Android One

 

Em 2016, a Google surpreendeu com uma mudança lógica, porém, radical: criaram smartphones de acordo com sua visão do que entendia ser “o ideal”, lançando os modelos Google Pixel e Google Pixel XL.

Os dispositivos mostraram suas virtudes, mas tiveram uma consequência inesperada: o fim da família Nexus, e com ela, da antiga filosofia da Google em oferecer excelentes smartphones com preços muito competitivos.

Agora, a esperança de ressurreição dessa filosofia está nas mãos do Android One.

 

 

Dos mercados emergentes para o mercado global

 

 

O Android One estava orientado a conquistar os mercados emergentes quando foi criado no verão de 2014, mas agora parece que a ideia de smartphones baratos e “bons o suficiente” pode ser aproveitada em outros mercados.

Fato é que o caminhar do projeto foi discreto desde o começo. Países como a Índia viram o Android One com fabricantes desconhecidos. O mesmo aconteceu na África. Seus requisitos técnicos eram claros quando a proposta foi lançada, mas foram se flexibilizando com o passar do tempo.

Isso fez com que a experiência de software prometida pelo Android One migrasse para dispositivos, países e fabricantes que originalmente não estavam originalmente pensados para esse programa do Google.

A chegada do Android One nos Estados Unidos ainda não está confirmada oficialmente, mas é um marco claro dentro dessa “estratégia geral de hardware” que a Google fala há menos de um ano.

 

 

Novo Android One = Novo Nexus?

 

 

O que todos queremos é que o Android One se transforme no que a família Nexus conseguiu para a Google. O sinal de identidade de oferecer smartphones com configurações surpreendentes com preços muito baratos foi algo muito forte para essa marca.

Hoje, os fabricantes chineses assumem esse perfil. O OnePlus 3T e vários modelos da Xiaomi entregam ótimas configurações de hardware com preços surpreendentes. O problema é que não são modelos Nexus, e não contam com as mais recentes versões do Android.

Ainda é cedo para dizer se o Android One será uma Xioami nos Estados Unidos. Mas o que a Google fez com os modelos Pixel deixa claro que só a Google pode otimizar o comportamento dos smartphones, se aproximando ainda mais da filosofia da Apple em oferecer uma experiência superior através do controle absoluto do dispositivo.

 

 

Um sonho: um Nexus por menos de US$ 200

 

 

Faz tempo que vemos como o segmento de linha média está com preços cada vez mais elevados, com modelos muito diferentes, com grandes configurações e bons preços, e outros que não são tão bons assim para o que custam.

Há múltiplas interações dos modelos de linha alta (com edições Lite ou Mini), deixando o consumidor confuso sobre o que realmente foi sacrificado nesses modelos.

No terceiro trimestre de 2016, o Android contava com uma cota de 53% nos Estados Unidos. Ainda há muita margem de mercado para ganhar, e o Android One pode ser essencial para isso.

A Google pode dar o golpe na mesa com dispositivos na faixa de US$ 200, se posicionando em um mercado de entrada mais exigente, dominada tradicionalmente pelo Moto G. Isso mudou um pouco quando a Motorola foi comprada pela Google, e o quadro não mudou quando foi repassada para a Lenovo.

Não só isso: a Google atacaria em cheio o catálogo de empresas como Xiaomi, que só não vende mais porque não sai (oficialmente) da China. O movimento de Mountain View pode consolidar o seu real modelo de negócio: coleta de dados para fortalecer serviços de publicidade.

 

 

A Google poderia inclusive vender seus dispositivos sem margens de lucro para fortalecer a sua presença nos Estados Unidos. A tática pode funcionar em outros países onde não está tão presente.

Veremos como as peças do jogo se movimentam nos próximos meses.