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Com certeza isso já aconteceu com a grande maioria das pessoas que hoje trabalham com tecnologia de alguma forma. Minha vida com o mundo tech não terminou do jeito que eu pensava quando eu era pequeno. Eu sonhei um dia em ser analista de sistemas, trabalhando em uma grande empresa, desenvolvendo softwares complexos, que ajudariam a melhorar a vida das pessoas. Porém, terminei como um blogueiro, comentando as principais notícias e lançamentos desse universo que tanto amo.

Mas minha paixão por tecnologia começou com o universo da programação. E isso aconteceu quando eu tinha 8 ou 9 anos de idade, quando ganhei o meu primeiro brinquedo que estava ligado a esse mundo, de alguma forma: o Pense Bem (Tec Toy). Fiquei brincando com esse brinquedo dia e noite, esgotando baterias e me fascinando por aquele mundo de inserção de dados e programação simples de músicas.

Por conta disso, com 12 anos de idade, minha mãe me inscreveu no primeiro curso de informática, onde eu tinha a possibilidade de efetivamente aprender como tudo aquilo funcionava. E na minha primeira apostila, na primeira aula, eu já aprendi a “programar” em um computador, através das seguintes instruções:

10 PRINT “BOM DIA”
20 GOTO 10

Tal linha de comando fez com que a frase se repetisse na tela de forma infinita. Com a tecnologia de hoje, conseguir uma instrução semelhante de texto em uma TV não é algo muito interessante. Porém, naquela época, era o início de algo novo para mim. O ineditismo de assumir o controle da máquina. Representava a criação de algo. De algo próprio. De uma forma básica.

Ali, conheci o BASIC pela primeira vez.

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Hoje (1), se completou 50 anos do nascimento oficial do BASIC. Às 4 horas da manhã de 1 de maio de 1964, era executado o primeiro programa em BASIC na Universidade de Darmouth, e desde então a sua popularidade não parou de crescer. E foi assim durante anos, se transformando na linguagem em que muitos deram os primeiros passos “sérios” diante de um computador.

A linguagem se transformou na década de 1970 e principalmente na década de 1980 em um componente imprescindível para todos os computadores de 8 bits. A Microsoft utilizou a linguagem de programação de forma extensiva em seu MS-DOS, e aquelas máquinas do passado (C64, Amstrad, Spectrum, MSX) também davam a oportunidade aos seus usuários de aproveitar todo o seu potencial.

Se hoje eu escrevo nesse blog, é porque um dia eu aprendi o BASIC, que foi a base de todas as outras linguagens de programação que aprendi até hoje. Por conta da programação e do processamento de dados, portas inimagináveis foram abertas para mim, e por causa delas, eu sou a pessoa que sou hoje.

Desde o meu começo com o BASIC, sempre gostei do mundo da tecnologia. Porém, depois de concluir o segundo grau e ir para a faculdade, acabei vendo as demais vertentes do mundo tech, e entendi que era mais prazeroso para mim contar essas histórias que aconteciam todos os dias. Mas foi por causa da faculdade de Análise de Sistemas que comecei o TargetHD, que comecei a participar de eventos, e testemunhar alguns dos mais importantes lançamentos de tecnologia do Brasil e do mundo.

O BASIC não foi apenas um brinquedo ou uma experiência de aprendizado primário: foi uma ferramenta que efetivamente me apresentou um mundo novo. Me deu a oportunidade de criar algo: o meu futuro. Meu “eu” de 12 anos de idade não reconheceria o meu “eu” de hoje, com 35 anos. Mas certamente já estaria muito orgulhos (e ansioso) em saber quem eu sou hoje. E viver intensamente esse tempo.

Parabéns, BASIC, pelos seus 50 anos. E muito obrigado.