Tais alertas são necessários, pois sei que tem muita gente que já está pensando em viajar para os Estados Unidos em 21 de setembro para ser um dos primeiros a conseguir o novo iPhone 5. Então, se você é um daqueles que já está comprando a passagem nesse momento, eu peço que pare e pense duas vezes.

Dois pequenos (grandes) problemas foram detectados logo de cara pelos olhares mais atentos na apresentação de hoje (12), realizada pela Apple, que podem atrapalhar a vida dos “early adopters” brasileiros. O primeiro desses problemas é temporário, e está na parte física do iPhone 5. O segundo, só deve ser resolvido depois que o smartphone chegar ao país, e ainda assim, vai demorar, por causa da morosidade das operadoras brasileiras.

Como você bem sabe, o iPhone 5 possui um slot para chips nano-SIM, que foi uma briga da Apple nos últimos meses, que acabou dando resultado. E, como o próprio nome indica, o nano-SIM é menor que o micro-SIM. Menor o suficiente para que os chips micro-SIM NÃO POSSAM SER CORTADOS para os chips nano-SIM, diferente do que fizemos dos chips SIM para os chips micro-SIM.

A imagem acima ilustra bem essa questão. Aquele engraçadinho apressado (também conhecido como “early adopter”) que tentar cortar o seu chip no formato nano-SIM vai simplesmente danificar o seu chip, cortando pedaços da área de contato do chip em si. A empresa Giesecke & Devrient, fabricante dos chips nano-SIM informa que, além do problema do formato do chip ser diferente, ele é 15% mais fino do que comparado às duas gerações anteriores, até mesmo para acompanhar a redução de espessura do novo iPhone. Ou seja, mesmo que você seja um ninja, ou um MacGuyver para cortar o seu micro-SIM exatamente no mesmo formato do nano-SIM, você não vai conseguir encaixar ele na gaveta de chips do iPhone 5, o que torna o seu recém cortado chip um pequeno pedaço de plástico inútil.

A solução nesse caso? Ou compra, e deixa ele na caixa até a sua operadora lançar o chip compatível, ou compra e usa como um iPod Touch de luxo.

O segundo problema para quem pensa em comprar o novo iPhone já nos próximos dias foi levantado pelos amigos do Tecnoblog.

Apesar do iPhone 5 ser um telefone compatível com as redes 4G “da maioria das operadoras do mundo”, essa maioria (e não sei porque isso não me surpreende…) não inclui o Brasil. Explico: o iPhone 5 está disponível em três modelos: dois modelos A1429, para redes GSM e CDMA, e o modelo A1428. Os modelos funcionam com frequências 4G LTE entre 700 e 2100 MHz, e a rede 4G brasileira vai operar em 2600 MHz. Ou seja… seu novo iPhone 5, que você pretende comprar nos Estados Unidos, NÃO VAI FUNCIONAR COM AS REDES 4G NO BRASIL… mesmo porque elas não existem (e, se existissem, não funcionaria do mesmo jeito).

Do jeito que está, não rola. Nesse caso, a solução é bem mais complicada. As alternativas são 1) a Apple lançar mais tarde uma versão do iPhone 5 compatível com o 4G brasileiro (possível, mas pouco provável: possível, pois esse iPhone novo pode ser fabricado no Brasil; pouco provável, pois criar uma linha de produção de uma versão que só seria comercializada aqui seria um desastre, além de encarecer o produto consideravelmente na “terra Brasilis”), ou 2) a Apple lança o modelo A1428, que suporta o LTE de 700 MHz (outro desastre, pois é a frequência que as emissoras de TV analógica usam no Brasil; se isso acontecer, você só vai usar o seu iPhone 5 com 4G quando você for avô, pois o leilão dessas frequências no Brasil só acontece no meio de 2013, e como as emissoras de TV querem adiar a desativação do sinal analógico….).

Só esses dois argumentos já são pontos a se pensar, se não vale a pena você segurar a onda e esperar mais um pouco antes de investir no iPhone 5. Ah, sempre sobra a terceira opção: comprar o novo iPhone 5, e usar com as jurássicas redes 3G/3G+ existentes no nosso querido e amado Brasil!

ATUALIZADO em 12/09, 19h58:
segundo o site G1, um dos problemas será resolvido já nesse fim de semana. A Vivo já se manifestou, informando que começa a vender os chips nano-SIM no mercado nacional a partir do próximo sábado, 15 de setembro, pelo mesmo preço que é vendido hoje os chips micro-SIM, R$ 10. Os chips compatíveis com o iPhone 5 serão vendidos em todas as lojas da operadora até o final do mês de setembro.

Isso indica duas coisas: que as operadoras já estão mirando os usuários que vão comprar o smartphone lá fora no ato do seu lançamento, e que o iPhone 5 “não deve estar tão longe de chegar ao Brasil”. Coloco “entre aspas” pois, como a própria Apple disse hoje, ele estará disponível em 100 países até o mês de dezembro. E essa janela pode variar bastante de país para país. Por outro lado, já anima saber que alguma operadora vai comercializar o chip, tornando a vida dos brasileiros mais fácil.

Ou seja, um problema já foi. Se você vai suportar usar o iPhone 5 sem o 4G, vivendo com o 3G/3G+ brasileiro, a decisão é sua.