Smartphones e celulares, nós temos aos montes. Nunca antes tivemos tantas opções em aparelhos, sistemas operacionais móveis, operadoras e características diferentes entre os produtos lançados, e nem mesmo todos os reviews publicados pelo TargetHD.net e por outros blogs de tecnologia parecem ser o suficiente para eliminar as dúvidas dos usuários.

Então, para ajudar os mais indecisos, resolvi criar um pequeno guia de perguntas que o futuro consumidor deve fazer para si mesmo antes de adquirir um novo smartphone. Eu sempre considero a compra de um novo telefone inteligente como um investimento, ainda mais se levarmos em conta o preço que são comercializados no Brasil. Logo, procurar conhecer as suas próprias preferências antes de tirar o cartão de crédito da carteira é fundamental. Espero que essas perguntas te ajudem. Para mim, até hoje, são de muita valia na hora da compra de um novo produto.

1) Qual é o sistema operacional ideal para você?

Não estamos aqui discutindo se o iOS é melhor que o Android ou vice-versa. Vamos, por favor, abrir a mente e o espectro de opções. Sistema operacional é igual roupa íntima: cada um vai se sentir melhor com um tipo, e não existe uma regra universal. Ainda mais se levarmos em conta o fato que vivemos em um mundo cada vez mais diversificado, onde as pessoas buscam cada vez mais se identificar com os seus gostos e preferências.

O iOS é o mais consistente de todos, bem integrado com diversos tipos de periféricos, possui o maior leque de aplicativos do mercado, e uma interface muito intuitiva. Porém, é um sistema fechado a aquilo que a Apple quer (ou acredita ser melhor para você). Para aqueles usuários que não querem ter dores de cabeça na hora de buscar aplicativos, e querem um smartphone que simplesmente faça aquilo que ele quer, sem precisar personalizar nada, o iOS é o ideal para você.

O Android é um sistema muito mais customizável, um pouco menos intuitivo, e com uma boa e crescente gama de aplicativos. Por outro lado, cada fabricante ou operadora pode personalizar a sua interface da forma que quiser, o que pode ser um problema para os marinheiros de primeira viagem. Por exemplo, se você está mudando de operadora, ao escolher um novo smartphone, as chances de você se deparar com algo bem diferente do que você usava são grandes. Por outro lado, você tem a liberdade que o iOS não oferece, permitindo que você deixe o smartphone com a sua cara. Se você é um usuário avançado, ou que quer customizar o telefone ao máximo, a sua escolha é o Android.

O Windows Phone tem uma interface simples, limpa, muito funcional e bastante intuitivo. Porém, é um sistema muito novo, com uma quantidade de aplicativos consideravelmente mais baixa em relação aos seus principais concorrentes (iOS e Android). Além disso, o seu poder de customização é bem limitado. Mas é um sistema operacional muito promissor. Se você não aguenta mais olhar para o iOS e Android, e quer um smartphone simples, mas com uma performance muito agradável, o Windows Phone pode ser a sua escolha.

Quanto ao BlackBerry OS e o Symbian, eles estão no mesmo barco ao meu ver: extinção. Não podemos dizer muita coisa sobre o sistema da RIM enquanto o BlackBerry OS 10 não for lançado oficialmente (algo que só vai acontecer no primeiro trimestre de 2013), e o BB OS atual vem sendo rapidamente substituído pelas empresas pelo iOS e Android. Já o Symbian só sobrevive por teimosia da Nokia, que mesmo com uma parceria com a Microsoft, mantém o sistema vivo em lançamentos questionáveis. Conselho de amigo: não procure por tais plataformas, por mais tentadoras que as ofertas sejam.

2) Você fará a compra pelo telefone? Ou por causa de sua operadora atual?

