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No último domingo, no jogo entre França e Honduras pela Copa do Mundo 2014, a tecnologia Goal-Control 4D finalmente entrou em ação. No segundo gol do time francês, o recurso entrou em ação, e apesar de algumas dúvidas um tanto quanto estúpidas e desnecessárias de alguns canais esportivos, o sistema funcionou como esperado. Ou seja, foi gol da França. Contra (chute de Benzema, mas toque final do goleiro Valladares de Honduras), mas foi.

Três anos de pesquisa para acabar com o gol fantasma

Desde 2011, a FIFA busca um sistema que coloque fim ao gol fantasma. Dez empresas apresentaram as mais variadas tecnologias, e no final, a vencedora foi a tecnologia de câmeras conhecida como “olho de falcão”, descartando as opções que incluíam os sensores ou bolas modificadas.

Nos testes, foram incluídas quase 2.500 simulações de situações possíveis de gols fantasmas em diferentes circunstâncias, desde jogadas que envolvem apenas a posição da bola até as condições meteorológicas. E o Mundial do Brasil é a primeira competição que o sistema é utilizado de forma oficial.

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O sistema Goal-Control 4D, diferente do que parece, não usa sistemas de sensores, nem na bola, nem nas traves (solução proposta pela Adidas). O segredo desse sistema está nas câmeras de vídeo e na sua capacidade de processamento de imagens.

Sete câmeras que acompanham TUDO

Os jogadores não são mais os únicos que são registrados pelas câmeras em um estádio. Em cada um dos 12 estádios dessa Copa do Mundo, 14 câmeras adicionais e exclusivas estão instaladas em diferentes locais, sete para cada área de gol.

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Essas sete câmeras mantém o seu foco sempre na bola quando a mesma entra em sua área de captação, cobrindo todos os ângulos. As câmeras são instaladas de duas em duas, para obter a informação em tempo real da posição da bola, gravando as imagens em 500 frames por segundo, ou 4.5 GB de imagens por segundo.

Toda essa informação é enviada para uma unidade de processamento via fibra óptica. Ali, em tempo real, cada imagem é analisada de forma individual, identificando a bola. Os demais elementos da imagem (jogadores, linhas de campo, traves, etc), são filtradas, para que a fase seguinte do processo só tenha a bola como dado de entrada.

O próximo passo, também executado em tempo real, é determinar a posição da bola a cada instante, assim como a sua velocidade. Isso é feito via triangulação das imagens das câmeras, e para isso, duas dessas câmeras são suficientes. O sistema permite conhecer com uma precisão de 3.6 mm o local onde a bola se encontra a cada 2 milissegundos, inclusive se ela estiver visualmente tapada por dois jogadores, ou agarrada pelo goleiro.

Mais ou menos o que aconteceu no segundo gol da França (em vários ângulos das câmeras da transmissão, a bola ficou semi-encoberta pela trave).

Menos de um segundo de reação para definir se foi gol ou não

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Com a informação do status da bola em tempo real, o sistema é capaz de determinar quando a mesma passou completamente a linha de gol, algo que é necessário pela regra para o gol ser considerado válido. Desse modo, mesmo que as imagens da transmissão televisiva não consigam mostrar claramente o gol – ou em uma situação que impede que o olho humano determine se a bola entrou completamente -, o sistema Goal-Control 4D passa essa informação, baseando-se na localização da bola em três dimensões.

Se o sistema identifica o gol, em menos de um segundo o árbitro da partida recebe a informação em um relógio, que emite um alerta visual e de vibração. Os dados são enviados por uma rede sem fio protegida.

Se você não acredita, o replay existe para isso

Ainda que inicialmente a FIFA só contemple a informação sobre gol ou não gol para o árbitro, o sistema armazena as imagens de cada câmera e informação gerada para eliminar dúvidas ou eventuais reclamações futuras. E abre as portas para que, tal como acontece no tênis, o gol possa ser recriado de forma virtual e exibido nas telas do estádio ou nas transmissões da TV. Tal como vem ocorrendo de forma frequente nesse mundial.