Daniel Pereira

Esse post não é um review, nem uma análise muito aprofundada sobre o produto. É mais um testemunho pessoal que descreve a minha breve experiência pessoal com o Samsung Galaxy S3 LTE (GT-i9305). Vocês não sabem, mas aproveitei o período da Black Friday 2013 para adquirir uma unidade desse produto, com a esperança que ele pudesse ser o meu segundo smartphone de uso pessoal (o primeiro segue sendo o Motorola Moto X). Porém, devolvi o telefone cinco dias depois. De qualquer forma, segue as minhas impressões sobre o produto.

O modelo foi adquirido através do site do Ponto Frio, e o motivo para a compra foi o simples fato dele estar mais barato que o Galaxy S3 3G. É verdade. Encontrei o Galaxy S3 4G a R$ 1.299 (clique aqui), enquanto que o Galaxy S3 3G estava com preço sugerido de R$ 1.499. Enão, eu disse para mim mesmo, em alto e bom som: “por que não”? E, mesmo sendo um produto lançado em 2012, entendo que alguns ainda se interessam pelo produto, inclusive com o objetivo de utilizar o smartphone como telefone principal.

Outro motivo para a compra do produto foi o fato desse modelo (o GT-i9305) não contar com o problema da “morte súbita”, que tanto assombrou os proprietários do Galaxy S3 3G ao redor do planeta. Depois de muito pesquisar na internet sobre o assunto, e até mesmo utilizar o aplicativo que faz o teste do chip, para verificar se o mesmo é ou não defeituoso (o eMMC Brickbug Check), pude constatar que a compra era algo seguro nesse aspecto.

Mais tranquilo sobre isso, hora de passar as minhas impressões, e principalmente, explicar por que eu não fiquei com o smartphone. E, justamente pelo pouco tempo que fiquei com o dispositivo, esse post não contará com fotos do aparelho (até porque não é um review, e sim, um post especial).

Características Físicas

O Galaxy S3 LTE não possui grandes diferenças físicas, se comparado com o Galaxy S3 3G que já conhecemos. É um smartphone com um corpo de plástico, com uma tampa traseira fina (mesmo), que passa uma certa fragilidade na hora da remoção para acesso à bateria, slot para SIM card e microSD. Porém, é um smartphone fino. Sua baixa espessura cai bem na hora do uso, e mesmo com uma tela de grandes dimensões, o dispositivo se torna agradável para o uso com uma ou duas mãos.

Vale lembrar que o Galaxy S3 LTE, além de ser compatível com a conectividade 4G, conta com 2 GB de RAM, o que ajuda e muito no seu desempenho geral. Ajuda, mas não resolve. Mas falarei disso daqui a pouco.

Tela

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Esse sempre foi um ponto forte dos modelos top de linha da Samsung, e no caso do Galaxy S3, isso não é diferente. É uma tela de alta qualidade, com elevado nível de brilho e contraste. As 4.8 polegadas são excelentes para interagir com o Android. Pena que…

Sistema Operacional e Interface de Usuário

Aqui começaram os motivos para a desistência do produto. Para começar, a unidade que chegou até aqui contava com uma firmware de uma operadora de telefonia móvel (Oi), ou seja, eu teria “alguns pequenos problemas” (na verdade, problemas gigantes) na hora de atualizar o Android (que ainda estava estacionado na versão 4.12 Jelly Bean). Eu poderia instalar uma ROM customizada, mas isso poderia representar dores de cabeça ainda maiores.

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Além disso, o velho problema da TouchWiz se fez presente. Eu sei que tem gente que gosta da interface, que acha ela o máximo e tudo. Eu, particularmente, detesto. Não chega nem perto da excelência da experiência do Android “puro”, além de elevar o consumo de recursos do smartphone, prejudicando no seu desempenho. Veja bem, eu não estou falando que os recursos inteligentes que a Samsung adiciona nos seus smartphones não são bem vindos. Pelo contrário: alguns eu gostaria de ter hoje nos meus smartpohones. Porém, na minha opinião, a TouchWiz ferra com tudo isso, deixando o smartphone com um desempenho aquém do que poderia ser.

