Fui convidado pela assessoria de imprensa da Samsung Brasil para conhecer as dependências de sua fábrica em Manaus (AM). A unidade concentra hoje mais de 5 mil funcionários, e é considerado o melhor complexo de produção da empresa no mundo. Melhor até que a fábrica da Samsung na Coreia do Sul. Abaixo, passo minhas impressões sobre tudo o que foi apresentado.

Antes de qualquer coisa, quero agradecer ao convite feito pela assessoria de imprensa da Samsung. Vale a pena acrescentar que não foram autorizados os registros de imagem das dependências da fábrica (vídeo e/ou foto), mas existe a possibilidade de recebermos imagens autorizadas, realizadas pela própria equipe da Samsung. Assim que recebermos essas imagens, atualizaremos esse post.

A fábrica está localizada na área industrial de Manaus, e tem uma estrutura de produção que engloba grande parte dos principais produtos da empresa, como câmeras digitais, monitores, TVs, smartphones, celulares, home theaters, mini systems, entre outros. O segmento de notebooks é produzido na unidade de Campinas (SP), e a unidade manauara se prepara para iniciar ainda em 2012 a produção de tablets e o aumento do número de telefones a serem produzidos na unidade. De acordo com os responsáveis pelo tour realizado na empresa, essa fábrica da Samsung em Manaus será capaz de produzir cerca de 30 celulares/smartphones diferentes (até o final do ano passado, esse número era de apenas 12 modelos).

Cinco setores diferentes formam a linha de montagem da empresa. Os produtos lá produzidos passam pelo mesmo estágio de produção, sofrendo pequenas alterações e adaptações para os respectivos segmentos de produtos fabricados. Algumas coisas realmente chamam a atenção na linha de montagem da Samsung. A primeira delas é o equipamento adotado para parte do sistema de montagem de placas e componentes eletrônicos. Muito dos equipamentos que a empresa utiliza para essa primeira fase do processo de montagem são da própria Samsung, o que mostra que a empresa não investe só nos produtos, mas também nos equipamentos que vão fabricar esses mesmos produtos. Para não dizer que tudo o que vi lá recebia a marca Samsung, apenas alguns poucos equipamentos menores, como monitores, computadores e leitores de CD/DVD utilizados pelos terminais de controle contavam com a logomarca de concorrentes.

Tal como em outras fábricas, as placas de circuito interno recebem uma espécie de “impressão”, onde cada produto conta com o seu esquema de circuito integrado em uma espécie de molde. Um ponto interessante está no sistema de distribuição de solda para tais placas, que é feita inicialmente de forma autômata, por uma das máquinas, e em um momento posterior, todo o excesso é retirado manualmente. A distribuição do trabalho de montagem dos produtos é bem equilibrado: a parte do processo que exige a intervenção humana está nos pequenos detalhes, como inserção de chips e conectores, detalhes de acabamento e embalagem, e área de testes. Setores estes onde a máquina não é mais eficiente do que a percepção humana.

Dois setores de produção chamaram a atenção durante a visita: os setores de telas (TVs e monitores) e o setor de celulares.

Antes do tour começar, fomos convidados a conferir alguns dos lançamentos da Samsung para a linha 2012 de produtos. E a maior ênfase dessa apresentação foi para as novas tecnologias de tela, como por exemplo a nova TV 3D Smart TV da empresa, que possui o recurso de detecção de gestos. Tal funcionalidade foi testada e aprovada pelos presentes, principalmente pelo fato que o recurso pode facilitar e muito a vida daqueles que não contam com muita intimidade com o controle remoto (como nossos pais e avós, por exemplo). Com poucos comandos de voz e gestos simples, o usuário pode realizar as tarefas mais básicas para utilização do televisor.

E a melhor parte é que a Samsung faz questão de lembrar que tais TVs são produzidas no Brasil, na sua unidade de Manaus. Isso mostra o empenho e investimento da empresa no desenvolvimento de uma estrutura que permite a produção de produtos com tecnologia elevada.

Entre TVs e monitores, a unidade de Manaus da Samsung tem uma produção média de 26 mil unidades/dia. É um volume realmente impressionante, pois a linha de produção envolve uma certa complexidade, e algumas fases de produção dessas telas aparenta ser mais lentas e detalhadas do que outras. Por outro lado, tudo ali é muito bem pensado, e cada um tem o seu lugar e sua função nessa linha de produção.

Uma das áreas mais interessantes da fábrica da Samsung em Manaus é a sua área de testes de produto. Uma unidade de um determinado lote final é deslocado para uma área que podemos chamar de “campo de tortura” dos equipamentos. Diversos testes são realizados para saber se o produto é capaz de suportar às mãos maléficas dos usuários. E são testes muito inusitados. Por exemplo, eles usam um compartimento que lembra uma câmara frigorífica, onde vários produtos da empresa são acondicionados, e lá ficam por um determinado momento, sofrendo variações constantes de temperatura, que variam entre 80 graus positivos e 30 graus negativos.

Outro teste simula o transporte do produto. As caixas ficam em uma base suspensa, que carinhosamente chamei de “máquina de terremoto”, que simulam as vibrações provocadas pelo transporte de caminhão (ainda mais nas estradas brasileiras, cheias de buracos). O teste tem como objetivo saber se produto e embalagem são capazes de chegar ao ponto de venda e/ou ao consumidor em perfeitas condições. Outro teste submete o produto a quedas de alturas consideráveis, para depois analisar os potenciais danos que a unidade pode sofrer com essas quedas, que são mais frequentes do que imaginamos.

