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Em apenas quatro meses, um novo cenário de sistemas operacionais foi formado. Depois das batalhas pelos sistemas de computadores e smartphones, agora temos a briga entre os softwares para os smartwatches. Com a chegada do Apple Watch, três grandes concorrentes lutam pelo consumidor – Android Wear e Tizen já estão na briga a algum tempo -, e a corrida mal começou. Todos tentam oferecer a melhor experiência possível, mas é difícil saber o que cada um deles realmente oferece.

 

Apple Watch

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A Apple é a mais recente adição ao mercado de smartwatches, e apesar de fisicamente o relógio não cair no gosto de todos, sua plataforma é (aparentemente) muito completa.

Uma interface cheia de ‘bolhas’, que mostram todos os aplicativos instalados, que é controlada por uma coroa na lateral do relógio, ou pela tela sensível ao toque. A diferença de uso não é muito diferente entre um aplicativo e outro, e isso é importante para a experiência de uso. A Apple ainda não mostrou todo o potencial dessa interface. Por enquanto, sabemos que podemos receber notificações a partir do smartphone, responder mensagens, realizar leitura de texto e obter respostas através do comando de voz. Tudo isso, sem tirar o iPhone do bolso.

Além disso, você não só pode responder mensagens de texto ou realizar chamadas, como também enviar desenhos, emoticons animados e até a pulsação do nosso corpo para nossos amigos. O relógio também conta com sistema de navegação (com a ajuda do GPS do smartphone) pelo serviço de mapas da Apple, controle do player musical, exibição de compromissos no calendário, controle de cartões e bilhetes do Passbook e compatibilidade com o Apple Pay.

Também é possível controlar a Apple TV pelo relógio, assim como a câmera do iPhone, visualizar as fotos na pequena tela e enviar ordens para o smartphone pelo comando de voz no relógio. O Apple Watch possui também aspirações esportivas, com serviços de quantificação que trabalham em conjunto com o co-processador M8 do iPhone durante as diferentes atividades.

Soma-se a tudo isso os aplicativos considerados padrão: alarmes, cotação da bolsa e, é claro, o relógio (que pode ser personalizado com várias interfaces). Todos esses recursos podem ser customizados pelos desenvolvedores, através da plataforma WatchKit.

A Apple foi a última a chegar, mas oferece uma proposta muito sólida, sem falar no valor agregado de um iOS consolidado, com uma plataforma fiel de desenvolvedores.

 

Android Wear

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A Google tem no Android Wear uma estratégia muito parecida com a feita no Android: criar uma plataforma ‘universal’, onde qualquer fabricante pode criar o seu relógio sem se preocupar muito com o software. Por enquanto, ASUS, LG, Motorola, Samsung e Sony são os seus parceiros, mas essa lista deve aumentar em 2015.

Sua interface apresenta um sistema de fichas deslizáveis na vertical, que permite o salto de um aplicativo para o outro. O movimento na horizontal realiza a navegação nos diferentes menus. Alguns modelos começam a incorporar botões físicos para a navegação.

O Android Wear aposta na informação contextual, tal como acontece hoje no Google Now. As notificações que chegam pelo smartphone podem ser respondidas pelo relógio com mensagens pré-definidas, mas ainda não há um modo de resposta em função do conteúdo. Obviamente, o Google Now está integrado, e pode ser usado o microfone incorporado do smartphone para realizar buscas ou comandos pelo relógio. Esse é um item que a Google ainda precisa melhorar um pouco no seu reconhecimento, já que tal item no smartphone funciona muito bem.

Os mapas estão presentes via Google Maps, oferecendo o serviço de navegação para mostrar as indicações na tela do relógio. Esse item também se relaciona com as atividades esportivas, mas de forma ainda tímida, permitindo apenas a contagem de passos e a informação da distância percorrida.

A Google já liberou o SDK do Android Wear, e o tempo vai mostrar o seu crescimento. Por enquanto, temos algumas integrações de aplicativos do smartphone no relógio, através de notificações, além de demonstrações de apps para pedidos de produtos e serviços via delivery.

Apesar de já ser a plataforma mais presente no mercado, ainda conta com algumas carências em relação a concorrência. Os próprios fabricantes confirmam que alguns dos seus modelos contam com sensores que ainda são incompatíveis com a atual versão do Android Wear. Tudo indica que até o final de 2014 teremos mais uma revisão, que deve trazer novas funções e melhorias.

 

Tizen

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A Samsung segue um caminho próprio com o Tizen, e já tem algum tempo. O novo Gear S mostra todo o potencial da plataforma, onde o seu principal diferencial foi a sua independência em relação ao smartphone, com suporte para SIM cards para uma autônoma conectividade. Isso torna o sistema único para os esportistas e usuários casuais, que querem deixar o smartphone em casa.

Para o Tizen, a Samsung foi atrás de parceiros. O sistema de navegação é o Here (Nokia), além de uma parceria com a Nike para um aplicativo esportivo. Sem falar no aplicativo Salud S, que tira proveito dos sensores presentes nos smartphones top de linha da empresa (acelerômetro, giroscópio, pulsômetro, etc).

Também temos as funções mais genéricas, como por exemplo as notificações do smartphone, previsão do tempo, cotação da bolsa, relógio, etc. O SDK já está disponível para os desenvolvedores, mas tudo indica que a principal base do Tizen está nos acordos já fechados com diferentes empresas e prestadoras de serviços.

Enquanto o Android Wear aposta na aparência comum a qualquer outro relógio, a Samsung quer que o Tizen esteja em produtos com designs diferenciados, para chamar a atenção primeiro por fora, para depois mostrar os benefícios de sua plataforma.