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Nunca diga que dessa água não beberei, principalmente no mundo da tecnologia. Steve Jobs, que não tinha interesse algum nas canetas stylus, já não está mais entre nós para argumentar sobre a mudança de caminho que a Apple tomou. Logo ele, que um dia disse “quem precisa de uma stylus?”. Pois bem, o novo iPad Pro precisa. E o Apple Pencil não é apenas um acessório para deixar produto mais completo, mas sim uma arma secreta para determinar a sua dominância.

Artistas e criativos já esperam para conhecer essa caneta de perto, assim como todas as possibilidades que o acessório pode nos oferecer. É bom lembrar que o iPad Pro não é para todo mundo: ele é grande, pesado e caro. Mas com aquela tela e com uma caneta decente, ele pode ser uma ferramenta de criação de conteúdos sem precedentes.

Mas a César o que é de César. A Microsoft já tem três gerações evoluídas do Surface, que apresenta um conceito similar, completamente portátil, e com uma tela boa para trabalhar. E o mais importante: com uma caneta. Nos dois casos, os acessórios são vendidos como acessórios, e o lápis do Surface custa a metade do Apple Pencil.

Mas… (e sempre tem um ‘mas’…)

 

Steve não queria uma stylus… em um iPhone

Não vou dar uma de advogado do diabo, mas o iPad Pro tem pouco a ver com um smartphone. E o que Steve Jobs disse no lançamento do primeiro iPhone se restringia ao uso de canetas apontadoras nos smartphones. Veja:

É curioso ver como a chegada das telas capacitivas, que reconheciam muitos pontos, nos fizeram mudar a forma como interagimos com elas, ao mesmo tempo que perdemos a resolução no caminho. Agora, parece que demos um passo para trás para conseguir todas as possibilidades em um mesmo local, onde Samsung (S Pen) e Microsoft (Surface) são os máximos exponentes nessa ideia.

Para eliminar as dúvidas: o Apple Pencil funciona exclusivamente com o iPad Pro, deixando de fora os demais tablets da Apple. Ou seja, não é uma caneta capacitiva. Pese o seu preço de US$ 99, temos uma caneta de plástico, com um design mais largo e fino que o habitual, e repleto de sensores que permitem reconhecer os movimentos sobre a tela de 12.9 polegadas.

 

Como a Apple Pencil funciona?

Infelizmente, a Apple não foi muito generosa na hora de dar informações sobre as capacidades da sua caneta. Nas demonstrações, vemos que ela conta com diferentes níveis de pressão, um modo de reconhecimento instantâneo e leva em conta o ângulo utilizado, mas nada de muito concreto que permita uma comparação com as soluções já existentes.

O que sabemos é o que foi explicado no vídeo de apresentação. A caneta conta com dois sensores: um para a pressão, outro para a inclinação, e em nenhum caso temos a presença do Force Touch (ou 3D Touch) dos novos iPhones. Logo, temos a atuação da tela, que deve reconhecer se a caneta está inclinada de uma forma diferente que um dedo, identificando o dobro de precisão.

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Para funcionar, a caneta precisa estar emparelhada com o iPad Pro via Bluetooth. Outro detalhe interessante está na sua forma de recarga, via porta Lightning dos dispositivos Apple, com a ajuda de um conector presente na outra extremidade. Uma carga completa oferece 12 horas de uso, mas 15 segundos de recarga garante 30 minutos de uso.

 

Microsoft e Adobe gostaram da ideia

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Mas de nada vale uma caneta genial se não tiver aplicativos que tirem proveito dela. A Apple está trabalhando que os seus apps do iOS 9 sejam compatíveis com a Apple Pencil, mas a presença da Microsoft no evento de ontem (09), apresentando o uso dessa tecnologia com o Microsoft Office para iPad, fez toda a diferença. Assim como a presença da Adobe, que apresentou uma suíte de aplicativos (Photoshop, FX, etc) compatíveis.

Já a FiftyThree não gostou muito do Apple Pencil, uma vez que este é o nome do seu principal acessório, uma caneta capacitiva muito reconhecida no mercado. O natural é que a empresa ofereça uma solução compatível com o novo produto.

Fato é que a Apple acompanhou a tendência de mercado. De novo. Muitos queriam smartphones maiores, e eles ofereceram. Muitos queriam um relógio da Apple, e alguns conseguiram comprar. Agora, temos o iPad para profissionais, com uma caneta inteligente.

Inovar nem sempre é criar. Mas sim oferecer soluções que resultem no melhor produto possível.