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Na verdade, esse não é um rumor “novo”. A possibilidade da volta de Bill Gates ao posto de CEO da Microsoft paira no ar desde que o próprio deixou as suas atividades de conselheiro na gigante de Redmond, para se dedicar completamente às suas causas filantrópicas. Porém, os rumores voltaram a tomar força quando o site australiano IBTimes garantiu que a volta de Galtes para a Microsoft como CEO poderia acontecer nos próximos meses, em uma nova reestruturação interna da empresa.

Obviamente, a Microsoft não confirma o assunto, e Bill Gates nunca deixou transparecer que essa ideia passava pela sua cabeça. E nem iria. Mas, de fato, ele mesmo dava sinais claros que o seu ciclo na Microsoft já tinha se encerrado. Mas quem está próximo à gigante de Redmond sabe que não é bem assim.

Em uma de suas intervenções mais recentes na Microsoft Research Faculty Summit 2013, Gates deixou claro que toda a sua vida atual está dedicada a resolver os problemas dos menos favorecidos, e que não tem a menor intensão de deixar de aproveitar nenhuma porcentagem de tempo que utiliza na fundação que conduz com sua esposa, Melinda Gates.

Palavras firmes, de um homem decidido, certo?

Porém, muitas pessoas que eu conheço criticam a pessoa de Steve Ballmer como CEO da Microsoft, e diversos especialistas em tecnologia afirmam que o cara do “developers, developers, developers” nada mais é do que “o nada” dentro da empresa.

Particularmente, discordo e muito dessa forma de ver o mundo (e Ballmer, especificamente). Temos que lembrar que foi nas mãos de Ballmer que o Windows AINDA é o sistema operacional mais utilizado nos computadores pessoais do planeta, que foi Ballmer que estava à frente da Microsoft no momento de ascensão do Xbox 360, no nascimento do Kinect, e que de certa forma, é ele que está bancando a briga ao lado da Nokia para ocupar algum espaço no mundo mobile.

Ballmer é hoje o símbolo máximo da tentativa da Microsoft se renovar ou se reinventar, buscando se aproximar do consumidor.

Por outro lado, é inegável que apenas pelo carisma que Bill Gates tem aos olhos de muitos, a sua volta à Microsoft como CEO seria uma grande alegria para milhões de consumidores, milhares de funcionários, empresas parceiras da gigante de Redmond em diferentes segmentos de tecnologia, muitos blogueiros e jornalistas de tecnologia (eu inclusive), que passariam a ter assunto de balde, e até mesmo os investidores da empresa se animariam muito com esse retorno.

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Uma coisa é fato consumado: a Microsoft se reinventou por completo nos últimos anos. Produtos, estrutura interna e até mesmo a sua forma de trabalhar mudou. A intensão clara da gigante de Redmond é ser uma empresa mais aberta, próxima das pessoas, adaptada aos tempos modernos. Enfim, uma empresa mais “cool”.

Vendo esse cenário, não faz muito sentido que Bill Gates, que apesar ser mais carismático que Ballmer, não possui essa aura de renovação, possa nesse momento tomar as rédeas da Microsoft novamente. Ainda mais quando a empresa está tentando olhar para o futuro, e não para o passado.

Não resta dúvidas que a Microsoft não é a mesma sem Bill Gates, ainda que Ballmer tenha um cargo quase que meramente representativo (já que muitos acreditam que é Gates quem segue dando as canetadas nos bastidores, algo que é bem plausível). Para muitos, seria o máximo ver mais uma vez Gates em um keynote de um lançamento importante, mas essa é uma imagem que muito provavelmente não voltaremos a ver. Não são poucos que gostariam que os tempos dourados da Microsoft voltassem, e que “Tio Bill” estivesse na frente da empresa para isso.

Os novos nomes cada vez mais conhecidos da Microsoft devem substituir Steve Ballmer mais cedo ou mais tarde. Obviamente, será alguém da própria Microsoft, que não se distancie muito dos planos traçados pela empresa durante esses últimos anos. Para que Bill Gates volte a comandar a Microsoft, seria necessário acontecer uma quantidade absurda e subsequencial de erros (ou uma hecatombe de dimensões sem precedentes, o que vier primeiro) dentro da Microsoft.

Algo que não deve acontecer tão cedo. Ballmer é CEO da empresa desde 2008, e cinco anos depois, a Microsoft ainda não afundou. Pelo contrário. É uma empresa que registra lucros consecutivos a, pelo menos, sete trimestres fiscais consecutivos. E nas mãos de Ballmer, vejam vocês.

É evidente que Bill Gates tem que se assegurar completamente que os caminhos que a Microsoft vai tomar são os mais adequados para que a empresa siga financiando seus projetos de luta contra a pobreza. Mas, muito além disso, não devemos ter esperanças de voltar a vê-lo apresentando as novidades da Microsoft em um palco de algum grande evento.

Esse tempo, meus amigos, já passou. Vamos seguir em frente.

Com informações do IBTimes.com