Apple QuickTake

Em 1995, a Apple era bem diferente. Ela buscava espaço em um mercado que não parecia encontrar. Estava bem perdida, e a prova disso (entre tantas) foi a sua entrada no mercado de fotografia digital, com as câmeras Apple QuickTake 100, 150 e 200, que custavam nada menos que US$ 749.

A Apple QuickTake era razoavelmente avançada para a sua época. Foi uma das primeiras câmeras digitais a serem produzidas em grande escala, chegando ao consumidor final. Ter uma dessa era sinônimo de foto na hora (e de carregar três pilhas AA sempre consigo).

 

 

A QuickTake 100 foi fabricada em parceria com a Kodak, e chegou ao mercado em 1994. Podia capturar fotos de até 640 x 480 pixels, com 1 MB de armazenamento, ou 8 fotos na resolução máxima (ou 32 fotos a 0.3 MP).

Os modelos QuickTake 150 e 200 chegaram depois, com melhorias nas lentes, foco e abertura. Isso resultou em uma queda de preço para US$ 600. Essas duas últimas foram produzidas em parceria com a Fujifilm.

 


As câmeras não contavam com foco automático, capturavam imagens coloridas a 24 bits, e precisavam ser enquadradas em um visor, já que não contavam com telas para pré-visualização. Uma pequena tela LCD mostrava os dados de armazenamento e fotos salvas, e um botão eliminava imagens.

Nenhum desses modelos alcançaram o sucesso comercial, mas a regista Time considerou as câmeras QuickTake um dos 100 gadgets mais importantes desde 1923. Steve Jobs nem sonhava desse título quando cancelou o projeto na sua volta para a Apple em 1997.

 

É interessante ver essa primeira aproximação da Apple no segmento de fotografia, já que esse experimento teve mais sentido e significado com o passar do tempo.

Desde os primeiros modelos do iPhone, a câmera e a interação do usuário com ela foi uma obsessão constante para a Apple, com grandes melhorias entregues com o passar dos anos. Até o iPod se beneficiou desse interesse, recebendo câmeras nas últimas gerações do iPod Nano e iPod Touch.

Com os novos iPhone 8 e iPhone X, a fotografia foi elevada para um novo nível, onde a Apple mais uma vez levanta a barra da melhor ferramenta fotográfica do mercado de telefonia móvel. O máximo expoente de um longo caminho, que começou lá atrás, com a rejeitada Apple QuickTake.