Eu adoro o Android! Diferente de muitos “entendidos” (que só sabem usar o iOS), eu acho o sistema operacional móvel do Google incrível, cheio de possibilidades e altamente customizável. E que fique claro: nada disso me faz desgostar do iOS, diferente de algumas pessoas com ânimos mais exaltados (e com menor senso de discernimento). Porém, uma coisa eu tenho que admitir, e o Google também precisa entender isso: o Gingerbread ainda é a versão dominante no mundo Android, e ao que tudo indica, esse quadro está longe de ser mudado. Infelizmente.

O Google apresentou na semana passada os números atualizados de como está a distribuição das versões do Android nos dispositivos do mercado. Saber que o Android 4.0 (Ice Cream Sandwich) tem apenas 20% do mercado, e que o Android 4.1 (Jelly Bean) tem uma expansão mínima é, ao meu ver, uma péssima notícia. O Android 2.3 Gingerbread ainda é o sistema dominante do seu universo, e isso acontece desde dezembro de 2010. Ou seja, são 21 meses de liderança, e contando. E ele começa a ser um grande problema para o Google e seus parceiros.

Nesse aspecto, os principais concorrentes… desculpa, a principal concorrente – nesse caso, a Apple… enfim, ela faz o serviço direito. Bem ou mal, todos recebem a atualização do seu sistema operacional móvel no mesmo dia (tá, nem todos, pois os servidores da Apple não aguentam o tranco), e todos acabam tendo as novidades oferecidas pela nova versão do sistema em conjunto. Tudo bem, você pode até dizer “mas a Apple tem apenas um smartphone e um tablet; já o Android precisa oferecer updates para centenas de dispositivos”. Eu sei disso. Mas, vale lembrar que o iOS 6 estará disponível (em diferentes níveis e disponibilidades de recursos) para os modelos 3GS, 4, 4S e iPod Touch. Ou seja, são quatro produtos com características diferentes. E isso dá um certo trabalho. Afinal, são mais de 250 milhões de iPhones ativos no mundo, desde a primeira versão. Logo, tire uma boa porcentagem dos modelos compatíveis com a atualização.

Voltando a falar do Android Gingerbread. O Google ativa 1.3 milhão de dispositivos ao redor do planeta. Desses, a grande maioria contam com o Gingerbread, e a velocidade com que eles são ofertados no mercado é um verdadeiro problema para o Google. Para você ter uma ideia, segundo um estudo feito pela empresa Sauve, a velocidade com que os dispositivos com Gingerbread chegam ao mercado é 14 vezes maior que os produtos com Ice Cream Sandwich. E olha que o ICS nem é mais a mais recente versão do Android.

Outro indício que o Google tem problemas em distribuir as suas novas versões de seu sistema móvel é que, depois de quatro meses do seu lançamento oficial, o Android Ice Cream Sandwich estava disponível apenas em 1% de todos os smartphones Android. Tudo bem, hoje são 21% dos dispositivos. Mas… quanto tempo levou para chegar nesse número mesmo? O Jelly Bean segue o mesmo ritmo lento de expansão: lançado em junho de 2012, o Android 4.1 está presente em apenas 1% do mercado de dispositivos do robozinho verde.

Fato é que o Google precisa tomar providências mais enérgicas contra isso. Tudo bem, se não dá para impedir os fabricantes de lançar produtos com a versão Ice Cream Sandwich, que ao menos incentive esses mesmos fabricantes a desenvolverem produtos compatíveis com essa versão (pelo menos essa; o ideal seria já os modelos com Android Jelly Bean). O Google reduziu a janela de lançamentos de novas versões do Android para um grande update por ano, mas isso não foi incentivo para os fabricantes apostarem em produtos com as novas versões do sistema.

Pelo contrário. Com o mundo em crise, os fabricantes estão apostando de forma mais convicta nos smartphones de entrada, buscando os mercados cujos usuários preferem modelos mais simples, com preço menor e recursos como chips dual SIM, para reforçar a proposta de economia. Com isso, apenas os smartphones de linha média ou alta recebem as versões Ice Cream Sandwich e Jelly Bean, deixando essa expansão mais lenta que o desejado.

E o pior de tudo: 99% dos usuários atuais do Android estão usando uma versão do sistema do Google que não suportam os novos recursos do sistema, como o Google Now, o suporte à buscas por voz, e as melhorias de performance previstas no “Project Butter”. E tenho certeza que o pessoal de Mountain View não estão gostando nada disso.