Muitas pessoas acabam comprando os seus smartphones ou trocando os modelos atuais em função de preferência em permanecer com a operadora atual, ou por participar de algum plano de benefícios com essa operadora. Se você está feliz com sua operadora atual, não vejo porque mudar, mesmo que a concorrente esteja oferecendo um preço melhor. Eu já passei por todas as operadoras, e descobri que “em time que está ganhando, não se mexe”.

Agora, se você já pensava em experimentar outras alternativas, e aquela operadora concorrente oferece um preço incrível pelo smartphone que você deseja, una o útil ao agradável, e faça a troca. Lembre-se sempre que “toda escolha é uma renúncia”. Normalmente, quando trocamos de operadora, nós fazemos um novo contrato de permanência, para ter o benefício de você comprar aquele cobiçado smartphone por um preço mais barato. Faça sempre aquela boa pesquisa de mercado para pesar os prós e contras da troca, e se entender que vale a pena, faça a mudança. Afinal, o mundo é livre.

3) Qual o seu tipo de experiência com um smartphone?

Essas são perguntas que considero fundamentais: o que você pretende fazer com o seu novo smartphone? Qual é a sua prioridade no novo produto?

Uma boa câmera? Rodar jogos mais pesados? Navegação na internet por muito tempo? Armazenar várias fotos, vídeos, e-books e músicas? Utilizar o seu telefone o tempo todo, a ponto dele praticamente ser um “computador de bolso”, como uma boa ferramenta de trabalho deve ser? Se a sua resposta foi “sim” para a maioria dessas perguntas, você precisa de um smartphone “top”. E aí, amigo, não tem jeito: vai para as cabeças, e pense grande. Não adianta você me perguntar se existe o “bom e barato”, que faça tudo o que você está pedindo pelo menor preço possível. Você simplesmente não vai encontrar. Se prepare para gastar uma boa grana para ser feliz.

Mas, para algumas pessoas, o céu não é o limite, e o limite do cartão de crédito não permite que tais loucuras financeiras aconteçam. Algumas pessoas querem um telefone que funcione bem, melhor do que aquele atual que só faz e recebe ligações, que ofereça um bom acesso às redes sociais, que permita o gerenciamento dos contatos na nuvem, e que deixe você ver vídeos de forma confortável, sem muitos engasgos. Você é feliz, pois tudo o que você precisa é de um smartphone de linha média. Smartphones na faixa entre R$ 700 e R$ 1.200 vão atender a suas necessidades, sem precisar fazer um rombo no seu orçamento.

Agora, se o seu objetivo é presentear a mãe ou a avó com um telefone que faça e receba ligações, mas que faça um pouco mais do que isso, como por exemplo, a comunicação nas redes sociais ou uns jogos bem simples, o seu mundo está nos smarphones de entrada, ou featurephones. Não gosto de chamar esses aparelhos mais simples de “smartphones de entrada”, pois no meu entendimento, eles não são smartphones. São celulares com recursos de smartphones, mas não são tão inteligentes assim. Mesmo assim, são baratos e competentes o suficiente para seus objetivos minimalistas.

4) E quanto ao design?

O design de um telefone é, normalmente, a primeira coisa que chama a atenção do comprador. As pessoas passaram a se acostumar com os telefones nas cores preto e chumbo, com um ar mais sério e corporativo. Com o passar do tempo, as cores começaram a tomar conta do mercado, se alinhando com a personalidade do comprador.

Meu conselho: se interesse por aquele telefone que te chamou atenção pelo olhar, e depois, pesquise o que puder sobre suas características técnicas e funcionalidades. Não adianta você comprar um smartphone que funciona, mas que você não tem a alegria de tirar do bolso e olhar para ele. Temos grandes opções no mercado, como o Nokia Lumia 920, o Apple iPhone 4/4S/5, o Samsung Galaxy S III, o Motorola RAZR, os modelos Xperia 2012 da Sony… são muitas as opções que podem cair no seu gosto.

5) Você gosta de telas grandes, médias ou pequenas?

