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O Super Bowl 50 pode ser o primeiro jogo de futebol americano da vida de muita gente. Para quem não sabe, o objetivo desse esporte é avançar com uma bola oval até a área de pontuação da equipe rival. Para isso, o time tem quatro tentativas para avançar dez jardas. Se eles não conseguem, perdem a posse para o outro time. E esse é um breve resumo, ok?

Mas o campo não possui referências de um lado ou outro. E como é possível saber qual é a referência das tais jardas a serem conquistadas? Os marcadores de lateral (ou ‘pirulitos’). Mas muitas vezes esses são difíceis de serem vistos. Para a nossa alegria, a tecnologia está aí para ajudar.

Em algumas transmissões de futebol americano, vemos duas linhas sobre o campo: uma amarela e outra azul ou vermelha. As duas são inseridas eletronicamente, e a tecnologia nesse caso marcou um antes e um depois nas transmissões televisivas do esporte.

Essas linhas se movimentam de acordo com a perspectiva da câmera, e ocupam toda a largura do campo. Porem, de forma contrária ao que pode parecer aos olhos não familiarizados com o esporte, elas não são linhas físicas, mas sim adicionadas em pós-produção, para que a transmissão de TV seja mais fácil de se seguir: a jogada começa na linha azul (de scrimmage) e o objetivo é chegar ou ultrapassar a linha amarela (de first down).

Para você entender melhor, veja o vídeo abaixo com uma compilação de jogadas. Nelas, você verá como as câmeras se movem e dão zoom, mas as linhas coloridas se mantém imóveis sobre o campo:

 

A primeira linha amarela foi inserida em 1998, pelas mãos da Sportvision, empresa que queria levar essa tecnologia ao esporte. Seu sistema custava US$ 25 mil por jogo, e exigia seis pessoas e um grande caminhão para transportar todo o equipamento.

Cada estádio tem uma reprodução de um modelo virtual em três dimensões com tecnologia laser, e precisa ser perfeito, já que nem todos os campos são 100% planos. Além disso, é registrado as cores de todas as áreas do gramado nas diferentes horas do dia, para se obter as diferentes tonalidades de acordo com a iluminação e meteorologia.

Para cadas transmissão, há três câmeras que contam com sensores que registram o tempo todo sua posição e seus movimentos. Essa informação é enviada em tempo real para o caminhão de processamento, e se soma ao que previamente foi medido na posição prévia de cada câmera do campo, o que permite saber em que posição relativa a linha deve ficar a cada momento, e que essa não fique distorcida pela câmera, que sempre segue a bola.

Esta informação, junto com a posição que está a linha imaginária de first down no campo, é processada por um computador que desenha a linha amarela sobre a transmissão no ponto onde o operador encarregado indica. No total, este processo pode fazer que a transmissão ao vivo tenha que se atrasar por alguns segundos para que todos os cálculos possam ser feitos.

Todo o processo é explicado no vídeo abaixo (em inglês):

 

Como evitar que a linha amarela passe por cima dos jogadores?

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Apesar das linhas amarela e azul serem virtuais, elas passam por baixo dos jogadores. Como isso é possível?

Aqui entra a importância em coletar a paleta de cores do campo (gramado, sombras, linhas brancas, barro, neve, etc). O sistema aprende que pode e deve desenhar as linhas sobre essas cores. Porém, especifica também quais são as cores que ela não pode sobrepor, como tonalidades de pele dos jogadores e seus uniformes.

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O sistema funciona inclusive quando as equipes possuem uniformes de cor verde, que é muito semelhante com o verde do gramado, ou no caso de nevadas, onde as paletas passam a ter mais brancos do que verdes.

Tudo isso fez a Sportsvision ganhar um Emmy Award por essa tecnologia, que foi adotada pelo futebol americano e em outros esportes, inclusive com variações para inserção de publicidade virtual.

 

O desafio: levar a linha para o campo

 

Os já acostumados a ver o futebol americano na TV podem entender que ver o jogo ao vivo pode ser um grande desafio por não ter as linhas de referência. Ainda não há uma tecnologia para adicioná-las nessa situação, apesar de algumas empresas sugerirem a inserção das linhas por laser. Em 2014, a NFL já sinalizou que não descarta utilizar algo similar, mas entende que tal tecnologia está em estágios iniciais de desenvolvimento.