
Nesta edição, vamos tentar entender porque de repente todo mundo resolveu se voltar contra o Adobe Flash, e entender que eles todos tem uma certa dose de razão nas críticas. Saber um pouco mais da W3C, e ver qual o papel dela no HTML5, saber a sua principal vantagem que o novo sistema defendido por Apple e Microsoft pode trazer para você, e quais os interesses ocultos neste duelo entre estas gigantes de tecnologia.
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26/05/2010
Eduardo Moreira 
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é defendido tambem pelo Google, o futuro da Adobe são em aplicativos externos baseados no Adobe air. como o maravilhoso Tweetdeck.
Olá:
Em primeiro lugar parabéns pelo retorno de seus podcasts. Desejo que seu retorno à podosfera após as férias forçadas seja longo e próspero.
Quanto ao assunto: Não tenho smartphone (Um dia ainda vou consegui meu Android…) nem produto Apple, nem computador lento para sentir na pele a lentidão provocada pelo Flash. Mas por mais forte que seja a justificativa técnica, você não acha que a decisão de se proibir o Flash nos produtos da Apple – da forma como foi divulgada – não pareceu uma decisão arbitrária do Steve Jobs? Um mero capricho para impedir a concorrência e impor um padrão de cima para baixo, por mais razoável que pareça a justificativa de manter a qualidade dos aplicativos?
E há ainda a restrição das linguagens de programação que podem ser usadas para aplicativos iPhone e iPad (Objective C, C/C++ ou JavaScript). É como se além de restringir o que os usuários podem usar (pornografia? Use Android!) também tem que restringir como os desenvolvdores devem trabalhar. Como programador (Java para web para ser mais específico) isso me deixa incomodado.
Talvez tenha parecido que sou um odiador (seria essa a palavra correta?) profissional da Apple e Steve Jobs. Não posso afirmar que é esse o caso, mas me incomoda ver essas atitudes tomadas pela empresa da maçã e ainda assim ela continuar ser adorada por tantas pessoas. Talvez porque ainda não fui afetado pelo famoso Campo de Distorção da realidade de Jobs.
Grato,
Rafael Afonso
Rafael,
De certo modo, concordo com você. Porém, isso já foi feito antes no mercado de tecnologia. A Microsoft foi acusada por anos de monopólio por estratégia semelhante (impondo o uso do Internet Explorer), porém, sempre foi alegado que todo mundo poderia instalar outros navegadores (mesmo não funcionando direito). No caso da Apple, eles alegam ter estabelecido um padrão de uso e performance para seus produtos, e a alegação de Jobs é "eu sou livre para escolher o que quero que seja rodado em meu sistema: quem compra, já sabe disso". Capricho? Sim, com certeza. mas usuários com máquinas de médio porte sentem o quanto que o Adobe Flash consome recursos e travamentos. Logo, ele tem lá a sua dose de razão.
E o que a Apple está apoiando (assim como Microsoft e outras empresas) é um sistema que, teoricamente, facilita a vida de todo mundo. Concordo com você que alguns procedimentos da Apple em vários setores são altamente questionáveis, mas dessa vez, não creio que seja apenas a restrição à plataforma. E, como Apple e Microsoft se uniram à causa, a coisa pro lado da Adobe se complica mais.
E como eu disse no cast, há outros interesses por trás. Principalmente a batalha da web e do mundo moblie, entre Apple e Google. E o Adobe Flash, apoiado pelo Google, acaba senod a corda dessa cabo de guerra.
Por isso, tem um pouco das duas coisas: capricho de Jobs, e argumentos técnicos dele e de empresas importantes a seu favor.
Abraços.
Não quero defender a Adobe, mas gostaria de considerar alguns pontos, já que vivi a época dos browsers sem Flash.
1 – O Flash surgiu como um dos diversos plug-ins criados para apresentar animações e, dessa forma, melhorar a experiência do usuário. Por sua qualidade ou facilidade de desenvolvimento, foi o que sobreviveu após a "seleção natural". A Adobe (ou Macromedia) criou versões para praticamente todas as plataformas de equipamentos e tornou os sites muito melhor padronizados do que o próprio W3C conseguiu com seus padrões mal seguidos pelos diversos fabricantes de browsers. Monopólio? Sim, mas por motivos muito mais nobres do que os que tornaram o Windows e o Internet Explorer absolutos.
