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O ano de 2014 começou com uma importante notícia para a Microsoft: Satya Nadella é promovido ao posto de novo CEO da empresa. Com essa decisão, a gigante de Redmond quer se reinventar, mudando a sua imagem e dando mais confiança aos investidores e, por que não dizer, ao mercado de tecnologia como um todo.

Além disso, o anúncio do novo posto de Bill Gates na empresa, que passa a ficar mais próximo das operações diárias da empresa. Isso pode levantar dúvidas sobre a autoridade de Nadella na empresa, mas o próprio Gates já demonstrou confiança no novo CEO, que soube dirigir a área de cloud da Microsoft, e conta com uma formação acadêmica muito completa.

Esse post faz um resumo dos principais desafios que Nadella e Microsoft vão enfrentar em 2014.

No deixar que o Windows 8 se transforme no novo Windows Vista

Com o Windows 8, a Microsoft se impôs um desafio complexo: criar uma interface que seja adaptável aos computadores tradicionais (onde a empresa domina o mercado) e aos dispositivos da “era pós-PC”, ou seja, tablets e smartphones (onde eles estão muito atrás do Android e do iOS).

Para tal missão, a interface Modern UI (antes Metro) foi escolhida para estar presente no Windows 8, que foi lançado com diferentes opções. Para desktops, uma combinação da nova Modern UI com a área de trabalho clássica, e nos tablets, apenas a nova interface, com aplicativos próprios. Os consumidores não gostaram das escolhas da empresa, e o resultado é um sistema operacional confuso, com uma apresentação nada familiar para a maioria dos consumidores.

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A primeira tentativa para solucionar esses problemas veio com o Windows 8.1, a primeira grande atualização para o sistema operacional. Com ele, novidades surgiram, como a inicialização direta para a área de trabalho tradicional, e um botão Iniciar (ainda dominado pela Modern UI). Porém, nem isso fez com que os usuários migrassem do Windows 7 para o Windows 8.

Fato é que: o Windows 7 foi tão bem recebido, que os usuários não viram a necessidade de mudar para uma nova versão que eles sentem que não precisam dela.

O Windows 7 está se transformando no novo Windows XP, que por muitos anos permaneceu vivo nos computadores. Logo, a Microsoft deve evitar que o Windows 8 se transforme no novo Windows Vista, o grande fiasco que tentou substituir o Windows XP.

Os números mais recentes mostram que 200 milhões de licenças do Windows 8 foram vendidas depois de um ano do seu lançamento. Um desempenho inferior ao do Windows 7 (240 milhões no mesmo período). O quadro piora quando levamos em conta o número de dispositivos que o Windows 8 pode ser instalado, e o Windows 7, não (principalmente os tablets).

Aprender a dizer “não”

Hoje, a Microsoft é uma empresa muito ampla. Está presente no software e no hardware. A pergunta é: faz sentido para a Microsoft seguir tentando dominar tudo, ou é uma decisão mais sábia dividir a empresa, se focando mais profundamente em um único segmento de mercado?

Nos últimos meses, muitos rumores e declarações de especialistas de mercado tentam responder essa pergunta. Mais ainda com o anúncio de Nadella como CEO da empresa. Manter um negócio tão grande é um desafio para a Microsoft, e eles devem analisar se faz sentido ou não a exposição em tantas frentes, não se dedicando à aquilo que eles sabem fazer bem.

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Uma solução para esse problema estaria na venda da divisão do Xbox. Poderiam vender a Nokia logo depois de adquirí-la por mais de US$ 7 bilhões, mas isso seria estranho, ainda mais levando em consideração o pouco tempo de aquisição e o potencial que a Nokia possui. A marca Xbox tem reconhecimento mundial, mas o mercado de consoles é muito complexo, ainda mais quando a sua própria empresa é dona do maior sistema operacional para PCs do planeta.

Logo, aqui temos um estranho conflito de interesses.

O período de vida de um console é de aproximadamente 7 anos. Logo, temos que nos perguntar se no ano de 2020, o mercado atual de consoles seguirá sendo um mercado lucrativo. Em 2014, temos tablets e smartphones cada vez mais potentes, com capacidade de streaming para TV. Sem falar nos mini consoles Android de diversos fabricantes, e as Steam Machines, com uma proposta mais aberta do que o universo gaming atual.

Por isso, abandonar o mercado de games antes que o consumidor abandone os consoles tradicionais de vez pode sim ser uma manobra inteligente.

Além disso, focar no que sabe fazer melhor significa trabalhar em softwares para o mercado corporativo. A Microsoft, com o Windows e o Office dominam completamente esse segmento, e com isso, eles podem fazer muito dinheiro. A decisão de Nadella como novo CEO pode estar relacionada com isso: ampliar as propostas de ferramentas cloud da Microsoft, e não os aplicativos para o consumidor final.

Tentar ser a “Apple com a Nokia”

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O que faz com que os produtos da Apple alcancem o sucesso e a qualidade que possuem hoje é o simples fato da empresa de Cupertino ter o completo controle do hardware e do software. Historicamente, o negócio da Microsoft é vender licenças do Windows para fabricantes externos, para que eles façam o seu próprio hardware. E a compra da Nokia não muda isso.

A Microsoft chegou depois no mercado mobile com o Windows Phone, em um cenário já dominado pelo Android e iOS. Aliás, a Google utilizou o “modo Microsoft de dominar o mercado”: fechou com todas as empresas para oferecer o seu software nos seus produtos.

Não dá para convencer os fabricantes a abandonarem o Android nesse momento. O sistema conta com uma grande base de usuários, e um ecossistema de aplicativos muito maior, o que no final das contas resulta em uma experiência de uso mais completa. Ao adquirir a Nokia, a Microsoft tem a chance de jogar o jogo como a Apple fez, fabricando o seu próprio hardware e ter uma experiência mais controlada, podendo fazer coisas muito interessantes com o Windows Phone.

O problema está em como manter isso, e seguir convencendo os fabricantes que comprem as licenças do seu sistema operacional. A Google faz algo similar com a linha Nexus, porém, com poucos lançamentos por ano, e uma presença muito menor. Hoje, temos modelos de telefones Lumia em todos os segmentos, e para todos os gostos.

A Mobile World Congress 2014 já mostra como a Microsoft vai apostar em 2014 com o Windows Phone: manterá a Nokia como sua, entregando soluções diferenciadas e inovadoras, ao mesmo tempo que já fechou com vários parceiros do mercado mobile, incluindo marcas de grande porte, como HTC, Samsung, Lenovo, LG, Huawei, Alcatel, entre outros.

Dividir para conquistar. Essa é a estratégia da Microsoft para expandir o Windows Phone no mercado mobile em 2014.