A Microsoft trabalha de forma incansável em aproximar o ecossistema de todos os seus futuros produtos em uma interface única. A Apple quer cada vez mais integrar os recursos e a aparência do bem sucedido iOS no Mac OS. E tudo isso tem como objetivo manter os PCs (aqui, incluímos os desktops, notebooks e ultrabooks; excluímos os netbooks da conta, pois esses já estão praticamente mortos) relevantes no mercado. Porém, um recente estudo publicado pela Gartner mostra que os dispositivos com os sistemas iOS e Android estão lentamente canibalizando as vendas dos PCs.

Na verdade, o processo é descrito sabiamente como “sangrento” do mercado de PCs. O estudo revela que os consumidores estão substituindo os seus PCs por produtos que fazem a mesma coisa, com mais opções de mobilidade, e muito mais baratos. Nesse caso, smartphones e tablets se encaixam como uma luva, pois mesmo em mercados com preços mais abusivos como o Brasil, um tablet razoável custa aproximadamente a mesma coisa que um computador desktop.

Além disso, o estudo  da Gartner revela que os consumidores estão usando bem menos os PCs, e quando o fazem, é só para tarefas consideradas específicas ou críticas, e mesmo assim, algumas dessas tarefas já podem ser realizadas por tablets e smartphones. Por causa disso, esse grupo de consumidores não encaram como real a necessidade de atualizar os seus PCs de forma tão frequente como faziam no passado, uma vez que as principais inovações do mercado de tecnologia “migraram” para o mundo mobile.

Com o passar dos anos, os PCs se tornaram robustos o suficiente para que a necessidade de atualização não se fizesse presente por um bom tempo. Por exemplo, se você é um usuário com necessidades tradicionais (nada muito exigente ou específico), você pode comprar um computador hoje, e só atualizá-lo daqui a dois anos, e ainda assim, você precisa avaliar se realmente vale a pena o upgrade, ou se é melhor investir em outro equipamento. Se você só usa o PC para navegar na internet, ler e-mails, redigir textos e alguns joguinhos, essa janela de tempo é maior, e dependendo do usuário, é melhor comprar logo um notebook, tablet ou smartphone mesmo.

Além disso, as atualizações de aplicativos para PCs é algo que “se engessou” nos últimos anos. Os desenvolvedores ficaram tão focados no mercado mobile, que os aplicativos de desktops quase que são esquecidos. Afinal, qual foi a última vez que você atualizou o seu PC para rodar um novo programa? Ou melhor: qual foi a última vez que você atualizou um software realmente importante no seu computador?

Então, existe alguma esperança para a indústria dos PCs?

Pelo andar da carruagem, é difícil que a resposta seja “sim”. O Windows 8 vai ser a grande modificação no cenário mundial de computadores em 2012, e o sistema está claramente mais voltado para os computadores com telas sensíveis ao toque e, em um segundo momento, para os tablets. O mercado de computadores está, aos poucos, se adaptando para essa realidade, e já anunciam seus futuros produtos com telas sensíveis ao toque, tanto nos desktops quanto nos notebooks e ultrabooks. Porém, a relação custo/benefício dos tablets parece ser maior para quem busca apenas o entretenimento e a prática navegação na internet, deixando os PCs para quem necessita prioritariamente de produtividade.

Outro fator que precisa ser considerado é que boa parte dos usuários vão sentir o “choque” da nova interface presente no Windows 8, e esse efeito é algo que a Microsoft não pode controlar. É praticamente impossível dizer o que pode acontecer. Por um lado, o Windows 8 pode estimular os usuários de PCs a trocarem os seus equipamentos para receber os benefícios do novo sistema, e isso reaqueceria o mercado por algum tempo. Por outro lado, os consumidores podem agir de forma extremamente conservadora, não adotando o novo sistema operacional com a mesma velocidade esperada pelo mercado.

Para evitar isso, a Microsoft trabalhou em duas frentes. A primeira delas foi apresentar previamente o sistema operacional, oferecendo o maior número de betas públicos da história, permitindo que todos testem antes tudo o que está por vir. A segunda medida é permitir o downgrade do sistema operacional para até o Windows Vista (dependendo da versão escolhida pelo usuário), oferecendo uma opção para o usuário que não se adaptar ao Windows 8.

De qualquer forma, só o tempo vai dizer como vai ficar o mercado de PCs. Particularmente, acredito que os desktops não morrem, mas é fato que eles não são mais a primeira escolha dos usuários domésticos. O computador convencional, de mesa, só será útil para atividades específicas, em setores específicos. Para a maioria dos meros mortais, é melhor pensar no conceito do “quero usar o meu computador em qualquer lugar”. O mundo está, definitivamente, voltado para a mobilidade.

Para mais informações sobre o estudo da Gartner, clique aqui.