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As escavações em busca dos cartuchos enterrados do game E.T. (Atari) levantaram uma infinidade de opiniões sobre o passado da empresa, levantando a seguinte questão: por que um jogo com esse chegou a ser enterrado junto a outros tantos, no meio do deserto do Novo México?

Não resta dúvidas que esta é uma prática que, nos dias de hoje, não faria o menor sentido. Mas foi exatamente isso o que aconteceu em 1983.

Em 28 de setembro de 1983, o New York Time s publicou uma matéria, que informava que milhares de pessoas viram 14 caminhões cheios de cartuchos do Atari descarregarem, tal como fariam caminhões de lixo, todo o seu conteúdo em fossas criadas no deserto de Alamogordo, cidade do condado de Otero, Novo México (EUA). Como se fosse uma operação secreta do governo, muitos guardas mantinham os curiosos e os repórteres longe da região, evitando que testemunhassem o sepultamento de parte do grande fracasso da Atari para sempre.

O conteúdo ficou enterrado por 31 anos, até que no último dia 27 de abril de 2014, todo esse conteúdo voltou a ver a luz do dia.

A história

Howard Scott Warshaw é uma das pessoas que mais se alegram com essa descoberta. E não é para menos. Ele foi o desenvolvedor do jogo. Sim, ele é o “culpado”, o dono da discórdia. O jogo E.T. foi o principal protagonista da escavação. Aliás, o próprio Howard admitiu que o game teve um período de desenvolvimento descrito por ele como “infernal”.

Depois de adquirir a licença do filme por nada menos que US$ 22 milhões, a Atari deu ao desenvolvedor apenas cinco semanas para terminar o jogo. Ele criou o conceito do game em apenas dois dias, com o objetivo de convencer o próprio Steven Spielberg para participar do projeto, e 35 dias mais tarde, um jogo completamente funcional estava pronto, podendo chegar ao mercado o quanto antes.

Infelizmente, os resultados desse desenvolvimento foi algo desastroso. E não poderia ser de outra forma. Warshaw esteve acompanhado apenas de um designer gráfico e de um compositor da trilha sonora durante o período de desenvolvimento do jogo, que basicamente ficou na sua responsabilidade. Agora, imagine um jogo dos tempos atuais desenvolvido por uma única pessoa. Até pode rolar, mas é uma exceção da regra (e, mesmo assim, não seria um jogo de grande porte, como a Atari queria).

Durante essas duras e “incrivelmente esgotantes” semanas, o jogo iniciou a sua produção na data prometida. A Atari simplesmente não aceitava a possibilidade de atrasar o lançamento do game para melhorar o seu desenvolvimento. Queriam o lançamento para o quanto antes. E assim fizeram.

Nem foi preciso dizer que o resultado de tanta pressa foi catastrófico. Durante esse período, a empresa reduziu suas vendas drasticamente, acumulando mais de 2.5 milhões de cartuchos em seus armazéns. A Atari sofreu um prejuízo de US$ 310.5 milhões no segundo trimestre de 1983, e a sentença contra o seu presidente na época (Ray Kassar) pelas operações ilegais com as ações da empresa obrigaram que eles tomassem a fatídica decisão de enterrar a sua história nas areias do deserto do Novo México.

Os anos passaram, e a piada sobre o enterro dos cartuchos começou a tomar contornos de lenda urbana. Será que esses jogos estavam mesmo enterrados?

O jogo

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Como você mesmo poderá comprovar no vídeo do final do post, o jogo E.T. para o Atari 2600 não tem o menor sentido. Sua jogabilidade era de gosto duvidoso, as telas se repetiam de forma contínua, e não havia nenhum tipo de padrão a ser seguido pelo jogador para manter uma mínima orientação.

Agora que conhecemos a história por trás do jogo, provavelmente seremos um pouco mais carinhosos com o título. Seu criador garante que está muito orgulhoso, e que se sente muito especial vendo como algo que ele fez há 30 anos segue gerando interesse no público. “As pessoas pensam que eu deveria estar envergonhado com o jogo, ou reconhecer que ele é um fracasso. Mas na verdade, eu sempre o vi como uma conquista”, afirma Howard. E não é para menos.

Vale a pena lembrar que, junto com os cartuchos do E.T., foram enterrados outros muitos jogos que foram fracassos de vendas da Atari, de modo que, no final das contas, nem tudo foi culpa daquele que sempre foi chamado de “o pior jogo da história”.

O futuro

A escavação faz parte de um projeto da Xbox Entertainment Studios. A divisão está trabalhando em um documentário sobre a história da Atari, e como não poderia ser de outra forma, a misteriosa história do deserto de Alamogordo teria que ser coberta.

Ainda resta algum tempo para o produto final estrear na Xbox Live, mas o pessoal da Microsoft não quis esperar, e publicou um pequeno preview – de 5 minutos – onde podemos ver as primeiras imagens. Você pode ver o vídeo logo após conferir o quão ruim era o jogo E.T.

Vídeos a seguir.