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No dia 13 de março começa uma nova temporada do Mundial de Fórmula 1. A categoria sempre se caracterizou pelas novas tecnologias e métodos de engenharia avançada, em constante evolução, na busca por formar novos campeões.

As equipes contam com engenheiros que tentam dar um passo além do regulamento técnico, mas sem violar as regras. Artigos são lidos e relidos obsessivamente, na busca de maneiras onde a tecnologia disponível ofereça uma vantagem competitiva em relação às demais equipes. Logo, o interesse tecnológico que a categoria desperta vai muito além do esporte.

A nova batalha tecnológica está prestes a começar, e tentaremos nesse post mostrar os elementos chaves que podem definir a equipe dominante da temporada. Alguns elementos são intrínsecos à própria Fórmula 1, e outros se originam a partir das recentes mudanças de regras.

Apesar de outros elementos serem importantes, temos a seguir os sete que não podem ser esquecidos.

 

1. Design computacional e testes no túnel de vento

É sempre bom lembrar que os monopostos de Fórmula 1 são, essencialmente, protótipos. Ou seja, a equipe de engenheiros desenvolve os carros do zero (ou de uma evolução do modelo anterior) um dos carros mais rápidos do planeta sem colocá-lo na pista até o último momento. Logo, testar isso de forma adequada é um fator decisivo para a melhor base possível de desenvolvimento do carro ao longo da temporada.

As equipes contam com supercomputadores que processam estudos aerodinâmicos de alta precisão. As peças que apresentam resultados satisfatórios são fabricadas em escala para os testes no túnel de vento, que simula as condições aerodinâmicas reais sobre um carro em escala. Se a peça passa por esse filtro, ela é fabricada para os testes de pista. Antes da FIA limitar esses testes no túnel de vento, as equipes trabalhavam em três turnos, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Ainda que a FIA tente limitar a aerodinâmica dos carros ano após ano, esse segue sendo um fator de sucesso fundamental, já que um Fórmula 1 depende essencialmente disso. Os esforços em designs de asas e apêndices aerodinâmicos se justificam nos décimos de segundo ganhos na pista.

 

2. Capacidade de evolução

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Esse item poderia fazer parte do ponto anterior, mas vale a diferenciação por um simples motivo: algumas equipes são capazes de criar um carro bom logo de cara, mas que com o passar das corridas ficam para trás, não mantendo o mesmo ritmo de evolução das demais equipes.

Desenvolver uma boa base inicial é importante, mas também é fundamental manter um ritmo de evolução ao longo da temporada. Como são protótipos, os carros de Fórmula 1 estão em constante evolução. Tecnologicamente falando, a temporada da categoria é muito longa, e é preciso estar preparado para enfrentar a batalha da evolução.

 

3. Simulador

O simulador obteve uma especial relevância após a proibição dos testes ilimitados em pista. As equipes só podem rodar com os carros em determinadas ocasiões, e para realizar testes mais pertinentes, muitas equipes investiram muito dinheiro no desenvolvimento dos seus simulares, incorporando nas fábricas pilotos profissionais exclusivos para esses equipamentos.

Um simulador é uma espécie de ‘videogame’ com uma tecnologia de ponta, reproduzindo as condições e o comportamento do carro ao ponto de ser sensível à introdução de novos apêndices aerodinâmicos ou mudanças nos ajustes. Um bom simulador deve ser capaz de transmitir ao piloto as mesmas sensações que o monoposto transmitiria na pista.

Desse modo, é um item essencial para a evolução do carro, além de preparar para as condições básicas de cada corrida, auxiliando no desenvolvimento de boa parte do trabalho realizado na fábrica.

 

4. Unidade de potência

Ao longo dos anos, houve uma redução de custos e um foco para a eficiência energética da Fórmula 1, e o que era conhecido como um motor V10 em 2004 passou para o V6 atual, que tem um complexo sistema de recuperação de energia.

Se a aerodinâmica foi o grande diferencial das últimas temporadas da categoria, os motores retomaram o protagonismo perdido na década de 1990, marcando importantes diferenças entre as equipes. O motor da Mercedes dominou o campeonato de 2014, e os esforços para igualar seus números fizeram com que tanto Renault como Ferrari trabalhassem ainda mais nesse aspecto.

Em 2015, a Honda volta para a categoria com a equipe McLaren. É possível que eles sofram no começo, onde a prioridade dos japoneses será a confiabilidade, abrindo mão da potência – pelo menos no começo.

 

5. Gestão eletrônica da potência

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Quase tão importante que contar com um bom motor, a Fórmula 1 premia aqueles que são capazes de recuperar energias residuais (energia cinética das freadas e energia térmica que escapa do motor), gerenciando-as de forma adequada.

Os carros contam com dois motores elétricos que injetam a potência adicional recuperada ao eixo traseiro dos carros (que contam com tração traseira, ou seja, toda a potência é descarregada nas rodas traseiras). Tal recuperação em forma de potência não deve ser considerada uma potência extra disponível, mas sim um recurso para os carros gerenciar de forma eficiente o combustível disponível para uma corrida.

Por norma, os carros devem completar a corrida com um máximo de 100 kg de combustível, e a gestão energética faz com que os itens eletrônicos do carro sejam um elemento crítico na regulação do consumo de combustível e a aportação da potência. É preciso ser capaz de ter a máxima potência disponível com o mínimo de consumo de combustível associado.

 

6. Pneus

Em todas as categorias de automobilismo, existe uma máxima: os pneus são o único ponto de contato do carro com o asfalto, e são responsáveis por transmitir a potência e o agarre ao carro. Gerenciar adequadamente seu comportamento em sintonia com o veículo é outro fator crucial.

Um bom carro que gasta demais os pneus se transforma em um carro que dificilmente vai vencer corridas. Desde 2011, a Pirelli é responsável pelos pneus da Fórmula 1, oferecendo a cada corrida dois compostos de borracha: uma mais macia, e outra mais dura. Cada piloto deve usar os dois compostos durante a corrida…

…o que nos leva ao último elemento chave da Fórmula 1 em 2015.

 

7. Estratégia

Uma boa estratégia de corrida é algo cada vez mais importante na Fórmula 1 moderna. Carros rápidos com estratégias ruins sucumbiram para carros não tão rápidos, mas com boas estratégias. Por isso, as equipes buscam todas as informações que ajude na hora de tomar as decisões oportunas: computadores que realizam cálculos constantes, avaliando as opções estratégias, dados de telemetria instantâneos, geo-posicionamento dos carros em pista, entre outros recursos.

As equipes contam com dezenas de monitores com informações, e equipes de engenheiros cruzam dados com as fábricas constantemente, para que nenhum detalhe escape na hora de tomar decisões estratégicas. Sem falar na Pirelli, que controla as paradas de boxes para trocas de pneus e o controle do tráfego na entrada e saída de pista, além de possíveis aparições de um Safety Car, cálculo do momento de exigir uma maior potência ou economia de combustível, além dos fatores externos, como a meteorologia.

E vários outros fatores que não foram citados.

 

Conclusão

A Fórmula 1 é muito mais que uma competição de pilotos e equipes que tentam superar limites. É uma competição de engenheiros que tentam explorar ao máximo a tecnologia disponível em todos os âmbitos. É a tecnologia mais avançada do automobilismo, a serviço dos melhores pilotos de corridas do mundo.