realidade virtual

 

Nos últimos meses, estão circulando testemunhos estranhos sobre os efeitos da realidade virtual. Alguns se afirmam tristes, mas outros tantos alegam que custam a voltar ao mundo real.

A realidade virtual veio para ficar, e a pergunta mais relevante nesse momento é: é possível que a realidade virtual soterre nossa capacidade de experimentar o mundo que nos rodeia?

 

“Uma parte da minha mente não podia estar segura”

 

 

Vários relatos descrevem que os sintomas variam, desde uma sensação difusa de sonolência até um desprendimento que pode durar dias ou semanas.

Lee Vermeulen, um desenvolvedor de games canadense, descreve que após o fim de uma demonstração, sentiu como se uma parte de sua mente não podia estar segura, gerando um medo existencial que só pode ser acalmado quando ele caminhou um pouco no ambiente que estava, tocando as coisas que o rodeava.

É difícil detectar a real condição disso, pois nesse momento há poucas pesquisa sobre o tema. O que sabemos é que muito provavelmente algumas pessoas são mais suscetíveis que outras aos efeitos descritos.

 

 

O que diz a ciência

 

 

Alguns estudos buscam a relação direta entre a realidade virtual e a experiência dissociativa.

O primeiro foi feito na Universidade de Montreal entre 2006 e 2010. Os pesquisadores descobrira que a exposição à realidade virtual induzia à dissociação diante da realidade objetiva.

A mostra era pequena e a tecnologia incipiente para tirar conclusões, mas o restante do estudo coincide com a relação entre as duas partes. E isso leva à reflexão.

A dissociação é, fundamentalmente, o resultado de dois fenômenos: a desrealização e a despersonalização.

A primeira é uma alteração da percepção do mundo exterior, que se experimenta como algo estranho ou irreal. No segundo, o objeto experimentado como raro e irreal é o mesmo.

Não são enfermidades, mas sim “sintomas” associados a transtornos psiquiátricos, o consumo de certas drogas ou a privação do sono.

 

 

Devemos nos preocupar?

 

 

Não há nada de estranho aqui.

Vários estudos mostram que, como em todo aspecto psicológico, há diferenças individuais importantes. Todos nós temos a mesma facilidade para experimentar experiências de dissociação.

Por isso, o mais provável é que a proliferação de histórias desse tipo aconteça pelo fato da realidade virtual ser uma tecnologia em expansão, e mais e mais pessoas estão conhecendo a mesma.

Do mais (e, a não ser que aconteçam transtornos subjacentes), não há motivos para preocupação, a não ser admitir que esta não é uma tecnologia para todos.