23 de novembro de 2012. Uma data esperada pelos consumistas, e por aqueles que pensavam em economizar alguma grana na compra de alguns produtos de tecnologia. A terceira edição da Black Friday Brasil (ou, pelo menos, o terceiro ano onde o comércio resolveu abraçar essa proposta, mesmo que de forma falsa em alguns casos) ainda está em andamento, mas já podemos analisar alguns de seus resultados. Nesse post, passo minha experiência pessoal em uma madrugada de compras promocionais. Ou, pelo menos, tentando comprar alguma coisa.

Algumas lojas foram mais espertas, e publicaram alguns itens com valores promocionais antes da meia-noite. Foi o caso do Ponto Frio, que chegou a anunciar o Motorola RAZR i por R$ 999,00, no cartão de crédito (preço normal do produto: R$ 1.299,00). Como era de se esperar, a oferta se esgotou em poucas horas, mas nesse momento em que escrevo esse post, o mesmo RAZR i é encontrado por R$ 1.039,00 na Americanas. Não é a mesma coisa, e nem é um desconto tão forte assim. Mas levando em conta que é um lançamento de menos de três meses, é um desconto a se considerar.

Depois da meia-noite, tivemos um cenário virtual de caos. Completo. A maioria dos e-commerces simplesmente saíram do ar, e não por conta de manutenção interna para as ditas mudanças de preços, e sim, por causa do volume de acessos de internautas ávidos pelos descontos. A primeira hora da Black Friday Brasil 2012 foi praticamente offline. Alguns poucos links de ofertas eram publicados na internet, mas os internautas não conseguiam acessar, por pura inviabilidade. Curiosamente, o único que me lembro que ainda tinha sobrevivido ao volume de acessos era o site do Ponto Frio.

Depois da 1h da manhã, as coisas começaram a se tranquilizar, e foi possível verificar algumas ofertas com mais calma. Foi aí que constatamos a dura realidade: mais uma vez, boa parte dos e-commerces nacionais utilizaram a técnica do ano passado, de aumentar os preços de alguns itens muito procurados, para depois aplicarem os descontos, fazendo com que os preços voltem novamente para os valores normais. Em alguns casos, os preços ficam até mais caros que os valores cobrados fora da Black Friday.

Os e-commerces que mais estão adotando essa prática são: Submarino, Americanas, Shoptime, Walmart e Kabum. Todas elas adotaram essa estratégia nas categorias de telefonia (principalmente smartphones), tablets, informática, eletrônicos, TVs e games. As lojas sabem que, em dia de Black Friday, esses são os produtos mais procurados pelos internautas. Logo, procuraram de forma inescrupulosa obter o menor prejuízo possível, e não seguir as “regras” do dia de queima de estoque.

A Apple também adotou essa mesma estratégia. A sua página da loja online brasileira mostra que a empresa não aplicou um desconto que podemos chamar de generoso para entrar em uma regra de queima de estoque. Na maioria dos casos, você não consegue um desconto que seja suficiente para você comprar o novo fone de ouvido da empresa (que por sinal, é caríssimo, pela qualidade que entrega). A dica aqui é que, se você vai comprar um produto da Apple nessa Black Friday, que não compre na própria Apple. Se você garimpar um pouco mais nos e-commerces, você encontra ofertas melhores. Por exemplo, o MacBook Pro, que na Apple Store é anunciado a partir de R$ 3.628,00, na Fast Shop pode ser encontrado por R$ 3.268,00.

Outros abusos são registrados e compartilhados pelos internautas. Por exemplo, a Americanas.com está oferecendo o jurássico celular Nokia 3310 por R$ 429,00. Primeiro, nem sabia que esse modelo ainda é comercializado. Segundo, eles não podem sequer chegar perto de chamar isso de promoção.

Mas isso não quer dizer que você não vai encontrar ofertas interessantes nessa Black Friday 2012. Você vai ter que garimpar muito, e ficar muito atento às atualizações dessas lojas nas redes sociais. Além disso, mesmo que você corra o risco de perder aquele item que aparentemente está barato naquele momento, espere mais um pouco e faça uma pesquisa apurada de preços antes de utilizar o cartão de crédito. Um dos itens que destaco (e que ainda está disponível para compra) é o pacote Microsoft Office 2010 Home and Student (Word, Excel e PowerPoint, com atualização gratuita para o Office 2013), com licença para até três máquinas, por R$ 39,90. Ok, a Walmart maquiou um pouco o preço, pois esse software pode ser encontrado em preço normal por R$ 99,00, mas não podemos negar que um desconto de 66% no seu preço de tabela é uma ótima oferta. Ainda mais quando você tem a próxima atualização garantida nesse valor.

Outra que está indo bem (melhor até que a própria Apple) é a Fast Shop, que anunciou o iPad 2 de 16 GB (WiFi) por R$ 999,00 (ou R$ 907,00, no pagamento via boleto bancário). Para quem entende que ele vai suprir as suas necessidades mais básicas, é uma excelente escolha, mesmo com algumas ressalvas (particularmente, acho o iPad 2 um modelo que ficará obsoleto com a chegada do iPad Mini no Brasil). É uma boa indicação de compra. A mesma Fast Shop está oferecendo o Windows 8 Pro (em DVD) por R$ 99,00 (preço normal de R$ 269,00), o que é considerado um forte desconto para o novo sistema operacional da Microsoft.

Muitos me questionaram nessa madrugada sobre o preço sugerido para o Samsung Galaxy S III por de R$ 1.407,00 (via boleto bancário). Ele vale esse preço? Para mim, se for pago no boleto, vale sim. Se for pagar ele no cartão de crédito, o preço sobe para R$ 1.599,00 (em média), e aí a conta começa a ficar um pouco desvantajosa (se levarmos em conta que estamos em uma Black Friday). Por outro lado, se levarmos em conta que algumas operadoras estão vendendo o mesmo smartphone por R$ 1.999,00 e até R$ 2.2999,00, até mesmo a compra por cartão de crédito pode parecer vantajosa nesse caso.

Infelizmente, o Brasil não tem uma genuína Black Friday, que continua fazendo mais sentido nos Estados Unidos mesmo. Sites que simplesmente despencam com o alto volume de acessos, e-commerces que alteram os valores de forma abusiva, e poucas ofertas realmente interessantes. É uma pena que em um país onde as pessoas realmente estão dispostas a investir em produtos de tecnologia, e porque não, pagar preços mais justos por esses produtos, as velhas práticas para ludibriar o consumidor são adotadas.

Enfim, o melhor conselho que eu posso te dar nessa Black Friday 2012 é: fique de olho. Pesquise mesmo, investigue os e-commerces e os preços que eles estão cobrando, e não caia em qualquer suposta “promoção”, onde na verdade temos apenas os preços normais inflacionados, para que os descontos sejam aplicados. Compartilhe conosco a sua experiência de compra, deixando a sua opinião na área de comentários desse post.