Tudo indica que aquela “pérola” chamada Apple Maps começa a fazer as suas primeiras vítimas dentro da Apple. Das duas, uma: ou Tim Cook recebeu o espírito de Steve Jobs, que ao ver o resultado final daquilo, executou a canetada, ou Tim Cook decidiu “colocar na mesa”, mostrar quem é que manda, e reestruturar a gigante de Cupertino de forma mais profunda. As primeiras cabeças que rolaram? Scott Forstall e John Browett.

Aqueles que são mais familiarizados com as personalidades dos executivos da Apple sabem que Scott Forstall, o até então vice-presidente sênior do iOS, era um dos diretores mais importantes e problemáticos da empresa de Cupertino. Algumas pessoas até pensavam que seria justamente ele o próximo CEO da Apple. Porém, quem assumiu o posto foi Tim Cook, e a trajetória de Scott na empresa chegou ao fim ontem (29), com o anúncio de sua demissão. Com ele, abandona a empresa John Browett, cheve de vendas nas lojas da Apple.

Para você medir a importância de Scott na Apple, ele era simplesmente o principal responsável pelo sistema operacional móvel iOS, e sempre teve um papel crítico no sucesso de todos os dispositivos com esse sistema. De fato, cumpriu com sua missão. Se produtos como o iPhone e o iPad são um sucesso, uma boa parte disso se deve ao iOS. Por outro lado, Forstall foi muito criticado por tornar a evolução do sistema operacional móvel algo muito mais lento, se comparado ao Android. E esse é um fato que vemos a olhos vistos.

Com o passar dos anos, o Android passou de sistema imaturo, lento e cheio de falhas, para ser um sistema operacional consistente, ágil e até mais completo que o iOS em diversos aspectos, principalmente nos quesitos gerenciamento de conteúdo e personalização. A prova disso é que os argumentos dos “Android Haters” foram se esvaziando com o passar dos anos, e em alguns casos, alguns até trocaram a plataforma da Apple pela proposta do Google.

Isso, sem falar no Apple Maps do iOS 6, que também é de responsabilidade direta de Forstall. Aliás, Scott praticamente assinou a sua carta de demissão, quando durante a apresentação do iOS 6, afirmou de forma categórica que os mapas da Apple erem um dos pilares do sistema operacional. Pois bem, como todos vocês puderam comprovar, o Apple Maps era simplesmente horrível, e duas semanas depois, Tim Cook teve que publicar uma carta com um pedido de desculpas pela baixa qualidade do produto. Quem sabe se, com a saída de Forstall, as coisas para o iOS comecem a evoluir com uma velocidade maior, até mesmo para acompanhar a agilidade dos concorrentes.

Já a demissão de John Browett tem motivos diferentes. O chefe de vendas das Apple Stores estava no cargo a apenas seis meses, mas esse foi tempo suficiente para que ele cometesse um erro grave: alterar as horas de trabalho de milhares de funcionários das lojas, causando o descontentamento de clientes, por causa da falta de atenção na hora da compra. Essa falha também fez com que a Apple emitisse um pedido de desculpas, mas dessa vez, no formato de um comunicado interno, e dirigida exclusivamente aos funcionários afetados pela mudança.

De qualquer forma, fica evidente que não saber gerenciar o pessoal das lojas Apple é um pecado imperdoável, e agora, Browett pode descansar em casa, sem ter que se preocupar com o peso de suas atividades profissionais.

As mudanças afetarão em partes os demais executivos da empresa, porque a ideia não é contratar um substituto para Forstall. Ou seja, boa parte dos executivos atuais (Jony Ive, Bob Mansfield, Eddy Cue e/ou Craig Federighi) preencherão as tarefas que eram de responsabilidade de Scott. Ive ficará à frente da equipe de interface humana e de design industrial do iOS. Eddy Cue vai cuidar do Siri e o Maps, além da loja do iTunes, a App Store, a iBookstore e a iCloud. Federighi será responsável do iOS e OS X, e Mansfield vai dirigir um novo grupo de tecnologias, que integrará equipes que trabalham com conectividade sem fio.

Já Browett será substituído por um novo executivo, que vai trabalhar sob a supervisão e total controle de Tim Cook. Pois, como dissemos anteriormente, as lojas da Apple são um elemento extremamente importante para a saúde da empresa. E Tim Cook não pode dar mole nesse aspecto.

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