Existe um motivo muito forte para o Google ter mais de 7 mil funcionários envolvidos no projeto do Google Maps: é muito difícil gerenciar os recursos do aplicativo, e exige uma grande quantidade de investimento, força criativa e de execução, e acima de tudo, tempo. Tempo esse que a Apple não vai pensar duas vezes em usá-lo para consertar todos os problemas detectados no Apple Mapas.

Segundo o site Technology Review, diversos especialistas no segmento de mapas deram o seu parecer sobre quanto tempo a Apple vai levar para produzir um aplicativo de mapas que seja comparável à qualidade entregue pelo serviço do Google. E, como já era de se imaginar, as chances da empresa de Cupertino produzir o milagre de criar um aplicativo eficiente em tempo recorde é zero.

O principal problema da Apple está na sua atual estratégia de desenvolvimento do serviço. Eles estão esperando que os usuários relatem os erros detectados no serviço. Além do fato de contar com o bom senso comum é um erro no mínimo épico, a grande maioria dos usuários não vão conseguir detectar os problemas mais profundos do aplicativo. É como se a Apple fizesse o típico serviço de preguiçoso, daquele que não quer fazer o seu trabalho, e empurra para o outro fazer.

O site também informa que os milhões de endereços e localizações que estão incorretos no Apple Mapas exigem uma mudança completa nas fontes dos dados, além de ferramentas mais simples para que os usuários relatem os problemas em localizações geograficamente mais dispersas (isso é, se a Apple insistir em deixar para o usuário corrigir o serviço mal feito pela própria Apple).

De acordo com Michael Dobson, presidente da consultoria da empresa de mapeamento TeleMapics, a Apple não será capaz de resolver todos esses problemas em um tempo hábil ou curto demais, a menos que esteja disposta a reforçar de forma significativa a sua equipe de mapeamento, além de investir uma boa quantidade de dinheiro em recursos técnicos, como carros dedicados exclusivamente ao mapeamento de cidades. Assim como o Google faz até hoje.

“O Google encontrou uma maneira de integrar o croudsourcing ativo de seu serviço em um nível que a Apple jamais tentou fazer. Eu não acredito que a Apple tenha mais do que 200 pessoas trabalhando no seu serviço de mapas nesse momento (…) e a Apple pode até tentar, mas certamente eles não contam com qualquer sistema que possa sequer chegar perto ao que o Google tem hoje”, completa Dobson.

Isso tudo é muito óbvio, assim como no lugar da Apple, não há mesmo a necessidade de ter pressa de consertar o estrago feito no seu mapas. Eles já conseguiram o seu objetivo principal, que era expulsar o serviço do Google dos iDevices. Depois de pedir desculpas pela bobagem, e oferecer outras alternativas de mapas, a empresa de Cupertino entende que agora é a hora de trabalhar, com calma, no desenvolvimento do seu serviço. Porém, como foi dito no post, se a Apple quiser mesmo um aplicativo que ao menos funcione, vai ter que gastar muito dinheiro para isso, além de contratar um grande contingente dedicado a esse serviço. E não sei o quanto Tim Cook está disposto a ir para alcançar esse objetivo.

Via Technology Review