Os puristas do software livre que me desculpem, mas o Microsoft Office é um software praticamente insubstituível. Tá bom, eu sei que tem muita gente que nem mais tem o pacote de escritório instalado em seu computador, que vive bem com o Open Office ou BR Office, e que até adotam o Google Docs como o seu principal pacote de escritório. Porém, se você quer um trabalho profissional, com alta qualidade e resultados que podem te garantir a promoção ou sociedade em uma nova empresa, não adianta: o Office é mesmo o produto ideal para isso. É o produto dominante entre as grandes corporações, e é o pacote de escritório mais vendido no mundo.

O Microsoft Office é, hoje, o software que mais dá lucros para a empresa de Bill Gates. Muito mais que o sistema operacional Windows. Logo, ele é peça importante para o sucesso de futuros lançamentos da empresa. A nova versão do Office já vem preparada para o futuro da própria Microsoft, com uma nova interface e com os devidos ajustes visuais para ser minimalista e eficiente. Não se discute mais o sucesso do pacote de aplicativos nos computadores desktops, notebooks, ultrabooks e workstations de escritórios ao redor do planeta. Mas… será que eles podem obter o mesmo sucesso nos tablets?

Bom, ninguém vai poder dizer por aí que a Microsoft não vai tentar fazer isso dar certo. Tanto que já anunciou que a versão normal do novo Office vai estar apta a rodar, na íntegra, nos futuros tablets da empresa (Surface) e nos modelos das concorrentes. Além disso, a versão mais simples do próprio tablet de Redmond (Surface for Windows RT) já vai contar com a nova versão do pacote de escritório pré-instalada, assim como foi feito nos últimos anos com a versão Office Starter pré-instalada em computadores com Windows 7.

O problema e que os concorrentes também se movimentam. O Google recentemente adquiriu o QuickOffice, que nada mais é que um aplicativo para pacotes de escritório no universo mobile, que oferece diferentes níveis de compatibilidade com o Microsoft Office, e já anunciou que vai expandir as possibilidades da plataforma de escritório para dispositivos móveis. A boa notícia para a Microsoft é (e nessas horas, é sempre bom) contar com a parceria com a Apple, que começou lá atrás, em 1997, com aquele polêmico keynote que os fãs da Apple mais puristas nem querem lembrar (quando Steve Jobs e Bill Gates dividiram o mesmo palco, mesmo que virtualmente, onde foi dito ao mundo que “a Microsoft estava salvando financeiramente a Apple” – tá, não foi assim, mas a confirmação da parceria entre as duas empresas foi visto praticamente dessa forma).

A Microsoft já informou que prepara uma versão para o iPad do Microsoft Office, que por sinal, está presente nos computadores da Apple há quase 15 anos. A própria Apple se manifesta interessada na presença do pacote de escritório da Microsoft em seus tablets, uma vez que entende que o iWork não é competitivo o suficiente, e que o Office 365 não é a opção ideal para os usuários corporativos, que por sua vez cada vez mais estão utilizando os tablets para trabalhar.

E é essa a aposta que a Microsoft deve fazer. Inicialmente, buscar o público corporativo, o profissional, o homem de negócios. Primeiro, porque seu principal parceiro tem um tablet que favorece à produtividade (no quesito tamanho de tela). Segundo, porque o próprio Surface tem uma proposta de ser um produto que conta com essa variante para a produtividade (afinal, tem uma tela de 10.1 polegadas, e uma capa protetora com um teclado integrado). Terceiro, e o mais importante: diferente dos seus concorrentes, o seu tablet possui um sistema operacional completo. Logo, a experiência do Microsoft Office, diferente dos seus concorrentes, será completa, ou melhor, a mesma que o usuário vai ter no desktop ou notebook que está no escritório.

E como a palavra-chave da Microsoft para a nova fase (Windows 8, Windows Phone 8, etc) é integração, é por esse caminho que a empresa tem que seguir para fazer o Office dar certo nos tablets.

Minha opinião: acho que até é possível que o Office seja uma ferramenta útil nas telas sensíveis ao toque, mas tudo vai depender como será o sucesso do Windows 8 no mercado, e principalmente, como o Surface vai ser recebido pelo mercado. Parte desse sucesso passa pelo iPad sim, mas o que vai dar o tom do Office nos tablets será a sua presença no Surface. É com ele que a Microsoft vai mostrar ao mundo que vale a pena ter o seu pacote de escritório em todos os dispositivos com tela sensível ao toque. Porém, não imagino sendo uma jornada fácil. O poder de convencimento da Microsoft nesse caso vai ter que ser muito grande.