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Resultado: uma certa dose de frustração com o desempenho geral do dispositivo. Eu só consegui uma performance próxima do que eu considero a ideal quando eu instalei a NOVA Launcher no dispositivo (aliás, a última versão dessa launcher está impecável). Sem falar em uma porção de complementos/aplicativos que instalei para aproximar a experiência de uso daquela que eu já contava com o Moto X.

GPS

Outro motivo que me levou a desistir do Galaxy S3 LTE é o velho problema de GPS que esse modelo apresentou. Aliás, desde o Galaxy S2 que observo que os modelos top de linha da Samsung levam um pouco mais de tempo do que o desejado na hora de localizar a posição do usuário com o GPS. Tudo bem, você pode “se encontrar no mundo” mais rapidamente quando você usa os serviços de localização da Google, mas quando não temos internet, isso passa a ser um problema considerável. Uma prova disso foi a utilização do Waze com o dispositivo.

Câmera

Se existe um um ponto que vou sentir saudades do Galaxy S3 LTE, esse ponto é justamente a câmera. Tanto a câmera traseira de 8 megapixels, quanto a câmera frontal de 1.9 megapixels apresentaram resultados muito bons (levando em conta que é uma câmera de um smartphone lançado em 2012). Tudo bem, algumas fotos registradas durante o dia apresentaram um aspecto um pouco “lavado” (com um certo excesso de captação de luz), mas nada muito fora do aceitável. E, em compensação, as fotos noturnas apresentam ainda uma qualidade muito boa. Ou seja, para quem pensa em tirar fotos com o smartphone, ainda é uma opção a se considerar.

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Internet

Outro fator que me fez desistir do Galaxy S3 LTE é a sua conectividade à internet. Observei no modelo que chegou até aqui que o sinal de rede móvel variou bastante entre 2G/3G/3G+. E não… antes que você diga que “isso é problema da sua operadora, e…”, devo dizer que em outros smartphones (incluindo no Moto X), isso não aconteceu.

Como resultado, a navegação e acesso aos aplicativos que dependiam do sinal de internet ficavam com a sua performance prejudicada, uma vez que o sinal não ficava em uma velocidade constante. De novo: como não observei essa mesma anormalidade em outros dispositivos (e apenas no Galaxy S3 LTE), concluí que a deficiência estava nesse dispositivo. E isso me desencorajou bastante a permanecer com o produto.

Games

O hardware do Galaxy S3 LTE ainda é razoável para os jogos, apesar de muitos entenderem que o dispositivo já está “no seu limite” entre as especificações de hardware (comparados com os modelos lançados esse ano). Para quem pretende rodar jogos de forma mais descompromissada no smartphone, o modelo ainda é uma boa pedida. Se você é um gamer mais exigente, isso pode significar algumas doses de dores de cabeça.

Multimídia

Uma vez que conta com a TouchWiz (e os recursos personalizados da Samsung), o Galaxy S3 LTE oferece um bom desempenho nas funcionalidades de multimídia. Não há nada de diferente daquilo que já encontramos nos outros dispositivos da Samsung.

Bateria

A autonomia de bateria do Galaxy S3 LTE é boa. Se o usuário tiver um perfil de uso moderado, consegue chegar ao final do dia com alguma bateria, podendo simplesmente recarregar o dispositivo na tomada durante a noite. Para usos mais intensos (e principalmente, ao utilizar a internet via 3G/4G), o consumo de bateria é naturalmente maior. Mas nada fora do normal, ou do que já encontramos em outros modelos da Samsung. Um detalhe: durante o breve tempo de uso, percebi que a parte traseira do dispositivo esquenta um pouco a mais do que o desejado, talvez por conta da fina tampa traseira do dispositivo.

Conclusão

O Samsung Galaxy S3 LTE é hoje um bom smartphone de linha média. Tem algumas limitações que me incomodaram, mas não descarto como uma opção para aqueles que gostam dos produtos da Samsung, ou da interface TouchWiz na sua experiência de uso. Para mim, não caiu bem, por causa dos pontos listados. Mas quem sabe não pode ser uma opção para aqueles que não podem gastar mais do que isso em um smartphone (apesar de compreender que existem hoje opções melhores na concorrência, na mesma faixa de preço.