Você pode estar feliz com o seu smartphone atual, mas você também bem sabe que nada nessa vida é eterno. Vai chegar uma hora que você vai ter que passar o seu amado dispositivo para frente. Talvez porque você é um geek convicto, e quer ter um produto mais novo o mais depressa possível, ou porque o seu telefone simplesmente não atende mais as suas necessidades. Mas esse momento vai chegar. É só uma questão de tempo.

No começo de cada ano, o mercado “alternativo” se reaquece. Aquelas pessoas que compraram novos dispositivos eletrônicos buscam passar para frente os dispositivos que estão obsoletos. Já aqueles que não compraram nada no Natal, esperando pelos preços mais baixos em janeiro, estão de olho nessas ofertas. Ou seja, existe a oferta, existe a procura. Mas… como fazer isso da forma mais vantajosa?

Esse post passa algumas dicas de como você deve proceder para vender o seu smartphone usado. As dicas a seguir também servem para a venda de qualquer dispositivo eletrônico e/ou de tecnologia, e são baseadas em minhas experiências pessoais. Vale a pena lembrar que tais dicas podem variar de caso para caso, mas em linhas gerais, elas servem para você acumular uma grana nesse começo do ano para, pelo menos, pagar o IPVA ou IPTU, ou não deixar o seu cartão de crédito estourar o limite (das compras de final de ano e gastos de férias que você já fez…).

 

1. Você REALMENTE precisa vender o seu velho smartphone?

É uma pergunta tola, mas fundamental. Cada um sabe aonde o bolso aperta, e qual é a real necessidade de levantar dinheiro no começo do ano. Por outro lado, ter um dispositivo de “backup” é um sinal de prudência em diferentes situações. Você nunca sabe quando o seu telefone vai dar problemas, ou quando a sua câmera principal pode parar de funcionar. É nesse ponto que ter um dispositivo reserva pode valer a pena. Isso, sem falar quando um parente ou amigo pode precisar de um telefone escondido na gaveta de sua casa.

Por outro lado, se você tem mais de um dispositivo da mesma categoria, e esse é o terceiro ou quarto smartphone que vai ficar parado na sua casa, a melhor coisa que você tem a fazer é passar para frente, sem remorsos ou ressentimentos. Mesmo que seja para passar para um familiar de graça, ficar com uma tecnologia parada em casa é o mesmo que perder dinheiro. Além disso, se você entende que o novo gadget comprado no Natal supre todas as suas necessidades, e que você não vai mesmo precisar do antigo gadget, vender o produto antigo pode ser um bom negócio.


2. Não se estresse com ofertas pouco lucrativas

Eu bem sei o quanto você suou para comprar o seu smartphone, notebook ou tablet, e quer valorizar isso na hora de vender para outra pessoa. Porém, a verdade é que qualquer produto se desvaloriza assim que sai da loja, e no mundo da tecnologia, essa desvalorização acontece muito mais rápido. Os lançamentos acontecem quase toda semana, e depois de um ano, é mais que normal ver um produto valendo bem menos do que ele valia no ano anterior.

Logo, aqui vale a prática da negociação, da paciência, e do bom senso. Produtos da Apple se desvalorizam bem menos em 12 meses do que produtos da Gradiente ou da CCE. Logo, se você tem um MacBook Air pode colocar um preço um pouco mais elevado do que quem tem um notebook CCE Win. Mas não abuse: não queira recuperar, por exemplo, 80% daquilo que você pagou em um iPhone 4S na loja, pois as pessoas vão preferir comprar o smartphone zero da loja do que de você.

 

3. Pesquise o mercado atual… e o mercado “alternativo” também!

Pegando o gancho do item anterior, analise os valores atuais cobrados pelo mercado no seu produto, e coloque uma margem inicial de recuperação de, pelo menos, 60% (os tais 50% que automaticamente o seu produto se desvaloriza ao sair da loja, mais 10% que você pode considerar como “lucro” – ou diferença – para a compra do novo produto). A partir daí, é preciso ver o que a sua “concorrência” do mercado alternativo está fazendo. Não é agradável, mas você vai ter que ajustar o preço do seu produto à uma média do mercado de usados, para que o seu preço seja igualmente competitivo.