Mas um dos testes mais bizarros é aquele que envolve pegar vários modelos de TVs e monitores, e colocá-los em funcionamento durante 96 horas consecutivas. Detalhe: em uma sala com uma temperatura elevadíssima. O objetivo desse teste é colocar o produto em ponto de estresse, buscando saber qual é o limite do mesmo sob condições extremas. E acredite, não dá pra ficar naquela sala.

Falando um pouco mais da produção de telefones celulares e smartphones, o processo é muito semelhante ao que vemos na fabricação de TVs, mas com algumas diferenças. Por ser um produto de maior porte, o seu processo de montagem não envolve tantos maquinários automáticos, com uma maior presença de atuação do ser humano na montagem dos produtos. Na fábrica de Manaus, a Samsung produz no momento em torno de 12 modelos de telefones, sem contar a variação de cores de cada modelo. Até o final de 2012, a empresa vai produzir na unidade manauara aproximadamente 30 modelos diferentes de smartphones e celulares, além dos seus tablets.

Os modelos montados ficam linhas separadas e devidamente identificadas pela sua foto e nome de código, que os identificam internamente na empresa. E foi por causa disso que aconteceu um dos momentos únicos da visita. Ao ser questionada sobre a produção do tão cobiçado Galaxy S III, a responsável pelo tour informou que o modelo não estava em produção naquela unidade, mas que isso aconteceria em breve.

O que ela não imaginava era que o “breve” dela seria mais breve do que ela mesmo imaginava. Ao passar em um dos corredores de linhas de montagem, uma em especial chamou a atenção dos blogueiros e jornalistas presentes: aquela que contava com a inscrição “Galaxy i9300L”, sem a foto do modelo. E o modelo em questão era esse da foto abaixo.

Sim, ele mesmo: o Galaxy S III Azul, que de perto, é muito mais bonito que o modelo na cor branca.

A guia do tour ficou um tanto quanto sem graça, ficou surpresa, mas levou nosso bom humor diante do fato inusitado numa boa. Pudemos conferir de perto alguns detalhes de sua fabricação, deixando alguns ainda mais desejosos por ter um modelo nessa tonalidade. Inclusive esse que vos escreve.

Outro detalhe interessante sobre a fábrica é que ela não possui área de estoque. Depois de todo o processo, as unidades produzidas ficam, no máximo, 12 horas embaladas, e seguem para os pontos de distribuição (lojas, revendedores autorizados, e-commerces, etc). A justificativa é que, para a Samsung, um produto parado em estoque significa dinheiro que está parado. Logo, eles produzem na fábrica apenas unidades que já estão com sua encomenda devidamente fechada, garantindo assim os números de unidades distribuídas de um determinado produto. Por causa disso, a sua produção acaba sendo flexível. Eles evitaram com isso informar números exatos de produção, sendo mais flexíveis nesses valores, justamente pelo fato da rotina da empresa ser de números variados em sua produção.

Além disso, foram revelados detalhes da escolha de produtos que são lançados no mercado nacional. Meses antes do seu lançamento, a Samsung da Coreia informa aos seus respectivos mercados um catálogo de opções de produtos, que por sua vez são escolhidos por um grupo de profissionais responsáveis em cada país, de diferentes setores da fábrica, para determinar aqueles que possuem um maior potencial para o nosso mercado. Tudo é meticulosamente pensado e planejado com o objetivo do processo de produção do novo produto ser o mais eficiente possível, analisando inclusive o impacto da produção do novo produto na linha de produção atual. Se um produto promover alterações muito drásticas na tecnologia presente na fábrica, isso pode encarecer o produto no seu preço final. E ninguém quer isso, não é mesmo?

Em linhas gerais, a Samsung impressionou com toda a sua estrutura e organização apresentada em sua fábrica de Manaus, que é considerada a melhor unidade da Samsung no mundo. É bom saber que é no Brasil que está o modelo a ser seguido pelas demais unidades da empresa no planeta, e que o Brasil tem tal capacidade de produção. Isso mostra todo o investimento feito pela fabricante coreana em buscar um mercado promissor, e com grande potencial comercial (pra você ver, HTC…), e explica porque a empresa é uma das maiores do mundo no setor de tecnologia de consumo.

Aproveito para agradecer mais uma vez a assessoria de imprensa da Samsung pelo convite.

UPDATE: a Assessoria de Imprensa da Samsung enviou novos dados sobre a unidade de Manaus.

NÚMEROS DA SAMSUNG EM MANAUS
(Julho/2012)

No segmento de Eletrônicos, é a primeira empresa em recolhimento de impostos no estado do Amazonas (e a segunda no ranking geral).

2002:

– 1.150. 000 unidades de 3 produtos: celulares, monitores e HDD

– 300 profissionais

2011:

– 13.889.728 de unidades fabricadas de 10 produtos: monitores, TVs LCD, TVs plasma, TVs CRT, DVD Players, Blue-ray Players, Home Theaters , Mini Systems, Câmeras Digitais, Condicionadores de Ar

– 5.912 profissionais

– Aumento de quase 767% no faturamento em relação a 2002

Próximos 5 anos:

– Área disponível: 435.000 m²

– Área construída: 120.000 m²

Novos Produtos e Componentes:

– Celulares

– Displays de LCD / LED

– Injeção Plástica

– Estampagem de metais Ferro e alumínio

– Ar condicionado Inverter

– Trocadores de calor