2 – Animações gráficas consomem muito hardware. Não importa se é Flash, HTML5, ou o que mais vier, uma máquina fraca vai travar quando abrir uma animação. Uso um Positivo Mobo com 512MB de RAM e Google Chrome (que é compatível com HTML5). Já configurei o YouTube para exibir videos em HTML5 e acabei voltando para o Flash, pois achei que, por enquanto, assim fica melhor. Tem um site de benchmark entre uma tecnologia e outra (do qual infelizmente não me lembro a URL) que prova isso. Ou seja, se você não tem uma máquina suficiente, não coloque a culpa no plug-in. Nem espere que HTML5 vá fazer alguma mágica e melhorar a performance.
3 – No mundo dos desktops poucos desenvolvedores se preocupam com a performance da máquina do usuário. Os sites exibem mensagens indicando a configuração mínima para rodar um software ou abrir uma página e o usuário que se vire para consegui-la. Só que agora o mundo é móvel e os netbooks, tablets e smartphones (que não permitem upgrades) estão invadindo o mercado. Então, se quiser ter algum sucesso, o desenvolvedor terá que fazer softwares e sites leves, que fluam em plataformas modestas e, ainda assim, encantem o usuário. Só os bons sobreviverão para desfrutarem do momento que logo virá, em que esses equipamentos leves terão capacidade de rodar qualquer coisa. Até o próximo ciclo.
4 – Para mudar a opinião de Jobs e Gates é fácil: basta a Adobe colocar seu melhor time para otimizar os plug-ins e acabar com seus bugs e ainda terá condições de manter o seu reinado. Mas tem que se mexer logo, pois quando todos os browsers forem compatíveis com HTML5 e tivermos desenvolvedores suficientes no mercado para usá-lo em seus sites, será tarde demais. Com um detalhe: agora a responsabilidade sobre a performance da animação na tela cairá nos ombros de quem desenvolver o browser, e não de quem fez o plug-in. Quantos browsers sobreviverão depois disso?
Desculpem-me pelo tamanho do comentário, mas acho que temos que pensar em tudo isso também.
Parabéns pelo excelente podcast.
David,
Concordo com boa parte das suas observações (e é por isso que gosto de fazer podcast), mas devo ressaltar alguns pontos.
A sobrevivência à tal seleção natural também se deu porque ninguém deu muita importância para o desenvolvimento de software multimídia para a internet (a Microsoft quando o fez com o Silverlight, o fez meio tarde). O mérito da Macromedia se deu mais pela acomodação dos demais desenvolvedores. O problema é que o padrão Adobe Flash adotado hoje torna praticamente inviável a navegação minimamente eficiente para quem tem hoje uma máquina "média". E esta é a situação de boa parte dos usuários brasileiros.
A solução do HTML5 tende a ser mais vantaojosa para o usuário porque, na prática, ela não vai requerer diversas instalações de plug-ins na máquina e, consequentemente, chamar diversos programas diferentes para executar uma mesma função. Quem tem no mesmo computador IE, Firefox, Opera, etc, vai precisar ter pelo menos dois plugins Flash instalados: um para IE, e outro para os demais, e ter este plug-in carregado o tempo todo na memória da máquina. No caso do HTML5, tudo já vai estar na arquitetura do padrão, bastando os desenvolvedores de browsers adicionarem a programação para que seja compatível com o HTML5, reduzindo assim o consumo de recursos de máquina.
Concordo com você que programadores não se importam com usuário final e suas especificações de hardware. Já conversei com programadores que defenderam alguns sistemas operacionais, apenas e tão somente porque rodavam bem em máquinas consideradas top. E, mesmo argumentando que a maioria dos usuários não possuem esta máquina top, recebi a resposta do "não importa: funciona para mim e isso basta". Uma coisa que talvez eu tenha deixado de enfatizar no cast é que esta polêmica toda é maior mesmo pelo lado dos dispostivos móveis (especificamente smartphones), mas exemplifiquei o uso dos desktops porque senti isso na pele, e outros usuários também sofreram com o Flash. E o pior: não importando o sistema operacional.
E concordo que, se a Adobe não se coçar, vai ficar sozinha nessa (ou quase, uma vez que a Google apoia o lado da Adobe, mas por interesses terceiros neste apoio).
Abraços, e obrigado pelo comentário. Continue acompanhando o podcast, que vem muita coisa boa por aí.
Ótimo podcast.
O flash de vez em quando vem me dando alguns problemas, o computador do meu trabalho já travou algumas vezes por causa dele. Uma vez, usando o computador de casa, o próprio Firefox resolveu desativar o plugin do flash com o aviso de que ele estava comprometendo a performance do navegador.
As vezes quando eu abro dois sites diferentes que usam o flash eles dão problemas também e não abrem.
Enfim, de uns tempos prá cá o Adobe Flash vem aprensentado mais problemas do que antigamente, e acho que se esse HTML5 for tudo o que estão prevendo então muita coisa vai melhorar.
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