Se existe uma verdade que é universal é que nada nessa vida é eterno. Nada dura para sempre. Se até casamentos com quase 50 anos de convivência matrimonial acabam porque aquela senhorinha resolve se apaixonar pelo garotão do último ano de faculdade (ou o velhinho acaba sendo pego pela senhorinha assistindo o Jornal Nacional com a periguete do bairro), o que dizer da fidelidade a um produto. Ao longo dos últimos cinco anos, os usuários do iPhone se mantiveram fiéis ao produto, se sentindo completos com suas características e funcionalidades. Mas esse cenário feliz está acabando. Lentamente.

Segundo um estudo realizado pela Strategy Analytics (e publicado pelo Mashable) os usuários do iPhone estão cada vez mais propensos a “pularem a cerca”. Não do seu casamento com suas esposas, mas sim, com o “casamento” com o próprio smartphone da Apple. Um número cada vez maior de usuários do iPhone estão dispostos a comprar outro smartphone com outro sistema operacional. Mas, diferente do que você possa imaginar, o cenário ainda não é de infidelidade total, mas é fato que eles já foram mais fiéis.

De acordo com o estudo, 88% dos usuários do iPhone nos Estados Unidos estão dispostos a comprar um novo smartphone da Apple nesse momento. Porém, essa proporção é menor do que os números da pesquisa do ano passado, onde 93% dos entrevistados estavam dispostos a renovar o seus votos de fidelidade com o smartphone mais amado do mundo.

Você vai me dizer que são apenas 5% de um ano para outro, mas em um mercado tão competitivo como o mercado mobile, isso pode representar muita coisa. Se levarmos em conta que hoje a Samsung é líder mundial em vendas de smartphones, onde 8 em cada 10 dos smarts Android mais vendidos do mundo são justamente da linha Galaxy, se 80% desses 5% forem para a empresa sul-coreana, já temos aí uma diferença em um dos itens que mais importa aos fabricantes: as vendas. É claro que essa margem pode oscilar para mais ou para menos, mas é um indício que mais de 10% dos usuários do iPhone não estão lá muito interessados em comprar a nova versão do produto, e podem muito bem olhar para os lados, para ver se “o doce do vizinho é mais gostoso que a maçã que ele come faz tempo” (só os fortes entenderão essa…).

Olhando para o mercado europeu, esses números são ainda mais significativos. 75% dos entrevistados responderam que pretendem adquirir um novo iPhone, contra 88% registrados em 2011. Ter 75% de satisfação é algo ótimo para um produto do seu porte, porém, perder mais de 10% de interesse em um ano representa que alguma coisa está saindo errado, e que fatalmente essa clientela vai migrar para a concorrência.

O motivo para isso? Não há uma resposta definitiva, mas podemos colocar na conta que boa parte dos usuários do iPhone 5 estão reclamando da falta de inovação no hardware do produto, e das poucas novidades implementadas, se comparado ao iPhone 4S. De fato, desde o lançamento do iPhone 4, o produto não recebeu modificações drásticas e relevantes o suficiente para que justificam a troca de um modelo mais antigo pelo iPhone 5 (uma tela com 0.5 polegada a mais de tamanho e o Apple Maps não podem ser chamados de “inovação”, ok?), enquanto que os concorrentes conseguem melhorar a suas propostas de produto, com novidades mais atraentes para o consumidor.

Tudo indica que a Apple está atenta à tudo isso, e a saída de Scott Forstall da empresa é um desses indícios de que algo precisa ser mudado. Forstall era um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do iOS, mas deixou o sistema estacionado no quesito interface de usuário, para preservar a experiência de uso única para qualquer tipo de usuário. E o lançamento do Apple Maps foi o tiro de misericórdia em sua trajetória na empresa. Tim Cook e sua turma sabem que passou da hora de mudanças acontecerem. Vamos esperar para ver se essas mudanças surgem, e se podem agradar os exigentes usuários da Apple.

E fica a pergunta: você está cansado de olhar para o seu iPhone e ver que ele sempre vai se comportar da mesma forma? Você já traiu o seu iPhone, comprando um smartphone Android ou Windows Phone como segundo aparelho? Ou o amor acabou de vez, e você vai trocar o smartphone da Apple para nunca mais voltar?