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Não sou eu que está afirmando isso. Que fique bem claro.

O vice-presidente da Nokia, Bryan Biniak, deu uma entrevista recentemente para o site britânico IBTimes, onde demonstrou suas impressões e aparentemente insatisfação com as vendas dos smartphones da empresa com o sistema operacional Windows Phone. A Nokia vem lançando de forma regular novos dispositivos desde o lançamento oficial do Windows Phone 8, e desde então, a própria Nokia está tentando fazer a Microsoft rever a sua estratégia com o sistema operacional. E isso está gerando alguns desgastes entre os envolvidos.

Aparentemente, a Nokia quer que a Microsoft acelere o processo de desenvolvimento do Windows Phone, com o objetivo de facilitar a inclusão de aplicativos que a empresa considera “essenciais” para entrar em uma competição com as plataformas dominantes do mercado (Android e iOS). Palavras de Bryan Biniak:

Para dar à você (consumidor) um motivo para trocar (de plataforma), eu preciso garantir que os apps que você usa hoje no seu dispositivo não só estarão presentes em nossos smartphones, mas que estarão melhores. Eu também preciso oferecer uma experiência única, que você não vai encontrar em outro dispositivo.

A Nokia sempre bateu pesado na tecla da experiência do usuário, e segue nesse conceito com o Windows Phone. Porém, é fato que a plataforma da Microsoft não pode oferecer a mesma experiência do Android e do iOS sem ter parte dos principais aplicativos presentes nas duas plataformas líderes do mercado.

Biniak segue:

Nós estamos lançando novos dispositivos frequentemente, e para cada novo dispositivo, se existe um aplicativo que as pessoas gostam, mas ele não está presente (na nossa plataforma), esta é mais uma oportunidade de venda perdida.

É sempre bom lembrar que a Nokia AINDA vende mais dispositivos com o sistema Asha (ou Nokia Asha, ou feature phones) do que modelos com Windows Phone. E mesmo que a Nokia ganhe dinheiro com mercados/usuários de entrada, o seu desejo principal (até mesmo para começar a dar lucros, depois de anos com prejuízos) é fazer com que os modelos com Windows Phone deslanchem de uma vez no mercado mobile.

O executivo da Nokia conclui a sua linha de raciocínio:

Nós estamos tentando envolver o pensamento cultural (da Microsoft) para a ideia do “o tempo é essencial”. Esperar até que o ano fiscal (da Microsoft) chegue ao fim quando você precisa se aproximar dos seus adversários não é algo positivo quando precisamos vender smartphones hoje.

Aqui, para bom entendedor, meia palavra basta.

Será que estamos testemunhando o início de uma briga nesse casamento? É bom lembrar que Steve Ballmer “se deu” o prazo para até o final de 2013 para alcançar os dois dígitos de cota de mercado mobile. E, nesse momento, o Windows Phone (praticamente contando apenas com a Nokia) não consegue chegar aos 5% de mercado. E as vendas da Nokia com Windows Phone crescem a cada trimestre, mas não conseguem colocar a fabricante finlandesa entre as cinco maiores vendedoras de dispositivos móveis do planeta.

Vamos esperar pelos próximos acontecimentos.

Via IBTimes, The Verge