Esse é um assunto um tanto quanto complicado para se discutir, e a resposta pode ser completamente diferente, dependendo do ângulo que se vê a situação. Logo, vamos por partes, como diria o editor do podast SpinOff (mesmo porque essa história da piadinha do Jack o Estripador não cola mais).

As pessoas e empresas rapidamente se esquecem do passado. Por outro lado, quem vive do passado é museu, e o importante nessa vida é olhar para frente. Porém, vendo por um outro prisma, é possível que essas mesmas pessoas e empresas tenham aprendido com os erros do passado. Mas também é sempre bom lembrar que repetir o erro é uma prova de burrice absurda. Todas as afirmações acima podem se aplicar à Microsoft, quando levantamos a questão “será que a Microsoft deve mesmo tentar fabricar o seu próprio smartphone com Windows Phone?”

Os rumores existem, e pelo visto, a intenção também. Até porque a Microsoft já deixou claro que vai apostar ainda mais no mercado mobile em 2013. Afinal de contas, para quem está apostando alto no lançamento do tablet Surface, apontando esse como um dos principais pilares para o sucesso do Windows 8 no mercado, não seria nenhuma surpresa a Microsoft apostar em um smartphone próprio, assim como o Google fez, e como a Apple faz. Mas… até quando isso é válido?

Antes de qualquer coisa, é preciso saber como a Microsoft vai entrar nessa empreitada. Se eles lançarem um smartphone com a parceria de um dos seus parceiros, assim como o Google fez com a linha Nexus, é um terreno mais seguro. Até porque essa parceria com a Nokia existe justamente para isso. Podemos falar tudo sobre a fabricante finlandesa, mas é fato que ela sabe fazer dispositivos móveis. E tenho certeza que, se Steve Ballmer for esperto, está utilizando essa experiência deles para esse projeto.

Agora, se arriscar a fazer um telefone com a cara e a coragem, é um passo arriscadíssimo. A relação custo/benefício pode ser a pior possível, principalmente no resultado final. A própria Microsoft já passou por isso, ao apresentar os modelos Kim One e Kim Two, mas que jamais chegaram ao mercado de massa, virando artigo de colecionador. Se bem que os tempos são outros: na época, a empresa de Redmond foi na contramão de tudo o que era tendência, lançando um telefone com o defasado Windows Mobile, teclados físicos e baixa adesão de aplicativos de terceiros. Hoje, as coisas mudaram bastante, e a Microsoft também mudou muito.

O Windows Phone ainda não é o sistema que bate de frente com o iOS e o Android. Deve fazer isso com essa nova versão que chegará ao mercado em 29 de outubro. A partir daí, vale a pena observar como o mercado e os consumidores vão reagir ao novo Windows Phone 8. Particularmente, acho o sistema ótimo: o Windows Phone 7.5 é leve, rápido, funcional e bem diferente de tudo o que temos hoje no mercado mobile. Acredito que o Windows Phone 8 será ainda melhor, uma vez que terá um hardware mais robusto, e funcionalidades que complementarão o seu uso.

Paralelo à isso, é importante observar como será a resposta do mercado ao Microsoft Surface. Primeiro, por ser o tablet com um sistema operacional completo, e não um sistema mobile. Segundo, e o mais importante para nossa análise: ele será um produto da Microsoft, concebido e construído genuinamente pela Microsoft. Esse pode ser o principal termômetro da empresa para saber se vale a pena apostar na fabricação do seu próprio smartphone pela sua conta e risco, ou se é melhor procurar um parceiro experiente (leia-se Nokia) para esse projeto.

Além disso, é preciso observar se vale a pena a Microsoft fazer concorrência para os seus próprios parceiros comerciais. Samsung, HTC e a própria Nokia já fecharam com a empresa de Redmond nesse projeto de lançamentos de produtos com Windows Phone, e cada uma dessas empresas contam com suas respectivas visibilidades previamente construídas junto ao público consumidor. A Microsoft, por outro lado, se lançar o seu próprio smarphone, vai ter que construir essa credibilidade junto ao consumidor, e em um cenário como o de hoje, é uma tarefa muito difícil.

De qualquer forma, os próximos meses serão decisivos para saber se a Microsoft entra nessa empreitada, e de que forma ela vai apostar no mercado de smartphones. Pelo passado, a resposta mais lógica seria “não”. Mas, pelo presente, e pelas perspectivas de futuro, a resposta até pode ser um tímido “sim”. Vamos observar os próximos acontecimentos.