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A apresentação do Samsung Galaxy Note 5 está marcada por um problema bem sério: o escândalo já batizado como ‘Pengate’, que afeta a forma de inserir a S-Pen no dispositivo.

Os primeiros compradores do Galaxy Note 5 se deram conta que, ao inserir a S-Pen no sentido contrário ao correto, eles obstruíam o mecanismo de inserção, sem poder remover a stylus com facilidade. Com isso, o smartphone ficaria seriamente danificado, e agora a Samsung culpa os próprios usuários, alegando que os mesmos não utilizaram de forma correta o mecanismo de inserção.

Pois bem, Samsung… a Apple no passado tentou jogar a culpa nos usuários com um ‘vocês estão segurando o smartphone da forma errada’, e não colou. E dessa vez, não é diferente.

A culpa é sua, Samsung!

 

Leia o manual de instruções (ou RTFM)

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A resposta da Samsung foi rápida, mas não serviu para nada para aqueles que introduziram a S-Pen no sentido errado. Um produto que custa mais de US$ 700 ficar praticamente imprestável por conta dessa falha humana é uma tragédia, e parece que os sul-coreanos vão lavar as mãos sobre o problema.

Não parece que a garantia do dispositivo cubra esse tipo de problema, e desde já os usuários deveriam ler COM ATENÇÃO o manual de instruções do produto para não cometer esse erro. Nesse ponto, a Samsung pode até ter uma dose de razão, mas é claro que a grande maioria das pessoas não lê o maldito manual de instruções. Por isso mesmo existe até um termo para isso: RTFM (Read the F*king Manual), que é onde em via de regra recorremos em resposta à dúvidas a outros usuários, e que logicamente os fabricantes estão no seu direito de se eximir de um eventual uso incorreto.

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No Galaxy Note 4, tal advertência não aparece, porque o problema não existe, já que não há forma de inserir a S-Pen do lado contrário sem forçar muito esse mecanismo, provocando a quebra do mesmo.

Esta novidade no Galaxy Note 5 não estava presente nos modelos anteriores. No Galaxy Note 4, você até insere ao contrário a S-Pen, mas até um certo ponto, e depois disso é impossível prosseguir. E, mesmo assim, é possível remover a caneta sem problemas. Isso pode indicar que a Samsung sabia que existia um problema com o design, e simplesmente cruzou os braços com uma advertência no manual do usuário do seu novo modelo. Nessa parte do manual, fica claro que não se deve inserir a caneta no sentido incorreto, mas isso não é suficiente.

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Se um acessório não pode ser usado de forma reversível, ele não deveria parecer que pode ser usado dessa forma. O design do Samsung Galaxy Note 5 e de sua S-Pen é falho, e os engenheiros da empresa deveriam sim assumir essa responsabilidade, por não impedir precisamente esse tipo de problemas. Que é o que é feito com diversos acessórios e dispositivos que não são reversíveis.

 

Se não é reversível, que não se pareça assim!

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Temos vários casos no mundo da tecnologia, como nos cartões microSD ou SD, que só podem ser inseridos em um único sentido. Ou com os cabos USB com os conectores que foram padrão até agora (seja bem vindo, USB Type-C), ou cabos de corrente, ou conectores HDMI, DisplayPort, VGA, DVI, módulos de memória, processadores, entre outros.

Todos esses componentes e periféricos contam com uma forma correta de conectá-los pelo seu design. E esse design impede que eles sejam conectados de outras formas. Um pode fazer muita força e até encaixar, mas fica claro que qualquer um com um pouco de senso comum saberá detectar a resistência que esse periférico ou cabo possui para não se conectar da forma que a pessoa está tentando.

Esse tipo de problema aparece pelo simples fato que os designers e engenheiros não fizeram o seu trabalho direito. O chamado ‘design defensivo’ é usado para ‘evitar que aconteçam contingências no uso dos dispositivos, objetos, procedimentos ou rotinas’. Alguns chamam isso de ‘design à prova de idiotas’, mas pensando assim, todo mundo é idiota, já que em uma ou outra ocasião tentamos usar algo de uma forma que não foi originalmente concebido. E, é claro, acabamos quebrando o produto.

Mas estamos em 2015. E estamos falando da Samsung. E de um dispositivo que custa mais de US$ 700.

Fala sério!