O projeto Androdeda da Microsoft é um tablet com tela dupla dobrável, que é inovador não pela ideia, mas pela possibilidade real de chegar ao mercado.

É um dispositivo de tela dupla, mas que não é um smartphone, nem um tablet, nem um PC. Ele contaria com um processador (Qualcomm Snapdragon 850, talvez?), mas a Microsoft pode congelar o projeto.

Todos os produtos Surface estão entregando bons resultados de inovação, boa construção, bom design e excelente experiência de uso. É a primeira vez em anos que a empresa inova mais que a Apple, mas no caso do Andromeda pode ser um “fomos longe demais” para a Microsoft, já que ele não cobre nenhuma necessidade atual dos potenciais clientes.

Criar um novo segmento de mercado é algo difícil. A suposta vantagem do produto contar com Windows 10 não seria algo substancial sem apps e sem conhecimento prévio. O formato muda, mas este não é o problema, mas sim que o software não estaria nem preparado ou polido para oferecer uma experiência útil.

Aliás, nem o Surface acertou de primeira. Ou todo mundo já se esqueceu do Surface RT, cujo problema maior veio do software, que era velho e limitado. Ou Surface Pro, que não era nem uma coisa nem outra, já que era pequeno para ser um notebook e grande para ser um tablet.

Mas um bom exemplo de acerto da Microsoft foi melhorando o Surface Pro 3, que mostrou um verdadeiro potencial. Os riscos assumidos valeram a pena, e o Surface Studio é genial. O Andromeda deveria ser o novo risco da Microsoft que vale a pena assumir.

De novo: o problema não está tanto no hardware, que agora existe, e nem de software, que pode ser melhorados sempre. Mas sim da falta de um propósito para existir.

Isso lembra outros tantos produtos que, na época, não contavam com um nicho claro até o seu lançamento, como o iPod Shuffle ou o EEE PC. Eles cavaram espaço, e o público decidiu por eles. Resta saber se para a Microsoft vale a pena tentar lançar um novo formato.

Se a Microsoft não fizer, a Samsung deve fazer.

 

Via ArstechnicaThe Verge, NeoWin