iphone

Seria um mundo bem diferente.

Para começar, eu jamais estaria escrevendo sobre tecnologia na internet. Eu só comecei a escrever sobre gadgets e smartphones por causa do lançamento do iPhone em 2007. Achei o máximo quando vi o frenesi na internet com este lançamento, e em como as pessoas que não faziam jornalismo ou não estavam em redações escreviam tão bem sobre esse produto. Com qualidade, riqueza de detalhes… com paixão. E eu queria fazer isso.

O TargetHD.net não iria existir, e acho que a grande maioria dos blogs de tecnologia que conheço também não existiriam. Com certeza a metade dos blogs que hoje escrevem sobre Apple e iPhone não estariam no mercado. Muita gente simplesmente seria espectador da evolução tecnológica, sem comentar sobre ela.

 

 

Um mundo sem fanboys

 

Bom, algumas coisas seriam bem interessantes. Por exemplo, não existiria essa horda de fanboys alucinados, viciados no iPhone e, em alguns casos, com linha de pensamento irracional, sem ver os defeitos que o produto tem (e que todo produto de tecnologia possui, invariavelmente). Não teríamos a horda de fãs zumbis que passam semanas nas filas das lojas da Apple em várias cidades ao redor do mundo. Pessoas que, por diversas vezes, chamei de “imbecis, idiotas e tapados” por esse comportamento.

Foi um erro fazer isso no passado. Isso se chama paixão por tecnologia. Algo que eu vivencio hoje com muita intensidade.

 

 

Sem o iPhone, não teríamos a reformulação dos eventos de apresentação de produtos de tecnologia. Não que a Apple tenha inventado o formato, mas deu muito peso para esses eventos de imprensa, que antes só despertavam interesse da mídia especializada. Hoje, fãs de tecnologia do mundo todo ficam com os olhos atentos na tela do computador para acompanhar as novidades dos fabricantes, e a Apple tem muita responsabilidade nisso.

Também não teríamos motivo para reclamar de um smartphone que está aquém dos concorrentes, com preços elevadíssimos. Por outro lado, não entenderíamos termos como “fator Brasil”, “custos de indústria e desenvolvimento” e “obsolescência programada”. Para o bem ou para o mal, foi o iPhone que apresentou essas terminologias para o grande público.

Sem o iPhone, jamais nos preocuparíamos em saber por que os nossos gadgets custam tão caros no Brasil. Por que vale mais a pena comprar esse smartphone lá fora. Por que ele se tornaria objeto de culto e ostentação para muita gente.

 

 

 

Um fantástico salto tecnológico em 10 anos

 

Mas o mais importante: sem o iPhone, estaríamos parados no tempo de muitas formas.

Não tanto pelas inovações tecnológicas, mas por impulsionar formas diferentes de utilizar tecnologia. Sem o iPhone, muito provavelmente ainda estaríamos utilizando teclados físicos nos smartphones, não teríamos sistemas operacionais com interface sensível ao toque com o dedo, não teríamos smartphones com telas com qualidade superior, softwares otimizados, games de alta qualidade nos smartphones, gerenciamento de sistemas completos em um dispositivo que cabe no nosso bolso, entre outros sintomas de comportamento que se alinham às novidades presentes no smartphone da Apple.

Mais: o Facebook não seria o gigante que é hoje, serviços como WhatsApp e Twitter talvez nem existissem – pois foram criados tendo em mente a popularidade que os dispositivos móveis adquiriram principalmente depois do iPhone -, estaríamos utilizando mais as chamadas de voz do que a comunicação por texto, não teríamos uma internet móvel com a mesma qualidade que temos hoje (não tanto nas tecnologias de comunicações, mas sim nas interfaces pensadas em um menor consumo de dados e melhor navegação), entre outras características.

Ou seja, por mais que você diga que o iPhone não mudou sua vida, você pode ter certeza que ele mudou muita coisa no mundo.

Ele ajudou (e muito) no fantástico salto tecnológico que tivemos nos últimos 10 anos.

Fato.