O Nintendo Wii U foi oficialmente lançado nos Estados Unidos e na Europa. Foi apresentado pela primeira vez na E3 2011 por Satoru Iwata, presidente da “big N”, surpreendendo a muitos pela nova proposta. Porém, a essa altura do campeonato (e sem saber quando exatamente o console vai chegar ao Brasil), nos perguntamos: o Wii U vai ter o êxito esperado? Vamos tentar descobrir a resposta para essa pergunta no texto a seguir. Lembrando que a melhor resposta para esse tipo de pergunta sempre será: “o tempo dirá”.

Eu gosto de videogames, assim como muitos de vocês que acompanham o TargetHD. Não jogo mais tanto quanto gostaria, e hoje, acompanho mais os principais movimentos e lançamentos desse mercado do que necessariamente jogá-los em meus consoles. Mas sou da geração que “soprava fitas para pegar”, ou que alugava os jogos durante os finais de semana. Com algumas dezenas de videogames pelo caminho, vejo hoje um cenário segmentado, onde Nintendo, Sony e Microsoft dividem o mercado, onde para a casa do Mario ficou o público casual. E será que isso basta?

Wii U pretende repetir o sucesso do Wii

Com o Wii U, a Nintendo busca, com muita força, revolucionar a jogabilidade dos videogames mais uma vez. Já fez isso com o Nintendo Wii, de uma forma simplesmente espetacular e surpreendente (na época), mas desta vez, essa aposta de revolução é um pouco “peculiar”, já que não se trata apenas de uma forma diferente de interagir com um videogame, e sim de uma estranha maneira de fusão de um console tradicional com aquele que a própria Nintendo um dia declarou como o seu “novo inimigo”: os dispositivos móveis.

A Nintendo manda um recado claro: “quem precisa de jogos para tablets, se o Wii U tem o seu próprio tablet?” Tá, mas isso não é tão simples assim, uma vez que o uso que pode ser dado para esse controle/tablet é praticamente nenhum, se compararmos com um tablet Android ou iPad.

A Nintendo se recusou a lançar os seus títulos mais populares para os dispositivos móveis, e solicitou a remoção de seus emuladores (criados por terceiros) das lojas de aplicativos (Apple App Store e Google Play). Ou seja, eles decidiram que seus títulos são só deles, só eles podem usar, e que eles nunca chegarão aos dispositivos móveis. E reforçam essa frase com um “se você quer jogar Mario em um dispositivo móvel, o Wii U é a sua única opção”. Bom, ao menos é isso que eles vão tentar fazer.

O Wii U certamente ser tão revolucionário quanto o Wii foi, mas não creio que a Nintendo vai alcançar esse objetivo com a mesma facilidade. Não dá para negar que a jogabilidade do Wii U é bem atraente, especialmente em jogos como ZombiU, mas distrair o olhar do usuário com um controle pesado e com uma bateria que dura muito menos que a jornada de jogos dos gamers mais exigentes não é o mesmo que mover os braços com controles em forma de bastões.

O controle do Wii U não é um tablet. Ponto!

A Nintendo quis fazer frente ao iPhone, iPad e smartphones Android com o lançamento do Nintendo 3DS. Não deu certo. Agora, eles querem enfrentar o iPad e os tablets Android com o controle do Wii U. Só que tem um detalhe: o controle do Wii U não é um tablet. O fato dos vídeos promocionais mostrarem como ele pode atuar como ferramenta para videochamadas, streaming com a TV e navegação com a internet não quer dizer que ele seja um tablet como nós conhecemos. De fato, nem sequer quer dizer que ele conta com uma experiência prazerosa na hora de realizar tais ações.

O controle do Wii U possui uma tela RESISTIVA (acredite, se quiser), o que prejudica de forma considerável a sua experiência de uso, principalmente nas ações do tipo “drag and drop”, que são básicas para qualquer dispositivo móvel que se preze. A Nintendo pode até dizer que podemos utilizar o controle como tablet enquanto jogamos, mas na prática, não é bem assim.

Além disso, falando especificamente de videogames, a Nintendo oferece uma característica que, no papel, é algo muito atraente: se estamos jogando na TV da sala, e devemos desocupar essa TV, podemos levar o controle para outro cômodo e continuar jogando em sua tela. Isso certamente é uma vantagem. Mas só na teoria. O calcanhar de Aquiles desse recurso é que ativar essa função é algo opcional para os desenvolvedores, algo que a Nintendo garantiu que estaria ativo na maioria dos seus títulos. Alguns, mas não todos.

Se queremos acompanhar a experiência de um console como um tablet, o SmartGlass para o Xbox 360 promete funcionar de forma muito melhor e mais objetiva, por causa da interface de usuário e da compatibilidade com qualquer tablet Android ou iPad.

A Nintendo aposta alto com o Wii U

O novo console da Nintendo é motivo de nervosismo e dor de cabeça para os executivos da empresa, já que os últimos anos fiscais deles (2011 e 2012) não foram dos seus melhores. Logo, eles precisam de um novo hit de mercado rapidamente. Infelizmente, nada garante que esse sucesso repentino será o Wii U, mesmo começando com vendas relativamente fortes (inferiores aos da primeira semana de mercado do Wii).

O Wii U chega com uma capacidade gráfica para rivalizar com o PlayStation 3 e Xbox 360, consoles que contam com 6 e 7 anos de mercado, respectivamente. Sim, amigos… a Nintendo prefere competir revolucionando, e não com os melhores gráficos. Mas na verdade, nem sempre foi assim: essa estratégia do “revolucionar” só começou com o Wii. Quem viveu a época do Nintendo 64 viu que a aposta da empresa era oferecer um console muito mais potente que o seu rival direto, o PlayStation (PSOne). No caso do Wii U (em pleno ano de 2012), até mesmo alguns desenvolvedores reclamaram sobre o quão limitado o console é em seus recursos de hardware.

Mas admito que todos nós, gamers fãs ou não da Nintendo, temos que ao menos testar o produto por algum período, e chegar à nossas conclusões pela experiência individual. Todo fã de games gosta de novidades. Talvez o grande problema do Wii U seja justamente o segmento onde a empresa apostou alto no Wii: os gamers casuais, que é a grande maioria do público. Os fãs da Nintendo certamente vão adorar o console (alguns de forma cega), mas muitos daqueles que só vão conhecer o produto quando visitarem um shopping center, ou a casa do amigo, podem rapidamente chegar no pensamento do “melhor esperar pelo PlayStation 4”.

O Nintendo Wii U terá uma boa acolhida de mercado, principalmente por causa dos fãs incondicionais da Nintendo (no Japão, então, nem se fala). Mas se projetarmos para um cenário a longo prazo, não imagino que seja assim para o grande público. É mais fácil apostar que Satoru Iwata e sua turma só vai mesmo surpreender na plataforma posterior ao Wii U.