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A China “se inspira muito” no ocidente, principalmente na Apple. É uma estratégia quase campeã, pois com o fechamento do país para os mercados ocidentais por décadas, a estratégia de copiar descaradamente os produtos que já fora fazem sucesso era a mais óbvia para as empresas daquele país.

Aliás, a Apple sempre foi alvo de cópia não só dos chineses, mas dos coreanos, dos europeus e de muita gente. O grande atrativo dos seus produtos era a proposta de dispositivos unibody. Mas mais além das grandes empresas, inspirações ou cópias mais ou menos descaradas, está o setor dos clones.

Smartphones clonados da Apple e de outras marcas aparecem de tempos em tempos, e a fonte desses produtos é a China, país com um endêmico e contínuo nascimento de fabricantes de dispositivos de baixo custo. Eles pegam o design dos modelos e marcas de sucesso e copiam tudo.

Agora, chegaram ao ponto de copiar as lojas e até o estilo de vestir do seu CEO. Apesar de parecer algo bizarro, também mostra claramente a demanda da Apple na China. E isso não é necessariamente algo ruim.

Enchendo os bolsos de dinheiro às custas da imagem de outro

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Na China, tem muita gente contrariada por pagar um custo extra para obter um iPhone novo antes de qualquer outra pessoa. Por isso, as lojas clonadas são uma solução muito interessante para todas as pontas. Oferecem o produto mais barato por não ter o implícito custo pela marca, e as diferenças de preço e da qualidade dos componentes tornam a imitação um negócio muito lucrativo, apesar de poder causar problemas para os imitadores a longo prazo. Nos Estados Unidos, por diversas oportunidades eles tentam fazer com que o governo chinês colabore na luta pela proteção da propriedade intelectual, aparentemente sem muito sucesso.

Desse modo, a China se tornou um paraíso para o nascimento de fabricantes e marcas que praticam a clonagem descarada, onde a Apple é um chamativo caso. Logotipos da empresa estão espalhados nas principais ruas de Shenzhen, quando esta cidade só tem apenas uma Apple Store e cinco distribuidoras autorizadas. Muitas dessas lojas são versões que também vendiam produtos oficiais.

A cópia era tamanha, que até os uniformes da empresa eram clonados.

 

Quando algo deixa de ser hypeado

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Por outro lado, parece que os clones das Apple Stores prederam fôlego nas últimas semanas. O número de lojas falsas da Apple caiu até ficar em um terço das que haviam em setembro de 2015. O mais curioso é que essas lojas decidiram começar a vender smartphones da concorrência, sendo agora distribuidoras não autorizadas de marcas locais, como Meizu, Xiaomi, Huawei e Oppo.

O fato de ser um clone tem efeitos positivos e negativos, e é um indicador de demanda claro, pela associação de, quanto mais se copia algo é porque mais demanda há. Por isso que essa redução pode ser efeito de uma possível mudança nas preferências dos consumidores chineses. As vendas de produtos Apple chegaram a diminuir pela metade desde outubro de 2015 em algumas lojas.

As vendas de iPhones na China aumentaram 84% desde setembro, e neste país a Apple lidera as vendas, com 27%, na frente da Huawei (24%) e da Xiaomi (14%). Ou seja, é um produto mais comum, cujo componente de aspiração caiu um pouco.

O risco de brincar com os limites de propriedade intelectual e as patentes não é baixo, e as consequências podem ser nefastas para a empresa, onde o país de origem faz uma pressão contínua. Por isso, mudar de estratégia (ou de aparência) pode ser mais uma maneira de se salvar do que uma resposta à queda na demanda.

 

O orgulho da pátria

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A mudança dessas lojas também pode ser uma consequência do aumento do apoio ao produto nacional. Alguns usuários acabam se encantando por marcas locais, ou simplesmente optam pelo Android depois de utilizarem o iOS.

A Huawei persegue de perto a Apple nas vendas em território chinês, e é comparada com os norte-americanos o tempo todo, tanto no desempenho dos produtos como na qualidade dos mesmos. O usuário chinês hoje prefere a Huawei porque para eles a empresa se tornou boa o suficiente, mesmo não tendo um smartphone tão bom como um iPhone.

A China segue como um mercado chave para os fabricantes de smartphones, e a Apple sai vitoriosa nas últimas análises de mercado. Porém, depois dos resultados financeiros divulgados nessa semana, vemos que as vendas do iPhone se mantiveram em unidades, algo que ocorre pela primeira vez na história do produto.

Pode ser que o iPhone tenha se normalizado na China, e que não compense manter o logotipo da Apple nas lojas, mas por enquanto os números indicam que as vendas do iOS seguem crescendo no país.

Mais informações: Business Insider