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Eu não sei se realmente vale refletir muito em cima desse assunto, pois para aqueles que acompanham de forma mais atenta o mercado de tecnologia do Brasil já sabem muito bem as respostas. Porém, de qualquer maneira, para aqueles que ainda se pegam indecisos sobre a validade dos valores cobrados, daremos o nosso parecer sobre o assunto. Até porque o Samsung Galaxy Note 3 está em pré-venda no Brasil (chegando ao mercado de forma definitiva no dia 10 de outubro), e é promovido com certa badalação por algumas operadoras de telefonia, e pela própria Samsung.

A pergunta fica no ar: como o Galaxy Note 3 pode custar no Brasil o absurdo valor de R$ 2.899? E por que isso acontece?

Sabe, acho que o brasileiro se conforma muito rapidamente com as coisas. Se conforma com valores abusivos e exorbitantes. Ou tem muita gente com grana por aí, que simplesmente não dá a mínima se está gastando aproximadamente 4 salários mínimos em um produto de tecnologia que, na imensa maioria dos casos, está comprando esse produto pelo status que o mesmo oferece. Na boa, é a minoria que realmente vai utilizar o Galaxy Note 3 de forma construtiva, e mesmo assim, questiono o quão produtivo isso vai ser.

A questão não é bem o Galaxy Note 3 em si. Não vamos nos esquecer que a versão mais avançada do iPhone 5 (64 GB) custa mais ou menos o mesmo preço (entre R$ 2.699 e R$ 2.999). Tá, eu sei que tem gente pagando por isso. Mas… será que realmente é justo cobrar R$ 3 mil por um smartphone? Mais: será que quem paga R$ 3 mil está comprando pelos benefícios que o produto está oferecendo? Ou pela vaidade latente que a aquisição de um produto desses oferece?

As operadoras nacionais não podem ser excluídas dessa equação. A TIM não facilitou nos valores do Galaxy Note 3 nos planos pós, com o absurdo valor de R$ 2.299. Na Claro, se você pagar um pacote generoso de dados e minutos, você paga R$ 649 no smartphone (mas para isso, o valor do seu plano de telefonia será uma paulada), e para os planos pós, o Note 3 custa R$ 2.699. Ainda assim: é caro!

Vivo e Oi ainda não revelaram os seus valores para o produto, mas não vamos criar muitas expectativas, correto?

Todas as partes envolvidas (fabricante, operadora e consumidor) fazem parte de uma máquina viciada. O pior é que a parte do consumidor é a engrenagem que menos gostaríamos de ver funcionando nessa máquina. Nós, consumidores, supervalorizamos marcas e produtos, entendendo que um produto que custa esse valor pode massacrar modelos de outras marcas e valores inferiores, e acabamos pagando pelo status do “exclusivo”. Em contrapartida, essas marcas compreendem que muita gente no Brasil pensa dessa forma, e entrega aquilo que eles querem: o produto por preços elevadíssimos, para atender a vaidade de alguns.

Por outro lado, outra grande parcela da população se conforma com esses preços, com as desculpas tradicionais, que vão desde o “no Brasil tudo é caro, e nada vai mudar” até o “você paga pela experiência de uso”. Será? Na boa, não sei se a experiência de uso do Note 3 ou do iPhone 5 valem tudo isso não. Até porque eu quero um smartphone que funcione muito bem, atendendo minhas expectativas, oferecendo funcionalidade, agilidade, e realizando as tarefas do jeito que eu quero.

Por conta disso, comprei o Motorola Moto X. E, mesmo assim, por R$ 1.239, por considerar um preço mais que justo para aquilo que o produto me entrega na relação custo/benefício.

Não vou aqui dizer o que você faz com o seu dinheiro. É seu, e você gasta como bem entender. Mas questiono fortemente a sobrevivência dessa máquina mercadológica que nós, consumidores, alimentamos de forma burra em muitos casos. Não questionamos fabricantes e operadoras sobre os valores adotados, não questionamos ao Governo Federal sobre os impostos cobrados pelos produtos, e nem mesmo sobre o destino desses impostos. Não nos questionamos se esses produtos realmente valem tudo isso.

Infelizmente, nos dividimos em dois grupos: entre os conformados, que aceitam tudo isso de cabeça baixa, e aqueles que pagam por tudo isso, sem olhar para os lados.

Os poucos que não estão nesses dois grupos tentam consumir a tecnologia de forma mais consciente. Eu, ao menos, tento fazer parte desse terceiro grupo, e tento colocar esses pontos em discussão nesse post.

Fica a reflexão.