A Microsoft realizou ontem (07) a conferência inaugural da Build 2018, evento para desenvolvedores. A empresa sabe que eles são parte fundamental de sua estratégia, e nessa primeira abordagem, o foco claro é em um âmbito cada vez mais promissor: a inteligência artificial.

O futuro está marcado pela conquista da IA, e a Microsoft sabe disso. Também vimos como o Windows 10 ficou relegado a um segundo plano.

 

A IA como base de soluções de acessibilidade

 

 

 

A Microsoft falou de um foco diferente sobre esse aspecto, centrado absolutamente na acessibilidade e nas soluções que facilitam a vida das pessoas com deficiência.

Em 2017, a Microsoft lançou o Seeing AI, sistema que permite a câmera do smartphone ‘descrever’ o que pessoas cegas ou com séria deficiência visual estão vendo. A Microsoft citou outros exemplos, como o Helpicto, orientado a pessoas com autismo.

O sistema Alt Text do Microsoft Office é outro desenvolvimento onde a inteligência artificial se centra na acessibilidade. A ideia é de facilitar a inclusão de textos alternativos nos documentos para descrever imagens e gráficos que incluímos nos documentos.

 

 

Kinect revive (um pouco)

 

 

A Microsoft criou o programa AI for Accessibility, com orçamento de US$ 25 milhões nos próximos cinco anos para os esforços de desenvolvimento para melhorar a vida das pessoas com deficiência.

O programa se beneficia também da ajuda de software. Será lançada a plataforma Azure IoT Edge Runtime como Open Source, além de oferecer atualizações para o Azure Cognitive Services, que permitem contar com serviços que permitem contar com serviços com maior facilidade, como reconhecimento de voz, ditados de texto ou modelos de voz de tradução aos seus aplicativos.

Uma das surpresas do evento é o chamado Project Kinect for Azure que, de certo modo, ressuscita o periférico Kinect. A ideia é que esses sensores permitam trabalhar com soluções de inteligência ambiental, disciplina onde os entornos eletrônicos são sensíveis e proativos à presença das pessoas.

 

 

Windows? O que é Windows?

 

 

Satya Nadella se cansou do Windows, e ele demonstrou isso na sua última decisão executiva, com o desaparecimento da divisão Windows e a aposta na inteligência artificial e na nuvem.

Tal movimento foi confirmado na Build 2018. O Windows 10 foi pouco mencionado, e quando foi, era apenas para envolver o sistema operacional dentro do que a empresa chama de Microsoft 365: o conjunto do Office 365, Windows 10 e a suíte de serviços Enterprise Mobility + Security (EMS).

De fato, ficou evidente o pouco interesse em convencer os desenvolvedores para criar novos aplicativos para o Windows 10. Nem mesmo uma continuidade do discurso sobre os aplicativos universais que poderiam mudar tudo. O Windows 10 virou um elemento secundário de uma estratégia que já o considera quase como um componente quase ordinário.

Muito foi falado sobre inteligência artificial e muito da nuvem. No segundo caso, houve foco especial para toda a plataforma Azure, que está cheia de serviços onde a IA desenvolve um papel fundamental.

Por exemplo, os serviços de tradução que estão integrados no tradutor da Xiaomi recém apresentado, mas que também estão presentes em alguns smartphones da Huawei. Outro exemplo é o Azure Conversational AI, plataforma que permite implementar soluções de bots de mensagens.

 

 

Entre as tendências do futuro, recebe destaque o Azure Kubernetes Services (AKS), a integração do DevOps com AKS em Visual Studio Team, ou com outras soluções como o Azure IoT Hub, destinadas a implantar tais soluções em essa Internet das Coisas que teoricamente acabará conquistando todos os âmbitos de nossa rotina diária.

Entre os destaques do keynote, mostraram o Microsoft Graph e seu impacto em âmbitos industriais, com soluções como o Microsoft Layout. Nela, a realidade aumentada permite desenvolver espaços de forma rápida.

 

 

A tecnologia do Microsoft Graph também se integra com o Microsoft Teams, ferramenta de telepresença e videoconferência, que detecta e identifica quem está presente em uma reunião, além de transcrever em texto tudo o que é dito ou traduzir em caso de pessoas que não falam o mesmo idioma.

No caso o Windows, só foi comentado o número de dispositivos ativos com Windows 10. É surpreendente, especialmente levando em conta o lançamento da quarta grande atualizações do Windows 10 (também sem grande destaque), e com uma quinta atualização em curso. Nem de longe lembra o tempo em que Ballmer gritava o ‘developers, developers, developers’.

 

 

A Build se distancia um pouco do produto e do usuário final

 

 

No passado, eventos para desenvolvedores como esse serviam também para as empresas apresentarem soluções de hardware e software orientadas para o usuário final. Nesse caso, as novidades foram muito mais técnicas para os desenvolvedores, deixando os usuários um pouco a pé.

Isso começou na Build 2017, onde a Microsoft deixa claro que este era um evento para desenvolvedores, e nada mais.

É curioso como mudam os fotos. Será que na Build 2019 a Microsoft não vai mais falar da inteligência artificial com a mesma paixão que fez esse ano? Vamos esperar para ver.