O termo Metro era oficialmente utilizado pela Microsoft para se referir à interface do Windows 8. Era. Todo mundo se acostumou com o nome, todo mundo aceitou o nome por causa da ideia dos tijolinhos um atrás do outro (ou pela métrica perfeita que os quadrados e retângulos apresentam na tela), mas por “motivos ainda não muito bem explicados”, o nome foi sumariamente eliminado da estratégia de marketing do novo sistema, do Windows Phone 8, da nova interface do Xbox, e de qualquer coisa relacionada a algum software da empresa de Redmond. E o objetivo desse post é responder a pergunta mais importante: por que?

Segundo o pessoal de Redmond, o termo Metro era apenas o nome de código da interface, e que ele “jamais foi considerado oficial” para a nova plataforma. Mas essa impressão nunca foi passada pela Microsoft, e por trás da decisão, questões legais podem estar envolvidas. Segundo a colunista do ZDNet, Mary Jo Foley, que é conhecida por ser alguém muito bem informada sobre os assuntos que rolam nos corredores da Microsoft, o real motivo da mudança seria os problemas com direitos autorais com uma empresa europeia chamada Metro Group. E, aparentemente, a Microsoft não estaria apta, ou simplesmente não queria se envolver com questões legais sobre um simples nome de interface.

Mas remover o termo Metro parece ser mais complicado do que parece. A decisão não afeta apenas a Microsoft, mas também os demais fabricantes de computadores, desenvolvedores de software, e todos aqueles que indiretamente estão envolvidos com o Windows 8, seja na área do marketing do produto, como também (e principalmente) na parte de promoção do novo sistema operacional. Todos agora terão que replanejar os seus respectivos segmentos (pior para os desenvolvedores, que terão que reprogramar os seus programas, aplicativos e documentações), eliminando toda e qualquer referência ao termo Metro. E pior: a exclusão do termo também afeta todo o conceito da nova interface, que a Microsoft trabalhou de forma pesada nos últimos meses.

A Microsoft alega que usou o nome “de código” Metro porque “é moderno, limpo e fácil. É 100% autêntico”. E eles estão certos em afirmar isso. Só que, quando promoveram a interface, eles vincularam o tempo todo essa ideia na palavra “Metro”. Jamais a empresa afirmou, como faz agora, que o termo Metro era apenas “de mentirinha”. Mas, como eles estão tomando todo o cuidado do Universo para não se envolverem em questões legais, é melhor prevenir do que remediar (ou pagar milhões de dólares para outras empresas).

Eles não são os únicos a passarem com problemas por causa do nome de algum produto. A Apple também teve dificuldades com a Cisco Systems ao utilizar o nome iPhone. Porém, as duas empresas fecharam um acordo amigável para poder utilizar o termo em seu smartphone. Além disso, recentemente, a empresa de Cupertino se envolveu com problemas com a fabricante chinesa Proview por causa do termo iPad. A solução disso? US$ 60 milhões a mais na conta bancária da Proview, e o problema foi resolvido.

E fica a pergunta: “será que a Microsoft não poderia brigar mais pelo termo Metro, ou pagar alguma grana a mais para usar o termo?”. Em teoria, sim. O termo Metro é relativamente “novo”, e a Microsoft utilizava o termo desde o início do Windows Phone 7, para descrever a interface do sistema operacional móvel.

Pelo visto, a Microsoft não está interessada em entrar em uma briga pelo Metro (o nome) porque está vendo alguns passos a frente. O Windows 8 já recebeu algumas críticas, principalmente pelos usuários de desktops e laptops, que afirmam que a nova interface é voltada demais para os tablets. Se a Microsoft quiser desistir da ideia (o que, particularmente, pelo andar da carruagem, acho muito difícil), eles podem, sem se prender a nenhum termo em específico. Caso a nova interface não funcione bem nos desktops, laptops e ultrabooks, eles podem simplesmente tomar outro caminho para esse segmento, e deixar a nova interface exclusiva para os tablets e smartphones.

Por isso, optaram por chamar a nova interface de Windows 8 UI. E nada mais. É claro que o nome não é tão chamativo e interessante como Metro, mas é muito melhor do que ter que pagar direitos autorais por causa de uma palavra de cinco letras. É melhor batizar com o seu próprio nome o seu próprio filho, e deixar claro para todo mundo quem pensou primeiro na ideia de agrupar os tijolinhos na tela. Antes que alguém vá para os tribunais, dizendo que pensaram nisso primeiro.