A Nokia apresentou ontem (05) em Nova York os seus primeiros smartphones com a nova geração do sistema operacional móvel da Microsoft, o Windows Phone 8. O Lumia 920 PureView e o Lumia 820 foram, aparentemente, bem recebidos pela crítica e principalmente pelos fãs da Nokia, que voltaram a ficar animados com a empresa (com frases eufóricas, do tipo “a Nokia voltou”). Muito bem, com os ânimos mais acalmados, e com a poeira dos lançamentos assentada, fica a pergunta…

E agora? A Nokia tem o que é preciso para liderar o mercado do Windows Phone? Mais: tem culhões para voltar a ser uma fabricante de smartphones relevante?

Vamos aos fatos. Todo mundo sabe que a parceria entre Nokia e Microsoft ainda não é nem próxima de ser a dos sonhos para as duas empresas. A Microsoft lucra pouco com o Windows Phone pelas mãos da Nokia, e a Nokia vende bem menos aparelhos com o sistema da Microsoft que eles esperavam. Acontece que não temos nem dois anos que essa parceria existe, logo, apesar da batalha dos sistemas operacionais móveis ser uma das mais acirradas no momento, a Nokia, por incrível que pareça, ainda tem tempo para se estabelecer. Pouco, é verdade, mas tem tempo.

A Nokia não soube aproveitar o momento do Windows Phone 7. Demorou demais para lançar smartphones com o sistema, e fez a bobagem de lançar no primeiro semestre desse ano o Lumia 900, que é ótimo, mas tem Windows Phone 7.5. Resultado: no meio do ano, a Microsoft praticamente “matou” o aparelho, anunciando o Windows Phone 8, e informando ao mundo que nenhum aparelho com Windows Phone até aquele momento receberia a nova versão, tendo que se contentar com a versão 7.8 do sistema. Que é um “Denorex” – parece o Windows Phone 8, mas não é.

Agora, as coisas são diferentes. A Nokia foi a segunda fabricante a apresentar um smartphone com a nova versão (a primeira foi a Samsung, durante a IFA 2012), teve a Microsoft ao seu lado o tempo todo, e quando o sistema for oficialmente lançado, no final de outubro, todo mundo já vai estar babando pelos smartphones que a empresa apresentou hoje. Ou seja, ninguém está no escuro, e muita gente que é fã da Nokia já sabe onde vai queimar o seu rico dinheirinho quando os produtos chegarem. Diferente do ano passado, que ninguém sequer se preocupou com isso, comprando modelos da HTC e da Samsung, que lançaram smartphones com WinPho antes.

Além disso, ninguém pode dizer que os novos Lumias da Nokia não são diferentes dos concorrentes. Não apenas pela quantidade de recursos exclusivos que a Nokia adicionou nos dois modelos (principalmente nos recursos pensados para a área de fotografia e geolocalização), mas contar com a tecnologia no PureView no Lumia 920 é realmente uma grande sacada. Pelos recursos apresentados, a câmera desse smartphone é excelente, e muitos usuários se preocupam em ter uma câmera poderosa no seu dispositivo móvel. E o PureView é algo que só a Nokia pode oferecer. E é aí que pode estar o pulo do gato.

Uma boa tela, com resolução em HD, processador dual-core, câmera com ótima configuração e recursos exclusivos… são itens que, combinados, tornam os modelos Lumia diferentes dos demais o suficiente para que a competição pese a favor da Nokia, pelo menos a longo prazo.

Particularmente, gostei dos modelos apresentado ontem. Fiquei impressionado em como a Microsoft trabalhou bem com o principal foco que a Nokia queria dar aos novos produtos, que era a parte de fotografia e imagem. E também me agradou saber que finalmente a Nokia parece saber o que quer quando apresentou o produto para a imprensa: levar ao consumidor a melhor experiência de imagem possível, pois essa é uma das coisas que os usuários mais querem. Com a consistência que o Windows Phone possui, acredito que estamos diante de dois futuros sucessos de vendas.

É… acho que a Nokia finalmente acertou. Mas não posso dizer que eles vão voltar a disputar o mercado cabeça a cabeça com o iOS e o Android. É muito cedo para afirmar qualquer coisa.

Tudo vai depender dos próximos passos que a gigante de Espoo vai dar. Se fizer sozinha, as chances de fracasso são maiores. Se acompanhar os passos dados pela Microsoft (e não só digo isso por causa do Windows Phone, e sim pela nova fase da empresa de Redmond), a Nokia pode se dar bem. Ela tem tudo para ser o “carro chefe” dessa segunda geração do Windows Phone no mercado: o apoio da Microsoft, ótimos smartphones e recursos exclusivos. Se souber trabalhar em um marketing positivo, “ditando as regras” sobre a categoria, e afirmando que “nós temos o melhor Windows Phone que você pode querer”, ela pode se dar bem. Ah, outra coisa: precisa ser agressiva com os preços. Nesse momento, ninguém precisa do marketing negativo de se decepcionar com smartphones que custam um rim ou um fígado. Basta que eles tenham um preço razoavelmente justo.

E o mais importante: que eles não demorem quase um ano para chegar ao Brasil.