4. Nunca jogue fora telefones antigos ou quebrados. Recicle!

Se você chegou a conclusão que o seu dispositivo está velho demais para ser vendido, e que ninguém vai pagar um valor significativo pelo produto, você não tem motivos para jogar o seu produto fora. A mesma regra vale para aquele gadget que está quebrado no armário de casa. Nos dois casos, você pode simplesmente reciclar o seu dispositivo, enviando para locais de coleta de lixo eletrônico, ou doando para alguém que realmente não tem condições de comprar um produto desse porte. Três benefícios diretos acontecem com esse ato: 1) alguém vai ter a vida melhorada com um produto que, para você, é velho demais; 2) você contribui para o meio ambiente, dando um destino correto para os produtos quebrados; 3) empresas de reciclagem podem reaproveitar essas peças para outras finalidades.

 

5. Planeje com certa antecedência

A vida útil de um celular, smartphone ou qualquer outro dispositivo eletrônico é muito menor do que qualquer outro eletrônico de consumo. Enquanto uma televisão pode durar na sala de sua casa até cinco anos, um smartphone pode ser abandonado entre 18 e 24 meses após a compra. Se você é um viciado em novos gadgets, faça um planejamento prévio de quanto tempo você vai ficar com o produto antes mesmo de comprá-lo, e até mesmo em quanto tempo você pretende vendê-lo para adquirir o próximo. A regra também vale para quem só quer um produto que funcione de acordo com suas necessidades. Por mais que você não pense em passá-lo para frente tão cedo, verifique se o mesmo poderá ser útil para você por pelo menos dois anos.


6. Não tenha medo de negociar

Se você quer pechinchar na hora de comprar qualquer coisa, não pode se irritar se alguém quiser barganhar algum valor no preço do produto que você está vendendo. Procure sempre colocar um limite para a venda do seu produto, e sempre que possível, colocar um valor maior para poder reduzir esse valor na hora da venda. A política de negociação nos mercados alternativos é algo que sempre está presente, e que não pode ser desconsiderada, principalmente para aqueles que precisam levantar um dinheiro mais rápido no começo do ano.

 

7. Seja honesto. Com você, e com o futuro comprador

Em via de regra (é claro que as exceções existem), o brasileiro adora levar vantagem em tudo. E é por isso que o Brasil não vai para frente. É chato, mas temos que lembrar talvez a regra mais importante desse post: seja honesto. Com você mesmo, e com os outros.

Não é porque você pagou R$ 2.000 em um iPhone que você acredita que, depois de dois anos, pode vender o smartphone todo riscado, com carcaça e vidro trincados e com problema de bloqueio de rede por R$ 1.600. Apenas porque é um iPhone. Isso não é mais nem desconhecimento de mercado. É desonestidade mesmo. De novo: eu bem sei o quanto um produto é caro de ser comprado, e o quanto queremos que ele tenha algum valor na hora da venda, mas não podemos fazer o futuro comprador de trouxa.

Além disso, não omita problemas ou detalhes do produto que você está vendendo. Podem não ser relevantes para você, mas são altamente relevantes para quem está comprando. Transparência é fundamental em qualquer lugar. E você não gostaria de ser passado para trás por alguém mal intencionado, não é mesmo?

Com essas pequenas dicas, você poderá vender o seu telefone ou gadget usado sem maiores problemas. Talvez a parte mais “chata” do processo é justamente vender o produto, porque normalmente nos apegamos ao mesmo. Mas todo mundo sabe que uma hora o “seguir em frente” é o melhor, e dar uma finalidade produtiva para seu smartphone, tablet ou produto que te serviu durante anos é um dos melhores desfechos que você pode dar a esse relacionamento.