O quesito tela se tornou muito importante. O mercado atual passa por um momento onde os usuários estão preferindo as telas maiores, com mais de 5 polegadas, para uma melhor utilização durante a navegação na internet e atividades multimídia (vídeos, jogos e leitura de livros eletrônicos). Essa é a principal vantagem de uma tela maior. A grande desvantagem é que você corre o risco de não poder levar esse smartphone no bolso da calça, dependendo da roupa que você está usando (isso, sem falar no impacto visual indesejado ao ver alguém com uma “Havaianas” colada ao rosto para conversar com os amigos). Mas, se suas prioridades estão nas atividades multimídia, e seu dinheiro permite a aventura financeira, vá em frente, e compre um telefone com cinco polegadas de tela.

Mas modelos com telas um pouco menores tem as suas vantagens. Ficar no “meio do caminho” pode ser uma boa, pois você pode visualizar os elementos da tela com a mesma praticidade, e o transporte do modelo não é tão incômodo. Além disso, alguns modelos oferecem telas com resolução em HD, o que pode ser um importante preferencial na hora de reproduzir vídeos. Pesando esses aspectos, os modelos com telas entre 4.0 e 4.7 polegadas podem ser a melhor escolha.

Já os dispositivos com telas pequenas (no nosso caso, com menos de 4 polegadas de tela) são mais portáteis, e em alguns casos, de manejo melhor que os modelos maiores. Nesses modelos, você não precisa segurar o smartphone com as duas mãos para algumas atividades de busca e uso da interface do telefone. Para quem tem as mãos pequenas, e não se importam muito com as atividades multimídia, querendo mais um telefone para trabalhar do que para se divertir, os modelos com tela abaixo das 4 polegadas podem ser a melhor escolha para você.

6) O quanto você vai usar a câmera no seu dia a dia?


Se você hoje já usa a câmera do seu smartphone como a câmera principal da sua vida, é bom pensar nesse fator antes de comprar o seu novo smartphone. Modelos como o iPhone 4S/5, Samsung Galaxy S II/ S III e até o Nokia Lumia 808 PureView são modelos que contam como principal destaque justamente a câmera. Nos futuros lançamentos, como o Nokia Lumia 920, a câmera é outro ponto de destaque. Logo, se você quer utilizar a câmera várias vezes pro semana, vale a pena pensar nisso.

A maioria dos principais smartphones do mercado contam com câmeras de 8 megapixels, mas se o seu negócio é manter a sua câmera point-and-shoot como a principal, e quer usar o smartphone como ferramenta para enviar fotos no Instagram e Facebook, pode escolher um modelo com câmera mais simples, e priorizar outros aspectos que você considera importantes. Afinal de contas, como todo mundo usa filtros para as fotos nas redes sociais, você ainda pode usar a desculpa que sua foto é “conceitual”. A câmera nem precisa ser tão potente assim para essa finalidade.

7) O quão potente você quer que esse smartphone seja?

Quanto mais poderoso, melhor. Certo? Não é bem assim.

Quem vai utilizar uma grande gama de recursos diários, como jogos, fotos, vídeos, navegação na internet, ferramentas de edição diversas e outras atividades mais pesadas, aí sim você precisa de uma grande quantidade de processamento no smartphone. Nesse caso, a minha dica é: se você vai optar pelo sistema Android, e tem esse perfil de uso, opte sempre por um smartphone com um processador de dois núcleos e, pelo menos, 1 GB de RAM. O Android se dá muito bem com essa tabela de especificações. Um bom exemplo disso? O Galaxy Nexus, que é impecável com o Android 4.1 Jelly Bean.

Mas essa não é uma regra. Alguns smartphones foram feitos sob medida para o seu sistema operacional, e não contam com um hardware muito poderoso. Exemplos: o iPhone 4, que foi lançado em 2010, funciona muito bem com o iOS 5 (ainda não testei com o iOS 6), e sem precisar contar com um hardware tão poderoso como, por exemplo, o Galaxy S II. Os modelos com Windows Phone 7, lançados ao longo dos últimos 12 meses. Seu hardware é limitado, mas a experiência de uso do telefone é excelente. Ou seja, se você é um usuário com menor exigência nas atividades com grande necessidade de processamento, um smartphone com um hardware mais limitado pode resolver bem a questão.

