A partir de domingo (29), os números de celular da região metropolitana de São Paulo e de sua capital vão receber o dígito 9 à esquerda. Mas isso pode acontecer para os números de todo o Brasil em quatro anos.

Quem informa é Eduardo Levy, conselheiro da Telebrasil, associação que reúne as empresas de telecomunicação nacional, em entrevista para o Estadão. Especificamente para a região da capital paulista, a medida deve solucionar o problema de ausência de combinações possíveis para novos números, acrescentando ao mercado 44 milhões de números novos para as operadoras.

Por outro lado, essa necessidade pode ser levada em conta para outros estados, e não só com a adição do dígito 9, mas com a criação da área de DDD 10 para as cidades vizinhas à São Paulo (hoje, a região metropolitana e grande ABC usam o DDD 11). A medida, que é defendida pela Associação de Engenheiros de Telecomunicações, resolveria os problemas do estado de São Paulo, mas não o do Brasil no futuro.

Por outro lado, aprovar o nono dígito vai significar um aumento no número de linhas vendidas. E isso acontece em um momento onde a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) passa por uma cruzada com as principais operadoras nacionais, suspendendo as vendas de chips por causa de reclamações de consumidores sobre a baixa qualidade do serviço. É importante saber se a qualidade das operadoras vai melhorar (acho difícil). Caso contrário, teremos um cenários de caos.

Além disso, o velho problema da demanda do serviço precisa ser analisada. A Anatel exige planos de investimento para as operadoras, que precisam enxergar a longo prazo esses investimentos, pois as inovações precisam prever essa possibilidade de adição de um nono dígito, e principalmente, para o impacto que isso pode produzir no volume de linhas disponíveis. Os planos de investimento são para os próximos dois anos, mas é fundamental que se pense a longo prazo. Afinal de contas, quem mais pode sofrer com todas as mudanças são os usuários. E perto de todos os problemas, adicionar um nono dígito no celular pode parecer brincadeira de criança.