O lançamento do iOS 6 e do iPhone 5 foram um pouco eclipsados pela polêmica versão do Mapas da Apple, apresentada na nova versão do sistema operacional móvel da empresa de Cupertino. Esse “pequeno lapso em forma de software” (estou tentando ser o mais educado possível) evidenciou de uma vez por todas a batalha que Apple e Google mal começaram a travar pelo domínio do mundo mobile. E, convenhamos, não deveria ser surpresa o fato que a Apple iria falhar na sua primeira tentativa de criar um aplicativo de mapas independente.

Com isso, Apple e Google estão em pé de guerra. Em uma guerra diferente daquela que a Apple trava contra a Samsung, mas de dois gigantes do mundo da tecnologia. O curioso é que as duas empresas contam com modelos de negócios completamente diferentes, e estratégias diferentes. E as duas estão competindo não para defenderem os seus modelos de negócios.

Vamos começar pela Apple, que possui uma estratégia relativamente mais simples. A Apple basicamente quer que os consumidores “se apaixonem” exclusivamente com cada aspecto de hardware e software da empresa, fazendo com que os seus computadores, smartphones, tablets e players musicais sejam o centro do cotidiano das pessoas. E, caso você ainda não tenha notado, a gigante de Cupertino é extremamente competente nisso, com um hardware consistente, porém ágil, produtos finos e com um visual mais atraente que os seus rivais, e sistemas operacionais leves e muito consistentes, principalmente quando comparados com os dispositivos com o sistema operacional Windows.

Já o Google tem uma estratégia bem diferente. Seu objetivo não é vender hardware ou software. Em vez disso, eles se concentram de forma incansável na melhoria da internet, tanto no seu desempenho quanto na sua perspectiva de acesso. O modelo de receita do Google é bem simples: quanto mais cliques os seus sites e sites parceiros tiver, mais receita eles conseguem fazer a partir de propagandas. E a melhor maneira de garantir que os seus sites continuem a receber um grande volume de cliques é garantindo que mais pessoas tenham acesso aos seus serviços online, com uma ótima velocidade de acesso, com um conteúdo entregue ao internauta de forma rápida e eficiente.

É por isso que o Google oferece o Android como um sistema operacional de código aberto. A ideia é expandir o acesso à web móvel, para que os consumidores tenham mais oportunidades em acessar os sites do Google e no seus milhões de parceiros ao redor do planeta, clicando em seus links. Outra prova disso é o lançamento do Google Fiber, como forma de estimular a criação de redes mais rápidas, que por sua vez, resultam em um maior uso de produtos do Google.

E sim, eu sei o que você está pensando: a mesma coisa acontece com o Google Chrome. Eles descobriram que mais pessoas usam os seus serviços quando estão utilizando um navegador web de alto desempenho. E, hoje, o Google Chrome é o mais utilizado ao redor do planeta. E não é por acaso.

É bom manter tudo isso em mente, sempre que tentarem comparar a Apple com o Google, pois muito provavelmente essas empresas vão entrar em rota de colisão por outros motivos, e não por um simples domínio no mundo da tecnologia.

O Google sabe que nunca vai conseguir deixar o Android tão bonito ou funcional como o iOS é, e eles sempre vão ter problemas para lançar dispositivos com a beleza e elegância do hardware da Apple. Por outro lado, a Apple sabe que muito provavelmente vai ficar sempre atrás do Google nos aplicativos baseado na web, como são os casos do navegador Safari e do Mapas para iOS, que estão muito atrás do Chrome e do Google Maps, respectivamente. Além disso, é inimaginável a possibilidade da Apple algum dia construir a sua própria rede de internet de alta velocidade na América do Sul, por exemplo.

Fato é que Apple e Google são completamente diferentes, e as duas oferecem inovações impressionantes, que tornam as nossas vidas melhores em diferentes aspectos. O importante é que uma deixe a outra ser ela mesma, para que todos aproveitem dos frutos do seu trabalho. Exigir que uma seja igual à outra é besteira, e uma batalha por causa de um segmento de mercado é algo muito pequeno, se comparado às soluções que as duas empresas podem oferecer ao consumidor.