current-effort-google-nsa

Mais polêmica e confusão para o lado do governo norte-americano, e mais especificamente, para a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA). Segundo o Washington Post, o citado órgão de inteligência teria acessado informações de centenas de milhões de usuários, sem uma ordem judicial, contradizendo assim a postura oficial de que todas as intervenções de espionagens feitas pela agência foram realizadas de forma pontual, e com a bênção da justiça dos Estados Unidos.

O suposto programa que espionaria os meros mortais tem um nome específico, “MUSCULAR”, e teria sido utilizado para obter os metadados das mensagens enviadas pelos serviços do Google e Yahoo.

Explicando o que a NSA faz (ou deveria fazer): eles solicitam a um tribunal o direito para examinar as comunicações de uma pessoa em específico. Se essa reclamação é aceita, uma ordem judicial é emitida, considerando o pedido pertinente, e as empresas de internet oferecem os seus dados para a NSA.

Esse procedimento oferece certas garantias aos cidadãos (pelo menos os norte-americanos), mas isso, na teoria. De acordo com as últimas revelações de Edward Snowden (ex-analista de inteligência da CIA, e “persona non grata” de Barack Obama), a NSA mantém um sistema de espionagem paralelo ao PRISM, que opera fora do conhecimento das empresas utilizadas para espionar os usuários.

Como outras plataformas similares mantidas pelas agências de inteligência dos Estados Unidos, o MUSCULAR conta com a participação das autoridades britânicas, através do Quartel General de Comunicações do Governo do Reino Unido (GCHQ). Tanto a NSA como o GCHQ estariam acessando essas informações, não através dos backdoors e softwares dos servidores ou utilizando trojans, mas sim através de sniffers localizados estrategicamente nas conexões de fibra óptica utilizadas para comunicar os centros de dados das empresas espionadas.

Isso quer dizer que os metadados de e-mails do Yahoo e da Google não só são obtidos via PRISM, com consentimento judicial (e com um certo grau de supervisão, mesmo que seja mínimo), como também através de um “caminho livre”, mantido em segredo pela NSA e pelo GCHQ).

A Google se manifestou sobre o assunto. Afirma estar “preocupada com as acusações de que o governo intercepta o tráfego entre nossos centros de dados, e não temos constância dessa atividade”, não sem indicar que seguirão adicionando sistemas de criptografia de dados “em mais e mais serviços e links do Google”, como resposta à espionagem da NSA.

A Yahoo foi um pouco mais política, e se limitou a dizer que possui “controles restritos para proteger a segurança de nossos centros de dados, e não damos acesso aos nossos centros à NSA, ou a nenhuma outra agência do governo”.

E essa história vai dar muito o que falar nos próximos dias. Prevejo mais tempestades de críticas e acusações para Barack Obama e sua turma.

Via Washington Post