8) Você ainda usa o smartphone para telefonar?

Pode parecer estranho, mas nos dias de hoje, descrevemos o smartphone como “um dispositivo de comunicação móvel que, entre outras coisas, faz e recebe ligações telefônicas”. Se você é um daqueles que mais se comunica pelo iMessage, WhatsApp, Viber, SMS ou Skype, e nem mais sabe como fazer uma chamada telefônica para outra pessoa, pode simplesmente ignorar se o alto-falantes do modelo escolhido é baixo demais.

Agora, se você depende de uma boa qualidade de chamadas para trabalhar, ou as pessoas com quem você se comunica ainda não usam os recursos conectados, é melhor você procurar por telefones mais ajustados para uma boa qualidade de som nas conversações. Recomendo até que, se possível, teste essa característica na loja onde você vai comprar o telefone, para que você não tenha problemas futuros de não conseguir compreender o que os outros estão falando.

9) Você precisa de uma autonomia de bateria maior?

Penso eu que todo mundo que tem um smartphone deseja ter uma autonomia de bateria maior no seu aparelho. Infelizmente, a maioria dos smartphones disponíveis no mercado não oferecem esse benefício. Hoje, alguns poucos modelos contam com baterias com mais de 2.000 mAh, que garantem um uso satisfatório ao longo de um dia completo, sem precisar apelar para o carregador. Exemplos: Motorola RAZR Maxx, RAZR Maxx HD, Samsung Galaxy S3 e HTC Evo 4G. Se a sua necessidade é ter um smartphone com a garantia que ele vai sobreviver ao seu dia de trabalho, esqueça os demais critérios, e escolha um dos telefones que acabei de citar.

10) A questão do teclado: físico ou virtual?

A Research in Motion e a Nokia ganharam um grande número de clientes no passado por oferecerem teclados QWERTY físicos excelentes. Todo mundo que queria redigir um e-mail ou uma mensagem de forma mais confortável e eficiente buscavam um BlackBerry ou um smartphone Nokia Serie E. Com o passar do tempo, os teclados virtuais ocuparam o seu espaço, se tornaram melhores e mais eficientes do que os físicos, por oferecer uma maior versatilidade na sua customização e principalmente, na auto correção de idiomas.

Aqui, existem duas diferenças a serem consideradas. Se você ainda é um usuário conservador, e quer ter os benefícios de um teclado físico, pode optar por um modelo híbrido, que combine o teclado QWERTY físico com uma tela sensível ao toque. E aqui, temos modelos com tamanhos de telas que vão de 2.7 até 4 polegadas.

Agora, se você já se habituou com as telas virtuais, você pode ir por dois caminhos. Um deles é deixar um pouco a produtividade de lado na hora de digitar mensagens ao utilizar o iOS, já que você está preso à ele (a não ser que você use o jailbreak no telefone, mas aí você não está no perfil mais simples de usuário), ou vai para o Android, e usa logo o Swiftkey, que é um teclado pago, mas que é o teclado virtual mais completo do mercado. Inteligente, com um inteligentíssimo sistema de previsibilidade de palavras, e altamente personalizável, aprendendo a forma como você escreve conforme você usa o seu dispositivo. Recomendo fortemente o aplicativo.

Conclusão

Se você perguntar para você mesmo essas dez questões, e buscar dentro de você a melhor resposta possível para cada questão, você certamente vai encontrar o dispositivo que melhor atenda às suas necessidades. E, no final de tudo, faça o teste final no modelo escolhido quando possível, para eliminar todas as margens de erros. A melhor coisa que podemos ter no mundo da tecnologia é comprar o produto que lhe traga a funcionalidade e a satisfação na hora do uso.