Você está lá, assistindo a final do campeonato estadual, ou aquele capítulo decisivo da novela, ou até mesmo o Domingão do Faustão (que estranhamente ainda tem muita audiência) e, de repente, o sinal analógico da sua TV é simplesmente eliminado. Sim, amigo. Todos os canais saíram do ar. E agora? Como você reage?

É essa pergunta que o Governo Federal quer responder. O Ministério das Comunicações quer detectar a reação do consumidor com um “apagão de mentirinha” do sinal de TV analógica em algumas cidades brasileiras. A medida tem como objetivo principal prever os efeitos do apagão definitivo desse sinal, que está previsto para acontecer em 2016, se não houver nenhum tipo de prorrogação na decisão. O “apagão piloto”, como é chamada a iniciativa, vai acontecer em algum momento após a Copa das Confederações, ou seja, no segundo semestre de 2013.

O falso apagão também serve como uma simulação de desligamento da transmissão do sinal analógico, antes da transição para o sinal digital no Brasil. Ainda não foram definidos os locais onde os testes serão realizados, mas segundo o Ministério das Telecomunicações, cidades do Sul e do Nordeste brasileiro devem ser escolhidas para a simulação, o que permite uma maior avaliação de realidades sociais distintas no estudo.

O desligamento do sinal analógico de TV também é importante para o setor de telefonia móvel, uma vez que essa mesma frequência será utilizada no futuro pelas redes de telefonia em 4G. Mas, para isso, o sinal de TV não pode mais ser transmitido nessa frequência. Alguns especialistas acreditam que as redes de TV aberta não estarão preparadas para a transição para o sinal digital, e que dificilmente toda a população brasileira terá televisores com um conversor digital. Logo, não será surpresa se o prazo do desligamento for prorrogado em algumas regiões do país, atrasando parte de todo o processo.

Por enquanto, o “apagão piloto” é apenas um projeto do Ministério das Telecomunicações. Ele ainda precisa ser discutido de forma mais detalhada, antes de ser encaminhada à presidente da república, Dilma Rousseff.

Via Folha de São Paulo