar o iPad do topo, nos custava a acreditar que uma nova força emergente conseguiria êxito nessa empreitada. E eu não estou falando dos dispositivos com Windows, nem qualquer outro sistema operacional diferente do Android. Estou falando de uma massa de produtos vindos de um país que hoje dita as regras em vários segmentos do planeta: a China.

A primeira coisa que temos que pensar antes de desenvolver esse post é:

O iPod cresceu tudo o que podia?

O último relatório publicado pelo pessoal da IDC nos mostra que o tablet da Apple parece ter alcançado o seu ponto máximo de crescimento. No terceiro trimestre 2012, foram vendidas 14 milhões de unidades do iPad, enquanto que no mesmo período em 2013, as vendas foram de 14.1 milhões de unidades. Ou seja, o crescimento foi praticamente nulo, de apenas 0.6%.

Ainda segundo o relatório da IDC, no mesmo período que a Apple teve uma estagnação nas vendas do iPad, outros fabricantes melhoraram e muito suas vendas, como a Samsung que agora segue a Apple muito de perto, com um crescimento de vendas de até 123% em um ano, com vendas de quase 10 milhões de unidades dos seus tablets no último trimestre. Crescimentos similares foram registrados pela Asus e Acer, mas quem se destacou mesmo foi a Lenovo, com um aumento de 420% em suas vendas em relação aos resultados do ano passado.

Os tablets genéricos são os novos líderes do mercado

Mas o que realmente chama a atenção não são os números que as marcas conhecidas alcançaram no último trimestre, mas sim descobrir que os novos líderes do mercado de tablets são os fabricantes chineses desconhecidos.

Os números publicados pela IDC advertem que entre o estancamento da Apple e o crescimento lento, porém considerável, dos fabricantes de marcas consagradas, temos o grupo dos genéricos e desconhecidos, que estão na liderança combinada no volume de vendas, com mais de 16 milhões de tablets vendidos no último trimestre.

Mais: esses números podem ser ainda maiores.

Um estudo publicado recentemente pelo site Digitimes revela uma pesquisa um pouco mais aprofundada sobre as vendas dos tablets alternativos, partindo do princípio que é muito difícil obter números precisos sobre a maioria dos fabricantes chineses que operam sem marca definida. E os resultados são impressionantes.

Sobre os envios, cerca de 25 milhões de tablets alternativos podem ter chegado ao mercado durante o terceiro trimestre de 2013. Sobre a sua cota de mercado, ela seria de 44% do total de tablets, e até 65% do mercado de tablets Android.

Os números por sí só são impressionantes, mas devemos ver o verdadeiro significado de tudo isso. Muito além de afirmar que a Apple está sendo superada por todas as frentes, temos que lembrar que nem os fabricantes tradicionais tiveram um crescimento de vendas acachapante, e que nem essas marcas consagradas conseguem escapar das perdas de vendas para marcas de pouco ou nenhum renome no mercado.

mediatek

Mas é aqui que se esconde o segredo das marcas alternativas. E, ao mesmo tempo, onde muitos grandes fabricantes podem estar perdendo a chance de ouro de ganhar mercado. A Lenovo e a Acer já descobriram que vale a pena utilizar os processadores MediaTek em seus dispositivos, pois são mais baratos e garantem uma performance decente para produtos de entrada e/ou de médio porte. E essa estratégia está dando certo.

Mas a verdade é que: se os tablets querem seguir em frente no seu objetivo de substituir os PCs entre os usuários de entrada e/ou usuários domésticos, os seus fabricantes deverão começar a pensar de forma mais séria em opções mais acessíveis para o usuário médio. Pois ao que tudo indica, os tablets considerados “premium” alcançaram o seu ponto de saturação.

Com informações da IDC e Digitimes